Portugal

“Não vou pedir desculpa”. O que revelam os vídeos gravados por Valente?

Crime

Credito: DR

Cláudio Neves Valente, o português suspeito de matar dois estudantes da Universidade Brown e um compatriota professor do MIT, Nuno Loureiro, confessou os crimes em vários vídeos encontrados pelas autoridades no armazém onde o seu corpo foi descoberto.

Os vídeos foram feitos num aparelho eletrónico e gravados em português, e trazem à luz do dia mais detalhes sobre os crimes levados a cabo no passado mês de dezembro.

A transcrição de aproximadamente 1.600 palavras, divulgada pelo gabinete da procuradora federal de Massachusetts, Leah B. Foley, revela o que foi dito por Neves Valente ao longo de quatro curtos vídeos, que totalizam cerca de 11 minutos.

De acordo com as informações reveladas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, o português planeava o ataque há pelo menos três anos, mas nos vídeos não apresentou os motivos para ter atacado Brown ou o professor do MIT, com quem estudou em Portugal há décadas. Neves Valente revelou nos vídeos alguma insatisfação quanto à forma como os eventos se desenrolaram, mas recusou sentir remorsos. “Que azar… Eu não gostava de nenhum de vocês. Dizer que fiquei extremamente satisfeito, não, mas também não me arrependo do que fiz”, afirma ele. “Foi tudo um pouco incompetente, mas pelo menos alguma coisa foi feita.”

Apesar de não apresentar nenhuma motivação para os assassinatos, o atirador assume que precisava “de um catalisador” para os crimes. “Mas, no primeiro caso, foi o facto de eu ter sido confrontado, e no segundo, eu também tive um, digamos, pequeno confronto. Então…”, disse ele antes do vídeo terminar. “O único objetivo era sair mais ou menos nos meus próprios termos, e já estava muito atrasado”, diz Neves Valente noutra das gravações, acrescentando que não queria ser quem acabasse “a sofrer mais com isto tudo”.

Os comentários deixam claro, também, que o português acompanhou as notícias nos dias seguintes: nega ter feito qualquer comentário religioso no âmbito dos ataques e responde a Trump quando este se referiu aos imigrantes como “animais”. “Chamou-me de animal, o que é verdade. Eu sou um animal e ele também é.”

Nas gravações, o atirador admite em português que estava a “planear o ataque à Universidade de Brown há muito tempo”, segundo o comunicado de imprensa da Justiça norte-americana. Segundo as autoridades norte-americanas, o português disse também que não sentia que tivesse nada por que pedir desculpa e que queria “sair por conta própria”. “Não vou pedir desculpa porque, durante toda a minha vida, ninguém me pediu desculpas sinceras”, frisou, segundo a Justiça norte-americana.

De acordo com a transcrição, no final dos vídeos, o atirador de Brown cogita o suicídio e questiona se será capaz de fazer consigo o mesmo que fez com os outros. “Foi extremamente difícil fazer isso com todas aquelas pessoas”, assume, confessando sentir inveja de quem consegue matar outras pessoas sem dificuldade. “É isso que eu realmente invejo”, afirma, antes de voltar ao assunto em questão: “Vamos ver se tenho coragem.”

Duas pessoas morreram e nove ficaram feridas no ataque a tiro na Universidade Brown, a 13 de dezembro. Dois dias depois, o português Nuno Loureiro foi morto a tiro em casa, em Brookline. No dia 18 do mesmo mês, Cláudio Neves Valente foi encontrado morto num armazém em Salem, New Hampshire, depois de ter tirado a própria vida com uma arma de fogo.

NM/MS

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