Portugal

Inteligência artificial rentabiliza tempos no bloco operatório

Prótese inovadora
Porto 04/12/2018 – Cirurgia a menina com cancro ósseo que recebeu prótese inovadora, no centro materno infantil do norte, Porto.
Equipa de cirurgia de ortopedia, Pedro Cardoso, do hospital de Santo António.
(Leonel de Castro/Global Imagens)

Três hospitais do Serviço Nacional de Saúde estão a implementar uma ferramenta informática que utiliza a inteligência artificial para rentabilizar a ocupação dos blocos operatórios.

A otimização dos tempos nas salas cirúrgicas traz vantagens para o doente, porque evita atrasos ou até cancelamento de operações, e para o hospital porque o custo da hora num bloco operatório pode chegar aos 600 euros.

O projeto inovador Surgery On Time (SOT) combina o “machine learning”, um ramo da inteligência artifical, com um modelo de otimização para o agendamento automático das cirurgias. Desenvolvido pela Lean Health Portugal no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), nas especialidades de urologia, ortopedia e cirurgia geral, o SOT teve “resultados claramente positivos” face aos métodos tradicionais e está agora a ser implementado nos hospitais de Braga e Garcia de Orta.

Na prática, o sistema estudou milhares de cirurgias realizadas entre 2017 e 2021 – com variáveis que incluem o tipo de doente, a patologia e até a experiência do cirurgião, entre outras -, para estimar com mais precisão a duração de cada operação. E, com base nesta informação, faz o agendamento automático dos doentes, por forma a ocupar o máximo de tempo possível do bloco, com respeito pelas prioridades de cada utente.

A diferença entre o tempo estimado pelo cirurgião para a operação que vai realizar e o tempo apontado pelo SOT é significativa. “Na ortopedia tivemos uma melhoria de 57,7%, na cirurgia geral de 54% e na urologia de 35,1%”, afirmou, ao JN, Nuno Diogo, responsável da especialidade de Ortopedia do CHULC.

Consequências

Rui Cortes, CEO da Lean Health Portugal, acrescenta que, quando o agendamento das cirurgias é ineficiente, há consequências para o doente e para o serviço. Se o procedimento ultrapassar o tempo previsto atrasa as operações seguintes, podendo implicar mais tempo de internamento (aumentando o risco de infeções hospitalares) ou o cancelamento da operação. Por outro lado, se a cirurgia levar menos tempo que o previsto, não há um aproveitamento total dos recursos.

Com este modelo procuram-se taxas de ocupação dos blocos entre os 85% e os 90%, recomendadas internacionalmente. E segundo o responsável, os valores foram atingidos no estudo realizado. No CHULC, o SOT não está atualmente em uso, mas vai avançar, segundo a empresa. “Estão a ser tratadas com a SPMS questões de interoperabilidade” dos sistemas, explicou Rui Cortes.

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