Portugal

Emigração consagra Chega como líder da Oposição

Créditos: JN

Ao longo da contagem dos votos, André Ventura alimentou a esperança de conseguir três dos quatro mandatos que estavam por atribuir. Mas ficou de novo com dois: um na Europa, onde teve o dobro da percentagem da AD, e outro fora. Os outros dois foram para a coligação PSD/CDS que, em 2024, tinha tido apenas um. Já o PS perdeu o seu único eleito. Continuou com 58 deputados, apesar da ligeira vantagem no número de votos, enquanto a extrema-direita cresceu para 60 e a AD reforçou a bancada para 91.

Numa espécie de segunda noite eleitoral, Ventura cantou “vitória”, avisando que “o sistema político muda para sempre e nada será como antes”, e desafiando Luís Montenegro a “retirar consequências” da derrota na emigração.

À chegada ao hotel onde ia festejar a liderança da oposição, que lhe dá a vantagem de ser o primeiro a questionar o chefe do Governo nos debates quinzenais, o presidente do Chega garantiu que não quer ser “o líder da confusão ou da destruição, mas sim da fiscalização, do escrutínio e da luta contra a corrupção”. “Respeitamos o tempo dos portugueses e da estabilidade”, afirmou, prometendo que saberá “liderar a oposição com responsabilidade” e que será “o farol da estabilidade, autoridade e ordem”. No interior, subiu de tom, falou de “uma mudança profunda de regime” e assumiu-se como líder da oposição ao “bloco central de interesses”, dizendo estar “nas tintas para os lugares”. Atribuiu esta “vitória” na emigração aos “votos daqueles que tiveram que partir por causa do PS e PSD”.

Já o PS, que promete viabilizar o programa do Governo num “comportamento de responsabilidade”, reagiu aos resultados através de Pedro Vaz. O secretário nacional para a organização disse que “o PS assumirá uma posição construtiva de oposição”. Notando que, “neste momento, a palavra cabe ao presidente da República”, referiu que a questão que deve ser colocada à AD é “como o Governo pensa governar o país”. Do PS, Montenegro contará com o diálogo prometido por José Luís Carneiro. O candidato à liderança socialista José Luís Carneiro afirmou que contribuirá para viabilizar o Orçamento do Estado, afastando “um psicodrama” na eleição do presidente do parlamento porque o PS “não tem o direito” de vetar o nome da AD.

JN/MS

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