Portugal

Começa hoje em Viana do Castelo a festa que oferece ouro a Deus

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Romaria em Viana do Castelo oferece ouro a Deus . Créditos: Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

 

Festa d’Agonia leva milhares de mulheres trajadas e “ouradas” às ruas da cidade. Tradição tem semelhanças com romaria na Sardenha.

Começa esta segunda-feira a Romaria da Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo. Uma manifestação popular de fé, que, mais uma vez, levará para as ruas milhares de mulheres vestidas com trajes tradicionais e ornadas com ouro fino (ou “ouradas”, como se diz no Alto Minho), uma tradição que atravessa gerações.

Em todas as celebrações – a deste ano desenrola-se ao longo de nove dias até dia 22 – a cidade do Alto Minho transforma-se na maior montra do Mundo do traje à vianesa e de peças de ouro de Viana e filigrana, desde brincos à rainha, medalhas, corações, laças e borboletas, a cordões, alfinetes e custódias.

No dia 17, o Desfile da Mordomia levará, pela primeira vez um número recorde: serão mais de 900 mulheres, trajadas e ouradas. Mas serão muitas mais, com as que participam nos feirões, arraiais, procissões em terra e ao mar, desfiles de grupos folclóricos e festival de folclore, na Festa do Traje e no cortejo histórico-etnográfico.

É “incalculável” o valor do ouro que circula na rua, por estes dias, ao peito e nas orelhas das orgulhosas mulheres. No Mundo, haverá poucos eventos com a mesma magnitude, que juntem história, folclore, tradição e devoção.

Fé partilhada em Itália

A Festa de Santo Efísio, que se realiza no início de maio em Cagliari, no Sul da ilha da Sardenha, em Itália, atualmente candidata a Património Cultural Imaterial da UNESCO, assemelha-se.

Uma majestosa procissão, com mais de 3000 pessoas e 80 quilómetros de extensão, dedicada ao santo que há quatro séculos livrou aquela cidade da peste, centenas de mulheres desfilam usando trajes típicos [e ricos] que passam de geração em geração, e também ornadas com filigrana.

Ao “Jornal de Notícias”, o padre Vasco Gonçalves, capelão do Santuário da Senhora d’Agonia, refere que “é possível fazer um paralelismo” entre as duas festividades, pela sua origem “na fé” e como manifestação popular “pelas graças concedidas na aflição [em Viana, pela Senhora d’Agonia aos pescadores, e em Cagliari, pela intercessão de Efísio na peste]”. E que, nos dois casos, o ouro fino usado pelas mulheres simboliza “uma oferta a Deus”.

“O ouro que é usado nas festas da Senhora d’Agonia, como noutras festas, é sempre o ouro para Deus. Nós acabamos por lhe dar uma componente cultural, mas todo o ouro, é para oferecer ao Senhor”, indica o também pároco de Monserrate, em Viana do Castelo, explicando que “no livro do Apocalipse, diz que ‘Nossa Senhora é a rainha do Céu ornada com o ouro mais fino’. E o ouro mais fino é a filigrana”. “Portanto, a mordoma ou a mulher, aparece como figura que transporta o ouro para Deus. Tudo isto se repete nas festas populares, seja em Viana ou onde for”, comenta.

Por outro lado, a devoção à Senhora d’Agonia encontra paralelo, embora com uma festividade de menores dimensões, do outro lado do Atlântico.

Santuário no Brasil

A mais de oito mil quilómetros de distância de Viana, em Itajubá, no Sul do estado de Minas Gerais, Brasil, existe um santuário no alto de uma colina, dedicado à Senhora, que atrai devotos de vários pontos do país. Foi construído num terreno doado por um devoto emigrante português, natural da freguesia de Lanheses (Viana do Castelo) e comemora este ano 10 anos de existência (2013-2023).

JN/MS

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