Cientista do Porto recebe bolsa de dez milhões de euros para estudar envelhecimento

Elsa Logarinho, cientista do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, conquistou uma bolsa milionária Conselho Europeu para estudar o envelhecimento, no âmbito do projeto científico internacional denominado CenAGE.
Ao lado de dois cientistas franceses, a responsável, de 53 anos, natural de Leça da Palmeira, em Matosinhos, vai receber dez milhões de euros de financiamento europeu, através da ERC Synergy Grant, uma das bolsas mais prestigiadas da União Europeia. Cada investigador receberá 3,33 milhões de euros para estudar, nos próximos seis anos, os centrómeros e promover uma mudança na investigação sobre o declínio biológico. A meta é travar, tanto quanto possível, a deterioração do corpo humano.
Os centrómeros, partes do ADN localizadas no centro dos cromossomas, têm um papel crucial na divisão celular. O CenAGE procura analisar se a instabilidade dessas regiões pode ser uma causa de envelhecimento e, caso seja provada a sua influência, abrirá portas a novas terapias, associadas à idade, que atrasem o processo fisiológico e fortaleçam o sistema imunitário.
Elsa Logarinho mostrou-se orgulhosa com a distinção e riu-se quando foi questionada sobre se está à procura do elixir da juventude. “Elixir? Não é verdade, nem é mentira. É uma forma um bocado populista de se colocar a questão da nossa investigação, mas é verdade que desejamos perceber o processo do envelhecimento. O nosso desejo é atrasar as doenças que lhe estão associadas”.
No futuro, será possível interromper a marcha da idade? “O nosso objetivo não é parar, é tentar atrasar. Neste momento, ainda não há evidências de que seja possível parar ou reverter. As boas notícias são que percebemos que é flexível, ou seja, podemos influenciar a velocidade com que envelhecemos”.
O CenAGE foi um dos contemplados pelo Conselho Europeu, entre 712 candidaturas. No total, foram atribuídas 66 bolsas e um total de 684 milhões de euros. “Tínhamos 8% de probabilidades de sermos escolhidos”, salientou, muito feliz, ao nosso jornal. “O dinheiro é absolutamente crucial e, para mim, é um sonho tornado realidade, até porque estou em Portugal. Sabemos que o país não tem propriamente tratado bem a ciência, há muitas dificuldades com financiamento. Tivemos períodos de carência muito grandes e, por isso, este dinheiro permite contratar recursos humanos de alta qualidade e competitivos e ter acesso a recursos e metodologias de ponta”.
No plano pessoal, é um momento alto da sua vida. “É quase um reconhecimento do meu percurso científico num país com tantas dificuldades. Se não fosse de excelência, não conseguiria este tipo de financiamento. É bom perceber que consigo ser competitiva à escala europeia, não é?”.
JN/MS







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