Vítor M. Silva

Quem é contra o aborto tem uma solução: Não o pratique!

milenio stadium - aborto

 

Ponto prévio, nunca por minha vontade eu proporia a uma mulher que abortasse. Em tempos em que se morre tanto com COVID e numa altura em que os estudos médicos e sociais dizem que teremos um aumento exponencial do número de casos de cancro, o que aumentará significativamente o número de mortes… vivemos tempos em que, cada vez mais, temos que aprender a conviver com a doença. Estou muito preocupado que o cancro se torne uma doença crónica. Admito que esta não é a melhor altura para se discutir algo que baixa naturalmente a natalidade, mas o que estão os governos a fazer para travar o decréscimo da natalidade? O mundo está preparado para que os países do Ocidente percam população e os do Oriente ganhem pontos a nível político e de território porque são muitos mais ao nível da densidade populacional?

Nos Estados Unidos, a decisão de que todos falam do Supremo Tribunal de Justiça poderá acabar com 26 dos 50 estados a optar pela abolição do aborto. Esta sentença de abolir a interrupção voluntária da gravidez está dependente, como sabemos, da deliberação do caso do Mississipi, penso que terá o seu terminus nos próximos meses. A lei sobre a interrupção voluntária da gravidez, que aliás soa melhor que aborto, por vontade da mulher foi uma das que mais dividiu políticos e sociedade em geral. Separou em dois polos a classe política e baralhou (e de que maneira…) disciplinas partidárias. Li algures um pensamento muito interessante que dizia que era de esquerda quem fosse a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto os de direita defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado. Contradições.

Como dizia no título deste artigo, quem é contra o aborto tem uma solução – Não o pratique! Não tenho conhecimento que alguém fosse por lei obrigado a abortar. A mulher é dona do seu próprio corpo e, claramente, tem o direito a decidir se interrompe ou não a gravidez. Sendo proprietária do seu corpo tem que ter a liberdade de decidir o que melhor entender sobre essa matéria. Os abortos clandestinos, que representam cerca de 25 milhões em todo o mundo, esses sim devem acabar de uma vez. A educação de cada mulher está muito relacionada com o aborto. Fui pesquisar e constatei que os grupos de mulheres que mais abortam são as mulheres indígenas, de proveniência africana e com baixa escolaridade e, a título de curiosidade, com menos de 14 anos e com mais de 40.

Infelizmente nunca foram as leis que determinaram se o aborto era feito ou não. A realidade é que este ocorre, com a diferença de que quem tem dinheiro o faz de forma mais segura. Os Governos devem cuidar dos seus cidadãos que tenham estas decisões seja a nível médico ou psicológico. O aborto clandestino é uma grande ameaça à vida das mulheres, é um ato que deve ser encarado como de saúde pública. Educar a mulher é uma solução, mas nunca criminalizar. Não acredito que ninguém aborte de ânimo leve, não é uma decisão fácil para ninguém e traz muitas complicações de saúde, como já referi, como hemorragias, perfurações e infeções graves. Sou e serei sempre a favor da vida, mas quando falo de vida também me refiro à vida das mulheres.

“Se uma leve camada de hipocrisia não cobrisse o apodrecido tronco da nossa moderna civilização, que horrendo espectáculo não se depararia à nossa vista!”.
Paolo Mantegazza

Vítor M. Silva/MS

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