ONU – tempo de avaliação

As Nações Unidas são uma organização composta por Estados independentes que se uniram para trabalhar essencialmente para a paz e o progresso económico e social. A ONU deveria ocupar um lugar central na política externa de todos os países, assim como ter um papel crucial no trabalho a fazer contra a corrupção.
A ONU tem de ser o principal mecanismo para a cooperação internacional em matéria de paz e segurança, bem como de cooperação para a democracia e para as liberdades e direitos humanos, mantendo a base fundamental de que todos os seus membros são livres e iguais. Estamos a assistir por parte de diversos países ao não cumprimento dos direitos humanos básicos, sendo estes gravemente violados. A ONU tem de se impor na garantia da segurança dos cidadãos contra o abuso de regimes não democráticos.
O mundo tem de voltar a confiar na ONU. Muito tem de mudar. Como pode, por exemplo, a Arábia Saudita ter membros que trabalham na Comissão das Mulheres da ONU? Sabemos que nenhum país está completamente imune à corrupção, mas devemos procurar exemplos dos que melhor trabalham nesta área e aplicar a outros, ajudando no trabalho de prevenção da corrupção, porque esta dificulta tanto a justiça como a democracia e prejudica seriamente a economia.
Vejo um risco óbvio na integridade da ONU no que concerne a nomeações políticas, o que mina a confiança nas instituições da ONU, isto porque se os seus órgãos forem liderados, ou os seus líderes forem nomeados, por Estados que claramente não cumprem os requisitos mais básicos de respeito pelos direitos humanos onde fica a credibilidade? Os custos desta instituição também me parecem questionáveis, falamos de mais de 30 biliões de US dólares, ao mesmo tempo as contribuições para a ONU ou estão a diminuir ou o atraso é denominador comum da parte de muitos países. Não pode uma organização desta grandeza estar constantemente com problemas financeiros.
A ONU tem como secretário-geral “o nosso“ António Guterres, um dos melhores. No entanto a sua elevada categoria não é suficiente, precisamos de uma organização a nível mundial diferente. Precisamos que os extremismos acabem de uma vez dando lugar a políticas que sejam capazes de dignificar e valorizar o ser humano dando-lhe capacidade económica para serem um agente de crescimento mundial, tendo sempre em conta nesta equação o meio ambiente. Não acho que devamos desistir, temos homens e mulheres no mundo capazes de governar respeitando culturas e credos, mas, indubitavelmente, a classe política tem de sofrer alterações significativas para que, pelo menos, a democracia possa chegar aos “quatro cantos” do mundo e o simples respeito pelos direitos humanos possa ser cumprido e seja visto como algo natural e não como uma visão quase inalcançável como por exemplo em muitos dos países do Médio Oriente.
Espero que depois de milhares de discursos, reuniões e receções, depois dos milhares gastos pelas comitivas de mais de 140 países participantes nesta Assembleia Geral da ONU, possamos começar a ver luz no fundo do túnel que todos desejamos seja luz de progresso, paz e prosperidade para o planeta Terra.
“O estado do nosso mundo é insustentável. Não podemos continuar assim” – António Guterres
Vitor M. Silva/MS







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