Vítor M. Silva

O Governo de Portugal considera os emigrantes cidadãos de segunda

Créditos: JN

Esta semana, “volto” ao tema dos incêndios em Portugal. Somos o país da União Europeia com maior percentagem de território de área ardida. 

Durante a maior parte do tempo, o primeiro-ministro esteve a gerir o seu próprio silêncio, entre uns refrigerantes, a areia, o mar, e uns brindes (ah e a festa do Verão do Pontal) a contrastar com outros momentos em que, com alarido, veio comentar ações da polícia, por exemplo, em conferências de imprensa em horário nobre na abertura dos telejornais. Bom, também não digo que o primeiro-ministro se fizesse filmar a apagar, com um punhado de terra, um minúsculo foco de incêndio como fez o seu aliado de governação. Mas, para além deste quadro horroroso que varre Portugal, horrorosa e até patética é a posição do governo no que diz respeito a nós emigrantes. As casas ardidas dos emigrantes não estão contempladas nos apoios anunciados. 

Os Emigrantes ficam de fora dos apoios à reconstrução de casas que, infelizmente, arderam nos incêndios que devastaram, e ainda devastam, Portugal de norte a sul. Continuamos nós emigrantes a ser considerados cidadãos de segunda, continuamos a não ter os mesmos direitos de quem mora em território nacional, mesmo pagando os impostos e enviando remessas financeiras que, em muito, ajudam a economia do país. Esta exclusão dos emigrantes não tem qualquer fundamento. Na reunião do Conselho de Ministros de 21 de agosto, o Governo aprovou medidas para rapidamente acudir a quem ficou com prejuízos devido aos incêndios. Esteve bem o Governo no geral, mas no particular excluiu os emigrantes destas medidas e isso é discriminação e continuação do esquecimento de quem é tão português como aqueles que residem dentro das fronteiras portuguesas. 

Para nos situarmos, estes apoios enquadram 45 medidas para fazer face aos efeitos dos fogos florestais. Nestas medidas temos o apoio à reconstrução de habitações de residência própria, com uma comparticipação de 250 mil euros e de 85% no valor remanescente, mas excluindo os emigrantes de aceder a esta. 

O Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afastou claramente a hipótese de estes apoios serem destinados a casas de emigrantes portugueses que residem no estrangeiro. Este primeiro-ministro e este Governo não merecem claramente a confiança dos emigrantes. Temos de dizer basta, a nossa voz tem de ser ouvida. Onde estão os quatro deputados eleitos pelo círculo da emigração?  Ainda não se ouviu, nem leu, uma palavra sobre esta triste medida que cava um fosso ainda mais fundo e afasta ainda mais Portugueses que tanto deram e dão a Portugal. Indignação é a melhor palavra para descrever o sentimento de quem está a ser constantemente discriminado. Não se podem só lembrar-se de nós na altura das eleições. Exigimos ser tratados com respeito.    

“O preço é alto. A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado.” – Ruth Manus

Vítor Silva/MS

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