Vítor M. Silva

Natal Transmontano

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Este domingo (18), o fim do Mundial de futebol no Qatar chega carregado de pesadelos. Depois de tantas sombras negras, na passada sexta-feira (9) rebentou uma bomba com o caso de corrupção relacionado com subornos do Qatar para influenciar as decisões do Parlamento Europeu relativas à realização do mundial de futebol naquele país.

Numa semana onde a espionagem da Bélgica descobriu forte corrupção e suborno de altos dignitários da União Europeia, fruto da invasão da casa de um dos suspeitos, começaram a saber-se vários detalhes desta grande operação conduzida pelos serviços secretos belgas. Foi realizada, ontem (15),uma reunião de emergência dos líderes da União Europeia, dada a urgência em encontrar respostas sobre os altos níveis de subornos pagos a membros do Parlamento Europeu. Já muito se escreveu sobre a participação da ex-vice-Presidente grega Eva Kaili, mas esta semana o próprio marido admitiu estar associado ao escândalo de suborno no Qatar, portanto, dúvidas que houvesse ficariam desfeitas. Interessante para o caso que Francesco Giorgi, o marido de Eva, confessou o seu envolvimento nesta rede, pasme-se, criada pelo serviço de inteligência marroquino e com ligações ao Governo do Qatar. Permitam-me que questione a performance da equipa marroquina no Mundial do Qatar, e estou no direito de pensar que perante estes factos não foi só por mérito desportivo. Bem, para já, o casal Eva e Giorgi está detido por suspeita de corrupção. Uma coisa é certa: este é o maior escândalo de corrupção da história do Parlamento Europeu e a credibilidade desta instituição está ferida de verdade. Não é nada agradável termos, numa instituição com a responsabilidade da União Europeia, membros investigados por corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e branqueamento de capitais. Só em 20 diferentes moradias em Bruxelas a polícia apreendeu, em notas, 1.5 milhões de euros. Alguns dos arguidos dizem que não sabiam desse dinheiro – como não saber destas quantias em notas na nossa própria casa? Em casa de Eva estavam 150.000 euros, na de George 600.000 e na do pai de Kaili 750.000, isto tudo em notas. Na minha opinião, o Parlamento depois da reunião de ontem (15) deve criar uma comissão de inquérito para investigar todo esse processo.

O eurodeputado Pedro Marques informou que o grupo parlamentar europeu do qual esta política grega fazia parte vai-se constituir assistente no processo judicial, porque eles próprios poderiam ter sido lesados. Atitude correta até para se demarcarem da antiga colega de bancada. Enquanto não chegam as decisões judiciais Eva Kaili foi expulsa do seu partido político, destituída de uma das 14 vice-presidências do Parlamento Europeu. Como se sabe os eurodeputados têm imunidade diplomática para poderem prestar o seu serviço político sem o constrangimento de serem constantemente investigados. Mas neste caso se o eurodeputado “for apanhado em caso de flagrante delito, e isso não pode impedir o Parlamento Europeu de exercer seu direito de revogar a imunidade de um dos seus membros”.

Vamos ver se tudo isto não é só o princípio de um grande problema, onde estamos só a ver o princípio. A União Europeia que politicamente já está tão frágil não precisava de mais este insólito dossier. Estaremos a viver o princípio do fim da União Europeia?

A 4 de maio de 2000 foi anunciado no Parlamento Europeu o lema da UE – In Variatate Concordia (Unida na Diversidade) eu faria uma alteração para – In Varietate Concordia et Fide (Unida na Diversidade E Credibilidade).

Vítor M. Silva/MS

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