Vítor M. Silva

Moção de censura: O adulto na sala foi o PS

A política portuguesa viveu dias de intensa agitação no parlamento. Como esperado, a moção de censura apresentada pelo Chega contra o Governo foi chumbada esta semana (8 de setembro). O resultado da votação não deixa margem para dúvidas: o Chega votou isolado a favor da sua própria iniciativa, enquanto o PS e a maioria da oposição votaram contra ou optaram pela abstenção. Com este ato, evitou-se que o país caísse numa nova e, na minha opinião, evitável crise política.

Para a nossa comunidade portuguesa na diáspora, que acompanha os acontecimentos do nosso querido país com o coração e o “bolso”, importa analisar o resultado e as consequências do que aconteceu com total clareza e sentido de Estado.

A mensagem central que fica desta semana é a da responsabilidade institucional. Num momento nacional e internacional profundamente complexo, Portugal não precisava de ser empurrado para o caos político ou para eleições legislativas antecipadas consecutivas. O PS colocou o interesse nacional em primeiro lugar. Como tem sido reforçado por José Luís Carneiro, não será pelo PS que haverá instabilidade em Portugal. O papel do partido foi o de agir como o adulto na sala, blindando as instituições contra o calculismo partidário e o oportunismo mediático.

A iniciativa do Chega não passou de “fogo de vista” e de um número de claro aparato parlamentar para conseguir tempo de antena, resultando num isolamento total na Assembleia da República. O que assistimos foi a uma triste banalização dos mecanismos democráticos. Esta foi a terceira moção de censura que este executivo enfrentou nos últimos 15 meses. O uso deste instrumento parlamentar, de “fazer por fazer”, serve apenas para desgastar e descredibilizar o processo democrático.

Contudo, é fundamental fazer uma distinção clara e evidente: rejeitar esta moção de censura não significa, de forma alguma, apoiar o Governo de Luís Montenegro. O PS continua e continuará a ser oposição. Chumbar uma moção serve para salvar o país de uma paralisia económica e social, e não para passar um “cheque em branco” à governação muito pobre deste executivo liderado por Luís Montenegro. Mantenho, assim, fortes críticas às políticas governamentais em setores importantes como a Saúde, a Habitação e a Educação. O local ideal para “auditar” o Governo e exigir alternativas credíveis será no debate do Orçamento do Estado, e não através deste tipo de melodramas parlamentares.

Valorizo, acima de tudo, a estabilidade, a previsibilidade e a segurança. Muitos de nós, emigrantes, possuímos investimentos, pensões, negócios ou planos concretos de regresso a Portugal. As comunidades portuguesas no estrangeiro precisam de ver um Portugal forte e fiável. Crises políticas constantes prejudicam severamente a imagem internacional do país e afastam o investimento económico. O PS, que historicamente estruturou as grandes políticas de apoio consular e de aproximação à diáspora, sabe que a estabilidade é fundamental para garantir que estes apoios e a modernização digital continuem a funcionar em pleno.

Ninguém quis proteger este Governo; o que se pretende é proteger a estabilidade de Portugal e a tranquilidade dos portugueses. Agora, deixemos o Governo governar e apresentar as soluções que o país exige.

Vitor Silva/MS

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