Vítor M. Silva

Manuel DaCosta – feito de carisma

Créditos: Francisco Pegado

No dia 30 de janeiro de 1970, com apenas 14 anos, emigrou para o Canadá, onde ainda reside. Trazia o sonho de menino (como diz a letra bem conhecida de Tony Carreira), mas já era um adulto porque a vida não o deixou viver a adolescência.

O elogio impõe uma grande responsabilidade a quem o faz, pois serve para despertar o interesse de quem o ouve no indivíduo visado. Muitas das vezes, o elogio deve servir de incentivo, não é o caso, embora me pareça que Manuel DaCosta ainda tem muito pela frente, não só na nossa comunidade como, tenho praticamente a certeza absoluta, num futuro próximo de Portugal. 

Falo de alguém que nem tem peneiras, nem pretensões, mas a sua ação envolve-nos, ilumina-nos e deixa-nos acreditar que podemos sempre fazer mais e melhor. Falo de um Homem bom. A bondade não é apenas necessária para aqueles que se encontram em circunstâncias difíceis, mas deve ser distribuída por cada pessoa que, por sua vez, terá o poder de praticar boas ações e de se tornar mais feliz a si e aos outros. Além disso, isto exige muito pouco (que pode ser muito): ser mais atencioso com as pessoas, sorrir para elas, tornar a sua vida mais fácil e agradável, ou seja, ser um marco na vida de cada um. Isso exige certas características, que aqui deixo, do agora homenageado no Portuguese Canadian Walk of Fame: Confiança, Criatividade, Tolerância, Foco, Disciplina, Determinação, Persistência, Resiliência, Maturidade, Respeito, Altruísmo, Organização, Responsabilidade, Lealdade, Carisma, Sabedoria e Generosidade.

Comparo-o ao nosso Infante D. Henrique, que ficou conhecido como o Navegador. Apelo a que sigamos o seu exemplo e que todos sejamos navegadores continuando os nossos descobrimentos, levando o exemplo de ser portugueses a todos os lados políticos, sociais e administrativos. Façamos, pois, todos juntos, por merecer a conotação e a reputação que Manuel DaCosta nos tem deixado (e continua) como legado. Temos o desafio de abraçar os nossos sonhos, sem estes não há ilusão. Ter fé, que é tão presente em cada português, será o desafio para ganharmos mais 70 anos como comunidade portuguesa no Canadá. A participação cívica, empresarial e filantrópica é conhecida por todos. Acima destas, a qualidade humana é incomparável e tenho muito orgulho em poder chamá-lo de amigo. Mas não é por ser meu amigo que não posso dar uma opinião. Tenho a certeza que a foto do Manuel DaCosta estar no Portuguese Canadian Walk of Fame só peca por tardia, e, já agora, leva uns anos de atraso. O Manuel DaCosta não sabia quantos dias iria ficar por cá, mas ainda bem que veio para ficar e marcou uma geração e ainda vai marcar muitas mais. O carisma que carrega só está ao alcance dos predestinados.

“Quando nasci não sabia por quantos dias iria ficar neste mundo… e volvidos todos estes anos continuo com a mesma pergunta.” – Manuel DaCosta

Vítor Silva/MS

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