Liberté, égalité, fraternité!

Já passaram alguns dias desde as eleições em França. No entanto, este tema ainda é atual, pois continuam a ser definidos e discutidos os resultados deste sufrágio.
De uma coisa ninguém tem dúvidas, a clara derrota da extrema-direita, do ultranacionalismo e conservadorismo de Marine Le Pen e de Jordan Bardella. Vive agora a França um impasse político após a vitória categórica da esquerda nas eleições. Parece-me que Jean-Luc Mélenchon não tem as qualidades, nem sequer a ideologia política realista, para governar. E este nome tem sido um dos atrasos na consolidação de um governo que resultou de uma vitória da esquerda chamada Nova Frente Popular.
Acharam os franceses, e eu alinho pelo mesmo diapasão, que os valores que esta nova frente propõe são os melhores. Valores progressistas de emancipação individual, de distribuição da riqueza, preservação ecológica e reconquista de direitos perdidos. Estas políticas sociais-democratas fazem sentido quando o mundo tem pela frente novos desafios colocados pelo aquecimento global, pelas novas tecnologias. e por uma situação geopolítica cada vez mais complicada e perigosa.
O grande desafio desta Nova Frente Popular tem a ver com o funcionamento democrático de uma união de diversas convicções políticas, mas é possível unir ecologistas, comunistas e socialistas escolhendo um primeiro-ministro que defenda o que já está descrito no programa de governo com que este movimento de esquerda se apresentou a eleições.
A extrema-direita não ascenderá ao poder, está ultrapassado, e agora é necessário que as importantes políticas da Nova Frente Popular sejam desenvolvidas e, para isso, a França precisa de um primeiro-ministro e de um governo fortes e coesos. Derrotado também fica Macron com o seu jovem (mal preparado) candidato Gabriel Attal a ficar em segundo lugar, mas a perder 82 lugares no Parlamento Francês (250 deputados em 2022 e agora 168). Fez bem em pedir a demissão, uma saída digna. Tenho dois nomes que seriam mais-valias enquanto primeiros-ministros franceses, a ecologista Marine Tondelier ou o socialista Olivier Faure.
Muitos falam em François Hollande, mas este mostrou indisponibilidade para o cargo. Se esta solução da Nova Frente Popular não resultar (espero que resulte) numa solução alternativa, não prioritária, seria o acordo com o partido de Macron (sem Melenchon envolvido) uma solução de centro-esquerda e com viabilidade governativa.
Uma nova esperança está na mente dos franceses, muita diplomacia e muitas reuniões bilaterais acontecerão nos próximos dias e nas próximas horas, mas o importante é que a democracia vença e valores como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, difundidas pela revolução francesa de 1789, sejam sempre uma realidade bem viva no seio dos gauleses e repercutida em todo o mundo.
“Será que somos muitos, os socialistas e os ecologistas, para nos dar o luxo de nos dilacerar e enfrentar de forma dispersa os donos de um poder insensível à nossa razão de viver?” – François Mitterrand
Vítor Silva/MS


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