Vítor M. Silva

Liberté, égalité, fraternité!

 

Young stylish woman with french flag enjoying great view on the Eiffel tower sitting back on the bridge in Paris

 

Já passaram alguns dias desde as eleições em França. No entanto, este tema ainda é atual, pois continuam a ser definidos e discutidos os resultados deste sufrágio.

De uma coisa ninguém tem dúvidas, a clara derrota da extrema-direita, do ultranacionalismo e conservadorismo de Marine Le Pen e de Jordan Bardella. Vive agora a França um impasse político após a vitória categórica da esquerda nas eleições. Parece-me que Jean-Luc Mélenchon não tem as qualidades, nem sequer a ideologia política realista, para governar. E este nome tem sido um dos atrasos na consolidação de um governo que resultou de uma vitória da esquerda chamada Nova Frente Popular.

Acharam os franceses, e eu alinho pelo mesmo diapasão, que os valores que esta nova frente propõe são os melhores. Valores progressistas de emancipação individual, de distribuição da riqueza, preservação ecológica e reconquista de direitos perdidos. Estas políticas sociais-democratas fazem sentido quando o mundo tem pela frente novos desafios colocados pelo aquecimento global, pelas novas tecnologias. e por uma situação geopolítica cada vez mais complicada e perigosa.

O grande desafio desta Nova Frente Popular tem a ver com o funcionamento democrático de uma união de diversas convicções políticas, mas é possível unir ecologistas, comunistas e socialistas escolhendo um primeiro-ministro que defenda o que já está descrito no programa de governo com que este movimento de esquerda se apresentou a eleições.

A extrema-direita não ascenderá ao poder, está ultrapassado, e agora é necessário que as importantes políticas da Nova Frente Popular sejam desenvolvidas e, para isso, a França precisa de um primeiro-ministro e de um governo fortes e coesos. Derrotado também fica Macron com o seu jovem (mal preparado) candidato Gabriel Attal a ficar em segundo lugar, mas a perder 82 lugares no Parlamento Francês (250 deputados em 2022 e agora 168). Fez bem em pedir a demissão, uma saída digna. Tenho dois nomes que seriam mais-valias enquanto primeiros-ministros franceses, a ecologista Marine Tondelier ou o socialista Olivier Faure.

Muitos falam em François Hollande, mas este mostrou indisponibilidade para o cargo. Se esta solução da Nova Frente Popular não resultar (espero que resulte) numa solução alternativa, não prioritária, seria o acordo com o partido de Macron (sem Melenchon envolvido) uma solução de centro-esquerda e com viabilidade governativa.
Uma nova esperança está na mente dos franceses, muita diplomacia e muitas reuniões bilaterais acontecerão nos próximos dias e nas próximas horas, mas o importante é que a democracia vença e valores como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, difundidas pela revolução francesa de 1789, sejam sempre uma realidade bem viva no seio dos gauleses e repercutida em todo o mundo.

“Será que somos muitos, os socialistas e os ecologistas, para nos dar o luxo de nos dilacerar e enfrentar de forma dispersa os donos de um poder insensível à nossa razão de viver?” – François Mitterrand

Vítor Silva/MS

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