OpiniãoAugusto Bandeira

Ou oito ou oitenta

Comunicação Social - serviço público ou conveniência?

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Muitas vezes perco por ser direto, mas, no fundo, sinto-me bem comigo próprio, porque dizer o que se sente e dizer as verdades é uma virtude. Nem todo o cidadão tem coragem de se expressar de forma direta. Sabem porquê? Porque, muitas vezes, as coisas são ditas apenas para agradar a outros, para entreter ou simplesmente para passar o tempo.

Na vida já vi de tudo. Mas houve algo que recentemente me deixou verdadeiramente perplexo. Refiro-me a membros da comunicação social, só agora é que me foi transmitido o que aconteceu, que foram a um evento em trabalho, supostamente para fazer a cobertura do mesmo, ou seja, recolher informação e produzir uma notícia sobre algo que tem interesse para a sociedade e que pode enriquecer o nosso meio associativo em termos culturais. No entanto, a primeira preocupação não foi procurar informação, falar com pessoas ou perceber o que estava a acontecer. A primeira pergunta foi saber se tinham mesa para comer.

Confesso que já lidei com muitos meios de comunicação e com muitos profissionais da área. Por países da Europa, por todo o Portugal continental. Mas ver alguém preocupar-se primeiro com a mesa antes de se preocupar com o trabalho foi algo que me surpreendeu. Isto daria quase uma novela. Por isso eu tenho reparado a falta da procura da notícia sobre algo, foi assim que se chegou à conversa e se falou no assunto.

Este tipo de atitude acaba por refletir, infelizmente, alguns dos problemas da sociedade atual. Existem apoios e incentivos para a comunicação social, precisamente para que o seu trabalho sirva o interesse público e ajude a divulgar iniciativas culturais e comunitárias. Quando esse objetivo se perde, quem sai prejudicada é a própria credibilidade da profissão.

E alguns poderão perguntar, o que tem isto a ver com todos nós? Tem tudo. Porque quando existem apoios públicos destinados à informação e à divulgação cultural, espera-se que esses recursos sejam utilizados com responsabilidade e profissionalismo.

No Canadá, por exemplo, existem programas como o Canada Periodical Fund, do Government of Canada, que apoiam meios de comunicação social com a condição de servirem o interesse público. Ou seja, os apoios existem para produzir informação e fortalecer a comunicação com a comunidade, não para benefício pessoal.

Nem sempre atitudes como estas são ilegais, mas podem ser antiéticas, contrárias à deontologia profissional e prejudiciais à credibilidade da comunicação social. Não nos podemos esquecer de que o jornalismo vive muito da confiança pública. Quando essa confiança é quebrada, quem perde é toda a profissão.

Para muitos, isto poderá parecer apenas conversa de esquina. Mas a verdade é que pequenas atitudes dizem muito sobre o caminho que estamos a seguir. Se cada um tivesse mais coragem para dizer o que realmente pensa e para exigir qualidade, muitas coisas poderiam melhorar.

Infelizmente, muitas vezes valoriza-se mais a quantidade do que a qualidade. E isso acaba por se refletir em várias áreas da nossa vida coletiva.

A comunicação social tem um papel fundamental na promoção das iniciativas da comunidade e na divulgação da nossa cultura. Por isso mesmo, é importante que continue a desempenhar esse papel com responsabilidade, profissionalismo e sentido de missão.

Que todos os meios de comunicação continuem o seu trabalho, mas sempre com qualidade, respeito pelo público e dedicação ao verdadeiro propósito do jornalismo. informar.

Porque, no final de contas, não é a quantidade que faz a diferença, é a qualidade.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira

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O Facebook/Instagram bloqueou os orgão de comunicação social no Canadá.

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