OpiniãoAugusto Bandeira

Mas afinal onde se fica?

Governo e sindicatos em desacordo sobre adesão

Photo: @copyright

Meu caro leitor, ainda sobre a greve geral, ouviu-se tanta coisa que acabou por confundir ainda mais as pessoas. O Governo e a Confederação Empresarial de Portugal (CIP) vieram a público dizer que a adesão à greve teve uma estimativa entre 0% e 10% e afirmam que a economia real continuou a funcionar. Por outro lado, os sindicatos apontam para uma adesão superior a 80%; por exemplo, a CGTP afirma que mais de três milhões de trabalhadores aderiram. Para quem teve a hipótese de ver nos vários canais de televisão, a adesão não foi assim tão expressiva. A razão para isso? A UGT já está a pensar numa nova ameaça de paralisação. Isto é mesmo de loucos, ou de aflitos, como eu tantas vezes digo, “os deuses devem estar loucos”.

O mesmo se viu na esquerda, estavam furiosos porque as coisas não correram como queriam. Sejamos realistas, quando nos dizem que é “a luta pelos direitos”, que direitos? Algumas pessoas nem sabem o que são direitos nem, tão pouco, deveres. Por estas e outras é que os extremismos crescem, a maioria é apenas para a fotografia. Como dizia um comentador desportivo há anos, alguns políticos erguem a cabeça para serem vistos, apoiando movimentos que só destroem. E pergunto, apontem uma, só uma ação positiva destes que realmente promove direitos.

Meus caros amigos, os direitos existem para proteger a dignidade, a segurança e a justiça no trabalho: salário justo e atempado, condições de trabalho seguras, descanso, férias e folgas, proteção na doença, maternidade e desemprego, liberdade sindical e greve (constitucional), respeito e não discriminação. Não são favores; são conquistas de uma sociedade moderna.

Mas para quem só pensa em direitos, aqui ficam os deveres, que muitas vezes se esquecem, cumprir horários, executar o trabalho com zelo e profissionalismo, respeitar colegas, chefias e clientes, contribuir para a produtividade, defender os interesses da entidade patronal dentro da legalidade, e não causar prejuízos deliberados. Direitos sem deveres transformam-se em privilégios. E é exatamente aqui que muitos sindicatos falham, geridos por pessoas que nunca trabalharam, transformam o cargo numa empresa pessoal, esquecendo o equilíbrio necessário.

Sem dúvida, a greve é um direito constitucional, isso não está em causa. O problema surge quando a greve deixa de ser o último recurso e passa a ser instrumento político, para pressionar governos eleitos democraticamente ou vingar derrotas eleitorais. Quando um partido perde nas urnas e tenta ganhar na rua aquilo que o povo não lhe deu no voto, já não estamos a falar de direitos laborais, mas de militância disfarçada de reivindicação.

Acordem para a vida. Eu não sou contra os sindicatos, concordo que são necessários quando defendem trabalhadores. O problema é quando se tornam problemáticos, vivem em conflito permanente, recusam falar de produtividade, ignoram a realidade económica e protegem sempre os mesmos, independentemente do mérito. Isto sim é muito mau. Será que é isto que os patrões apoiam? Um sindicato que só sabe exigir e nunca fala em produzir mais, melhorar serviços ou modernizar o país deixa de ser parceiro social e passa a ser obstáculo ao progresso. Mais uma vez, meus amigos, olhando com experiência, gosto de ver a economia crescer e tudo equilibrado. Prejuízos não, porque há quebras de produção, perda de contratos, danos na imagem, custos operacionais elevados e falta de previsibilidade. Mas há também prejuízos para o cidadão, serviços essenciais parados, transportes bloqueados, escolas fechadas, economia travada. Muitos que vivem no meio destas situações fazem-no para se mostrarem como heróis; na realidade, quem sofre mais é o cidadão comum e o pequeno empresário.

Para terminar, e desculpem o desabafo, é curioso como alguns defendem direitos com grande entusiasmo, mas ficam silenciosos quando se fala de deveres, produtividade ou responsabilidade. Exigir é sempre mais fácil do que construir. Acreditem, um país não cresce à base de greves sucessivas, mas de trabalho sério, diálogo responsável e respeito por quem cria emprego.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira

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