Luís Barreira

Portugueses e o mundo num otimismo moderado!

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Portugal, apesar das consequências bem sentidas por uma parte substancial da população portuguesa com a guerra declarada pela Rússia à Ucrânia, está a ter um bom desempenho económico que conduziu o primeiro-ministro a afirmar que, no ano de 2023, o aumento do PIB vai possibilitar um confortável aumento das pensões e dos salários em geral.

No entanto, os portugueses, cuja praxis os habituou a duvidar das promessas para o futuro e a acreditar no “ver para crer”, preferem olhar para as dificuldades do presente, enquanto certezas que podem colocar em causa o seu futuro.

A já elevada taxa de inflação, que os experts definiam como um fenómeno passageiro, mas que não pára de aumentar, com repercussões na maioria dos produtos do cabaz essencial, nas rendas de casa e prestações bancárias e na montanha-russa do preço dos combustíveis (que sobe sempre mais do que desce…), tem levado as camadas mais pobres da nossa população a um maior empobrecimento, que as estatísticas conhecidas ainda não refletem, mas que é bem reconhecido no aumento da população que recorre às associações humanitárias. Inflação que come o pouco remanescente (quando há…) do salário mínimo, o nível salarial mais aplicado no país e que: desmotiva os casais mais jovens a construir uma família, pela insegurança económica em que vivem; que conduz a um aumento exponencial do “trabalho a negro”, hipotecando o seu futuro e que propicia a alguns viverem oficialmente alguns meses do subsídio de desemprego, recusando ofertas de emprego de baixos salários.

Com a guerra provocada pela Rússia a inflacionar os preços dos combustíveis para a Europa, enquanto esta mesma Rússia se tornou o principal exportador de petróleo para a China (com descontos que chegam aos 30%…) e a previsão de uma longa duração deste conflito, evidenciando sintomas de agudização, o otimismo dos nossos governantes, em relação à recuperação do poder de compra dos portugueses, choca frontalmente com as imagens de uma realidade que está a alterar toda a geopolítica do globo, começando pelo fim da globalização e, face às limitações impostas ao consumo de gás e a sua substituição pelo “velho” carvão, acabará por atrasar (ou extinguir…) as metas estabelecidas para descarbonização das nossas indústrias europeias ávidas de eletricidade.

Por outro lado, e como resultado da baixa natalidade que se verifica em Portugal há vários anos, no país vive-se uma situação crónica de falta de mão de obra, que se verifica em vários setores, desde a construção à indústria, passando pelo comércio e o turismo, embora a grande maioria das empresas não se disponha a aumentar a oferta salarial, porque a rentabilidade dos seus negócios é fraca ou porque não quer baixar os seus lucros.
Devido à escassez de trabalhadores disponíveis, provocada por diversos fatores, Portugal precisa de imigrantes que, naturalmente, se disponham a trabalhar nas condições que lhes são oferecidas.

Uma fundação de referência em Portugal (Fundação Francisco Manuel dos Santos) que, com base em índices estatísticos oficiais, elabora análises socioeconómicas, produziu um estudo sobre a nossa necessidade de imigrantes, concluindo que o país precisa de 89 mil a 103 mil entradas de imigrantes todos os anos, para termos alguma possibilidade de crescer economicamente. O ano em que tivemos mais imigrantes (2019), obtivemos 72.700, o que é manifestamente inferior às necessidades da nossa economia.

Claro que, a chegada de mais imigrantes a Portugal, desencadeia um coro de protestos por parte de setores politicamente mais populistas, dispostos a desencadear manifestações nacionalistas e que, embora reconhecendo as verdades estatísticas, se aproveitam do desconhecimento de uma boa parte da população para arrecadar votos. Bem seria que esses seus protestos fossem contra o trabalho escravo desses imigrantes, promovido por alguns patrões sem escrúpulos, que aproveitam essa mão de obra dócil para aumentarem os seus rendimentos, como acontece frequentemente com as campanhas de colheita de frutos em Portugal.

Mas se a mão de obra escasseia em muitos setores, não é verdade que ela seja apenas causada por falta de gente disponível para trabalhar. O caso das dificuldades em médicos e enfermeiros do nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS), que continua atualmente a fechar alguns serviços de urgência em vários hospitais do país, deve-se a duas causas essenciais: desorganização estrutural deste SNS e desadequada política salarial destes profissionais face à concorrência e às excecionalidades provocadas pelo próprio SNS (tarefeiros que ganham muito mais do que os profissionais dos quadros hospitalares).

Tal circunstância levou António Costa a mandar interromper as férias da nossa ministra da Saúde, para que ela viesse esclarecer a situação e apresentar soluções para os problemas, através de uma conferência de imprensa televisionada. De facto, a ministra falou, mas… não disse nada! Remeteu a situação para a criação de “mais” uma comissão para estudar o assunto, como se nos vários anos que a Senhora ministra desempenha este cargo e pela repetição destes mesmos problemas, ainda não tivesse chegado a algumas conclusões óbvias!…

Quem não esteve com meias medidas foi o ministro da Administração Interna, sobre o caso acontecido na passada semana, das longas horas de espera no aeroporto de Lisboa dos milhares de visitantes oriundos do espaço internacional. Afinal havia trabalhadores do SEF e agentes da PSP previstos para estes momentos de grande aglomeração de passageiros neste aeroporto, mas as chefias não cumpriram os protocolos estabelecidos. A resposta do ministro não deixou dúvidas: se isto se repetir implicará a substituição dos responsáveis!
Os tempos são duros e exigem medidas duras que aliviem a dureza dos tempos!

Luis Barreira/MS

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