Luís Barreira

Notas sobre a guerra!…

 

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Com a ilegal invasão de um país soberano como a Ucrânia, a completa destruição de algumas das suas cidades, vilas e lugarejos e a morte e a tortura de milhares dos seus cidadãos, a Rússia de Putin continua a querer-nos fazer crer que respeita todos os tratados internacionais, ameaçando-nos com uma guerra nuclear sempre que nos tentamos defender da loucura imperialista do atual regime russo. O agressor faz-se passar por vítima!…

Vem isto a propósito do Governo finlandês (e, a seguir, o sueco…), que até aqui se mantinha neutral desde o fim da Segunda Guerra, ter tomado a atitude de aderir à NATO, receando que a Rússia, tal como fez agora com a Ucrânia, decida invadir o seu território. Em alvoroço imediato, toda a clique governamental russa se levantou, ameaçando retaliar a Finlândia, com recurso ao nuclear, se este país aderir à Aliança Atlântica e rasgar os tratados de neutralidade que antes assumia.

Curiosamente e à última hora (quando inicialmente o seu MNE não colocou problemas com esta adesão), o Presidente da Turquia, Erdogan, veio a público afirmar não apoiar a integração da Finlândia e da Suécia na NATO, porque esses dois países têm “muitas organizações terroristas” (referindo-se aos curdos do PKK)! Sendo a Turquia um membro importante desta Aliança, com fortes pretensões à liderança da sua região geoestratégica e a integração de novos membros nesta organização estar sujeita à aprovação por unanimidade entre todos os seus membros, esta nova situação vai obrigar a encontrar uma contrapartida à Turquia, para que ela aprove a entrada destes novos membros. No entanto e no pior dos casos, se tal negociação não for possível, será inevitável que alguns países (incluindo países da NATO…) concretizem acordos particulares de segurança com a Finlândia e a Suécia.

Num caso ou noutro, as ameaças russas de retaliar com armas nucleares continuam a fazer parte da “ementa” de Putin.

Esta atitude retórica deste déspota, justificando a sua aventura na Ucrânia com base em pretextos inverosímeis tais como: “o dever moral da mãe russa” em combater o nazismo ucraniano; defender os cidadãos russo-falantes nesse território; salvaguardar a sua segurança nacional ou evocando o “direito histórico” da pertença de todos os antigos territórios da União Soviética, tem vindo a intensificar a anexação dos territórios dos países vizinhos sem respeitar a sua soberania, como foi o caso da Geórgia em 2008 e, sempre que alguém coloca em causa os seus argumentos e justificações para a guerra, a ameaça nuclear russa é brandida, como meio de dissuasão daqueles que ousem opor-se aos objetivos deste ditador.

Claramente que a narrativa que tem justificado os sangrentos objetivos do regime russo tem apenas um alvo, a sua própria população, uma vez que, para o mundo ocidental, este tipo de argumentos não passam de mentiras esfarrapadas. Mas a ameaça russa de utilizar o seu arsenal nuclear para conseguir continuar com os seus propósitos, provoca medo nas populações vítimas destas ameaças e coloca os governos dos países ocidentais numa atitude defensiva e cautelosa sobre a possibilidade deste “louco” poder desencadear tamanho suicídio coletivo.

Assim, as democracias ocidentais vão avaliando os seus comportamentos, entre a ajuda económica e militar à sacrificada Ucrânia, enquanto se preparam para a eventualidade de uma escalada militar com a Rússia. Por outro lado, os esforços diplomáticos de apaziguamento do conflito, tentando um acordo de paz em que ninguém parece acreditar, têm sido infrutíferos, não só porque o belicismo de Putin vai mais longe do que a eventual derrota ucraniana, mas porque este beligerante já demonstrou não respeitar os acordos internacionais, quando permanecem ainda vivas as memórias da Segunda Grande Guerra e das invasões cometidas por Hitler, através dos tratados de paz que celebrou com vários países (e com a própria Rússia…) e que nunca respeitou.
Nestas circunstâncias, qual será a atitude mais razoável a tomar face à ameaça imperialista de Putin? Ceder à chantagem do nuclear russo, abandonando os países à sua sorte?

Não sou um estratega militar para avaliar quem vence no caso de um conflito nuclear, acho no entanto que perderíamos todos! Putin sabe disso e os agora seus apoiantes também!

Também não sou maniqueísta ao ponto de considerar ser impossível chegar a um acordo entre os países ocidentais e o sempre sacrificado povo russo, embora me pareça que será extremamente difícil que tal aconteça sob a égide de Putin.

Devemos responsabilizar a Finlândia (e porventura a Suécia) por manifestarem a sua intenção de aderirem à NATO, aumentando os riscos de uma escalada militar? Ou podemos antes pensar que a posição atual destes dois Estados do Báltico permitirá refrear o “apetite conquistador” do Kremlin (cujo território já dispõe do maior país do planeta), criando uma rede de países da aliança defensiva NATO, em torno das fronteiras da Rússia com a Europa e o Ártico?

Embora a situação seja demasiado complexa (sem esquecer a posição dúbia da China e da Índia, além da paranoia ameaçadora da Coreia do Norte) e o facto de as nossas democracias ocidentais serem frágeis a qualquer ameaça do bem-estar das suas populações, considerando ainda que os países europeus desprezaram a importância de dotarem a Europa de mecanismos defensivos próprios, nas atuais circunstâncias não teremos outra possibilidade de assegurarmos a defesa das nossas sociedades sem reforçarmos o papel da NATO, seguindo o princípio dos três mosqueteiros “Um por todos e todos por um”!

Luis Barreira/MS

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