Luís Barreira

Contador de histórias!…

Porque está um sol radioso e uma temperatura convidativa à meditação, hoje não vou escrever sobre a atualidade portuguesa, agora e no seu geral, em pleno desconfinamento e a sugerir uns mergulhos nas nossas belas praias, até porque, além dos arrufos entre algumas forças partidárias, que nada alteram a geografia política do país, estamos todos em modo de espera pelos milhares de milhões que a União Europeia decidiu, com regras, conceder a Portugal para, de uma vez por todas, colocar a economia e a sociedade portuguesa nos carris do seu desenvolvimento.

Por isso, hoje, vou contar-vos uma história simples sobre um pássaro e, nesse contexto, as suas eventuais leituras com histórias de outros “passarões”!…  Estava eu, após o jantar, descansadamente a beber o meu café na varanda de minha casa, quando reparei num pequeno pássaro negro, mais delgado que um pardal, que esvoaçava perto de mim, como que a tentar encontrar um local para passar a noite.

Contador  de histórias-portugal-mileniostadium
Crédito: DR.

A princípio fiquei admirado com o seu à-vontade em estar tão perto de mim que quase me apetecia tocar-lhe. Mas não o fiz com receio de o afastar e deixei-me ficar na observação dos seus irrequietos voos, enquanto escutava o seu pio característico em “si maior”! Para minha grande surpresa, o passarinho – que mais tarde vim a saber pertencer à espécie das “toutinegras” -, instalou-se num beiral da casa, mesmo por cima da minha cabeça e olhava para mim curioso.

Fiquei radiante, lembrei-me das histórias infantis com pássaros a encarnar a alma de outros seres já desaparecidos, mas não cheguei ao extremo das conceções metafóricas, decidindo deixar o passarito no ninho a repousar… e eu fiz o mesmo.

No outro dia de manhã corri à varanda para visitar o meu inesperado amigo e dei com um triste cenário. Pelas paredes da casa escorria uma enorme borrada negra que só consegui limpar à “mangueirada”, com detergente e escova. E o pássaro? Esse tinha ido à sua vida!… Concluí que a “toutinegra” tinha feito de mim um tonto e, em sinal de retribuição, acabei por lhe “desfazer a cama”, com receio que ele voltasse a “pintar-me a parede”! Conclusão: por causa da caca perdi um amigo!

A pensar no assunto, transportei-me para outros voos, desta vez com “passarões” que, mesmo sem asas, fizeram monumentais borradas que desfizeram a amizade que lhes tinha concedido ou o apreço e a consideração com que os tratava. Sei que isto acontece regularmente nas várias áreas da sociedade a toda a gente e, na política, é por demais evidente.

Como não quero pessoalizar estas histórias, a não ser a do inocente passarinho, veio-me à recordação um episódio que ainda hoje está na ordem do dia, ou seja, a falência do Banco Espírito Santo. Quando começaram a circular uns “zunzuns” sobre o eminente descalabro do BES, o na altura Presidente da Republica, Cavaco Silva, apressou-se a declarar publicamente que aquele banco era um banco seguro!… Quando recentemente instado a justificar o porquê dessa declaração que levou muita gente a “descansar” sobre os seus depósitos no banco e outros a investir nele, com base nas “excelentes condições” que o banco estava a oferecer, limitou-se a dizer, justificando a sua anterior posição, que toda a gente sabia que ele não tinha funções executivas!?… Este é um exemplo de uma forte borrada que o seu autor não quis limpar e encomendou a “mangueirada” para outros, para não se molhar!

Quem recentemente fez um rasgado elogio a Cavaco Silva, considerando-o um excelente político, foi Durão Barroso, antigo primeiro-ministro (2002/2004) que, abruptamente (ou talvez não…) abandonou o Governo de Portugal, para assumir o lugar de presidente da Comissão Europeia, dando lugar em Portugal ao rápido, mas desastroso, Governo de Santana Lopes (2004/2005). 

Não sei porque é que Durão Barroso anda agora tão interventivo na política portuguesa: será que se quer fazer perdoar das acusações de que foi alvo ao abandonar o Governo do país para ir ganhar mais uns “cobres” na UE? Ou era o patamar necessário para atingir o lugar na Goldman Sachs? Este ambicioso “passarão”, que ainda não pediu desculpas públicas por ter apoiado a invasão do Iraque, contra os tanques e mísseis de “papel” de Saddam, num conflito que ainda hoje perdura e que os responsáveis querem largar a todo o custo, estará a preparar-se para voltar ao “ninho” ou a querer gerir os muitos milhões de euros que vão ser distribuídos pelos países da União, através do lóbi que lhe proporciona ser diretor da Goldman Sachs? Seja qual for o “voo” previsto deste rapaz, espero que alguém não se esqueça de o mandar limpar a borrada que tem feito ao longo do seu percurso político, para não ser corrido à “mangueirada”. 

Gostaria ainda de vos falar de outros “passarões” da política portuguesa para quem esta atividade tem sido o poleiro para voos mais altos e de outros que por lá passaram, fazendo-se distraídos e sobranceiros para quem lhes arranjou o ninho, arriscam ficar na gaiola!…

Desta vez já não dá, mas voltarei aos contos se me sentir inspirado!

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