Luís Barreira

Como será depois?

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DR.

Embora estejamos ainda longe do fim desta pandemia que a todos tem afetado, com a descoberta de várias vacinas anti-Covid-19 e à medida que avançam os planos de vacinação coletiva das populações, começam a surgir as naturais interrogações sobre qual será a reação das sociedades quando ela, a pandemia, for completamente debelada. Isto considerando que o tempo em que ela esteve ativa e as medidas socialmente restritivas que, entretanto, foram tomadas, tenham provocado alterações duradoras no comportamento das respetivas sociedades.

Será que vamos entrar numa euforia do regresso ao passado, tentando recuperar o “tempo perdido”? Será que esta dolorosa experiência nos permitiu encarar o futuro de forma cautelosa, prevendo as sociedades em geral e o comportamento humano em particular, de novas formas de pensar o mundo?

Que alterações poderão acontecer nas nossas sociedades, acabadas então de sair dos escombros provocados por esta crise sanitária?

Alguém disse que: “O mundo depois da pandemia não é o mesmo, e nós também não.”! Será assim?

Muitas perguntas sem certezas imediatas e de respostas inequívocas, mas que começam a interrogar as elites políticas e económicas, para além do interesse dos investigadores sociais e da preocupação das grandes massas de trabalhadores.

Sem esquecer a restante globalidade de efeitos provocados por esta pandemia e o diferente modus vivendi das várias sociedades atingidas, nesta breve síntese de ideias que aqui deixo, tentarei cingir-me apenas a algumas consequências humanas e materiais que esta crise sanitária tem provocado na sociedade portuguesa, num contexto social e económico em que sobrevivem várias gerações, que pensam e agem de forma diferenciada e que, por essa razão, tiveram consequências significativas diversas no seu comportamento, durante a crise.

Os constantes confinamentos, restrições e o medo associado às infeções provocadas pelo vírus, conduziram, de forma geral, ao isolamento social das famílias e a uma grande insuficiência na demonstração dos afetos e das empatias sociais que, associadas ao sedentarismo provocado pelo trabalho remoto e à dependência das tecnologias virtuais, que já antes da pandemia se vinham verificando, acabará por prolongar angústias e ansiedades nas gerações mais velhas, receosas de futuras situações semelhantes, alterando o seu anterior comportamento para uma prática mais isolacionista. Nas mesmas circunstâncias, complementadas pelo ensino à distância, as compras on-line, as redes sociais e com toda a panóplia de jogos virtuais, as gerações mais jovens terão tendência a desenvolver uma formação mais individualista e inadaptada ao trabalho essencialmente coletivo.

Outros aspetos não menos importantes são aqueles que se prendem com a futura sustentabilidade económica das sociedades, profundamente abaladas por esta crise.

A crescente utilização das novas tecnologias no desenvolvimento económico das sociedades, embora por vezes redutora da formação intelectual dos seus utilizadores, foi bastante impulsionada durante a presente crise, atingindo uma grande parte dos setores económicos e tornando-se um fator persistente no futuro da nossa sociedade.

Tendo como pressuposto que esta crise acentuou as desigualdades sociais no mundo inteiro (FMI) e particularmente no nosso país, que futuro aguardam os muitos milhares de trabalhadores portugueses empregados em áreas chave da nossa economia, se continuar a produzir-se um acentuado aumento das técnicas virtuais em setores como o comércio de retalho e o turismo, face a esta onda de comércio automatizado, ou a utilização crescente da robótica em empresas de mão de obra intensiva, sem que se configure uma real adaptação técnica dos trabalhadores às inevitáveis inovações do mercado de trabalho?

Não sou adepto das ideias anarquistas do princípio do século passado, que se propunham destruir as máquinas que lhes “roubavam” empregos. Mas a rápida inovação tecnológica que se verifica atualmente exige dos poderes constituídos previsões e decisões atempadas que, sem colocar em causa o progresso destas novas ferramentas digitais, crie condições para que o essencial desenvolvimento humano as possa manobrar.

Um outro elemento importante a destacar, enquanto consequência desta crise sanitária e que me parece ter sido assimilado para o futuro, foi a preocupação com a saúde e a criação e manutenção de todas as suas estruturas essenciais aos serviços a prestar a toda uma população já muito envelhecida. Algum investimento já realizado e a realizar, que não dispensa uma atenção muito especial às remunerações e quantidade dos seus profissionais.

Uma vez que falei de bem-estar saudável, parece prometedor que, na procura dos bons ares naturais e em virtude do emprego em trabalho remoto (que falta regulamentar…), uma parte da população procura instalar-se em zonas do país afastadas dos centros urbanos, disfrutando de melhor qualidade de vida e benefícios de custos. Se esta tendência prevalecer no futuro, teremos encontrado uma meia solução para ir reabilitando socialmente o nosso interior!

Por último e porque, por falta de espaço, não posso prolongar as minhas “imprecisas” considerações, há um fator igualmente importante e inerente à situação que nos tem atingido. Trata-se de uma cada vez maior credibilidade que a ciência, nos seus vários domínios atingiu, nomeadamente na área da saúde, onde se manifestou o interesse que o trabalho científico realizou e proporcionou uma melhor visão da empregabilidade dos nossos investigadores e a criação de indústrias anexas, resultado da capacidade desses homens e mulheres, antes apenas reconhecidos e premiados no estrangeiro.

Independentemente do que vier a ser este nosso país, que os nossos decisores políticos e económicos não esqueçam as suas responsabilidades sociais, para que o futuro valha a pena!

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