Só não erra quem não faz nada

Os erros de quem muda nunca serão maiores do que os de quem passou anos sem mudar coisa nenhuma.
Meus caros leitores, ouvi tanta coisa e tantos disparates sobre o Ministro da Educação que chegou a um ponto em que fiquei completamente confuso. E com razão. Parecia que toda a ação política da oposição estava concentrada numa única pessoa, Fernando Alexandre.
Muitos portugueses talvez nem conheçam bem quem é este ministro. Já lhe chamaram “superministro”, numa tentativa de o desvalorizar ou caricaturar. Mas os antigos diziam que, quando alguém é competente e tem coragem para mudar as coisas, acaba sempre por incomodar muita gente. E a prova está à vista.
Eu digo isto porque sou a favor do crescimento, de mudanças qualitativas e apoio quem olha em frente e para o bem de todos e não de meia dúzia. Mas neste caso, caíram-lhe em cima políticos de todos os quadrantes. Alguns estreantes, outros que se apresentam hoje como grandes especialistas, mas que, quando tiveram responsabilidades governativas, pouco ou nada fizeram para resolver os problemas da Educação.
Fernando Alexandre não é um estreante na vida política nem na administração pública. Foi Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna no Governo de Pedro Passos Coelho e possui uma carreira académica reconhecida. É um homem experiente, ponderado e, na minha opinião, um dos melhores ministros deste Governo e dos mais competentes que passaram pela pasta da Educação.
É verdade que a reforma dos exames nacionais não correu como estava previsto. O próprio ministro assumiu as falhas, deu explicações e procurou corrigi-las. Mas há uma diferença importante, quem trabalha, decide e faz reformas pode cometer erros. Quem nada faz, dificilmente erra… mas também dificilmente melhora o país.
Este Governo assumiu o compromisso de fazer diferente. Antes de construir, teve de corrigir muitos problemas herdados do passado. E, até ao momento, ainda não vimos decisões tomadas através de mensagens de WhatsApp, como aconteceu noutras ocasiões da nossa vida política. Isso, por si só, já faz alguma diferença.
Curiosamente, muitos dos que exigiam a demissão do ministro esqueceram-se rapidamente de problemas bem mais graves, como a falta de água em Almada, uma situação que afetou milhares de pessoas e que diz respeito a um bem essencial à vida. Sobre isso, o silêncio foi bem mais evidente.
Enquanto recebia críticas diárias, Fernando Alexandre continuava a trabalhar. E essa é, talvez, a maior resposta que podia dar. Há quem prefira apresentar soluções e há quem viva apenas da crítica permanente. Infelizmente, alguns políticos parecem mais preocupados em destruir do que em construir.
Para quem apenas acompanha as manchetes mais negativas, importa recordar alguns factos. Este ministro avançou com a recuperação da carreira dos professores, promoveu aumentos salariais, reforçou a contratação de milhares de docentes e teve a coragem de iniciar a digitalização da correção dos exames nacionais. São mudanças profundas, naturalmente sujeitas a dificuldades iniciais, mas que poderão trazer benefícios no futuro.
Também ficou evidente que Portugal ainda tem alguma dificuldade em lidar com reformas estruturais. Sempre que surge uma mudança, aparece o receio, a desconfiança e, muitas vezes, a tentativa de a travar antes mesmo de se conhecerem os seus resultados.
Espero que Luís Montenegro e toda a equipa governativa mantenham esta vontade de reformar. Sabemos que qualquer mudança séria encontra resistência, mas é precisamente essa capacidade de modernizar o país que permitirá às novas gerações competir com os restantes países europeus. Governar não é dizer “amém” a tudo nem deixar andar. Quem pensa assim talvez esteja melhor a jogar às cartas do que a assumir responsabilidades.
Estejam atentos, informem-se e procurem conhecer os factos antes de formar uma opinião. Não faltará quem tente destruir por conveniência política ou por não aceitar ver mudanças acontecerem.
Seja na política ou na gestão de uma empresa, quem lidera tem de estar preparado para mudar, inovar e decidir. Caso contrário, em vez de fazer o país crescer, limita-se a assistir ao seu declínio.
O país deve estar sempre em primeiro lugar.
Bom fim de semana!
Augusto Bandeira/MS




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