Religião e Política: Porque insistem em misturar o que é diferente?

Meus caros leitores, ultimamente temos vivido eleições por todo o lado, e continuam. Atravessa-se uma fase em que os políticos perderam alguma credibilidade e a confiança do povo. As mudanças constantes, o populismo e a forma como certos “populistas” fazem os discursos, repetindo aquilo que uma classe gosta de ouvir, contribuíram muito para este descrédito. E, como tudo na vida, também nas religiões encontramos fenómenos muito parecidos.
No passado, em Portugal, bastava em certas zonas do país um padre, com todo o respeito, e sendo eu católico, incentivar ao voto. As pessoas acreditavam na palavra dele. E hoje, em algumas aldeias e até vilas, volta a ver-se o mesmo, o que o padre diz é lei. Caso para dizer, política e religião de mãos dadas. Na minha opinião, deviam seguir caminhos diferentes. Nunca líderes religiosos deviam incentivar ao voto em partidos ou pessoas, nem expor publicamente a sua ideologia política. Com isso corre-se o risco de colocar alguém no poder sem capacidade para exercer o cargo, apenas porque “o senhor padre disse”.
Ao contrário, os políticos já não têm tanta influência no que toca a incentivar as pessoas a seguir determinada religião. Isso vem de casa, vem do berço, embora cada vez menos, porque a juventude já não frequenta a igreja. Muitos dizem que são católicos, mas não praticam, e outros até mudam consoante com quem se juntam. E cada vez mais isso acontece.
Mas uma coisa é certa, tanto líderes políticos como líderes religiosos são grandes formadores de opinião e exercem enorme influência na vida das pessoas. Antes da revolução, os padres e as pessoas ligadas ao ensino tinham muito poder. O que diziam era sagrado. Mais até os líderes religiosos. Por muito que custe admitir, também é verdade que se aproveitavam da ignorância do povo, e isso favorecia a classe política. Ainda hoje acontece em certos países, privam o povo da liberdade de expressão, de escolher pela própria vontade, de questionar e até de pensar. Não digo que fosse sempre de forma agressiva, mas existia uma pressão indireta para votar na pessoa ou partido que “mandavam”.
Embora hoje menos, ainda há líderes religiosos que se envolvem e incentivam ao voto em vários partidos. E não nos podemos esquecer de que também há políticos que se aproveitam disso, fazendo promessas a líderes religiosos em troca de votos. Sempre aconteceu. E continua a acontecer. Aliás, em alturas de eleições é vê-los à porta das igrejas, como sempre. A religião usa a política para atingir certos objetivos, e a política aproveita a religião. É a tal troca discreta, as tais “mãos dadas”.
Infelizmente, ainda hoje, mesmo em países desenvolvidos, as pessoas deixam-se levar por discursos populistas. Porque o populismo existe nos dois lados, na classe política e nos líderes religiosos. A forma como se aproximam das pessoas fala-as acreditar. Menos do que no passado, é certo, mas ainda há muita ignorância e muita falta de coragem para ser quem se é. Muitos dizem e fazem apenas para agradar, é aquele “amém” dito só para serem aceites no meio em que se movem. É o clube do “YES”: dizem o que gostam de ouvir e fazem o contrário do que dizem.
Não façam parte do clube do “YES”. Façam e decidam com o vosso pensamento, com a vossa análise, com a vossa forma de ver as coisas e as pessoas. Ajudem, mas não deixem que vos manipulem ou obriguem a ser o que não são.
Tenham opinião e autocrítica sempre presente.
That’s the name of the game.
Bom fim de semana.
Augusto Bandeira/MS




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