Augusto Bandeira

Estado da Nação, 4 meses depois

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Estado da Nação, quatro meses depois da entrada com maioria, o Costa tem problemas difíceis de resolver.

Podem perguntar, mas não respondo. Foi assim que que o primeiro-ministro geriu o debate da nação. Nota-se, de longe, que Portugal tem um primeiro-ministro com o maior partido da oposição mais forte. O novo líder da bancada parlamentar do PSD, Miranda Sarmento, tem perfil e sabe. Sabe o que diz e como escreve. O líder do partido, Luís Montenegro, como não tem assento no parlamento assistiu ao debate da nação de fora, mas a equipa deu conta do recado ao ponto de atrapalhar António Costa. Das perguntas dirigidas ao primeiro-ministro, 17 não tiveram resposta. A resposta de Costa foi, “há muitos problemas para resolver”, um primeiro-ministro que tem problemas internos e está com dificuldade em resolvê-los, no entanto vai para um debate da nação com atitudes de primária. No meio de tudo há camaradas do mesmo que estão à espreita do lugar da frente, um deles recentemente causou um mal-estar dentro do partido que não ficou muito bem na fotografia.

Entre outros temos uma ministra da Saúde que, sabe-se lá a razão por que ainda se senta na cadeira, mas o primeiro-ministro é responsável porque foi ele que fez a cama onde se deita todos os dias. Tem uma equipa que de união tem pouco, e agora com um PSD, maior partido da oposição com novo líder e com uma liderança parlamentar nova, as coisas vão ser mais difíceis. Engraçado como ele identificou o novo PSD, “um PSD novo e passista”, notou-se no decorrer do debate que está um pouco preocupado com o sangue novo, porque sabe que as coisas vão ser mais duras.

Debateu-se muita coisa, mas as respostas eram de fazer rir um surdo, quando um primeiro-ministro diz que admite que o país está pior do que há um ano, e promete “fazer, fazer” em vez de “falar, falar”, os deuses devem estar loucos. Passou-se de tudo e ouviram-se coisas engraçadas, ao ponto do primeiro-ministro, em tom de ironia dizer ao André Ventura “Não precisa de ter ciúmes do Dr. Joaquim Miranda Sarmento”, e tocou no assunto lembrando-lhe que na campanha eleitoral defendia o contrário do que defende hoje para ganhar uns votinhos. Em vez de se tratar com dignidade dos problemas da nação vai-se lavar roupa suja, no bom sentido, porque daqui em diante as coisas parece que vão ser diferentes, tanto para o Costa, como para o Ventura que ambos adoravam criticar o PSD, porque a liderança era muleta do Costa, mas agora as coisas mudaram, e vêm aí propostas para o bem da nação. Ou isso acontece ou ambos os partidos caminham para o funeral como aconteceu em França. Também durante o debate aconteceu outra engraçada, quando o primeiro-ministro disse que sabe o que custa ir às compras e encher o carrinho, reparem só, como se ele fizesse as compras para casa. No meio de tudo, entre lavagem de roupa suja também houve elogios, politicamente correto o primeiro-ministro agradeceu em público o trabalho de Rui Rio, ex-líder do PSD e da bancada parlamentar, pelo contributo que Rui Rio deu “em momentos tão duros e difíceis” para o país, nomeadamente a pandemia. Discretamente, Rui Rio sentado na penúltima fila dava o seu ar de riso.

Sem dúvida o país está mais pobre e vai empobrecer mais, primeiro a culpa era da pandemia, depois da guerra fria entre a Ucrânia e a Rússia, qual vai ser a próxima desculpa para os governantes a nível mundial? A culpa é de todos os que votam, esquecem-se do mal que se faz e só se lembram da mão cheia de rebuçados que lhes deram pouco antes das eleições.
Bom fim de semana.

Augusto Bandeira/MS

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