Augusto Bandeira

Com o mesmo entusiasmo de antes?

Regressar às aulas

Regressar às aulas era sinónimo de entusiasmo, era uma alegria. Será que as crianças vão regressar com aquele entusiasmo que tinham antes da pandemia?

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Créditos: DR

Já lá vão uns anos mas recordo-me como se fosse hoje – eu adorava os tempos nas tarefas dos preparativos para o início do ano letivo, era algo que me fazia sentir feliz, era aquela sensação de ir conhecer os novos amigos, nova escola, novos professores, novas rotinas e hábitos, sempre com esperança de serem bons, esperava eu, mas tudo contribuía para que me sentisse entusiasmado por ir começar um desafio com objetivos novos. Sempre o fiz da mesma forma, aproveitei ao máximo. Que saudades desse tempo, no tempo da primária era o ir a pé de casa até à escola, fazia-me sentir um adulto responsável. Depois de completar a quarta classe foi um salto muito grande deixar a aldeia que me viu nascer e ir frequentar o ciclo preparatório. Depois escola comercial na cidade, aquela sensação de ir de autocarro para a cidade sem ser controlado pelos pais era algo brilhante, conhecer novos amigos de aldeias diferentes, conviver, participar em atividades escolares fora do ambiente habitual, tudo isto dava força e vontade de ser e provar que éramos capazes. Bons tempos, passava-se de criança para adolescente muito rápido e com muitas responsabilidades.

Agora as coisas são muito diferentes, o mundo mudou aos poucos, os pais passaram a ser mais cuidadosos em muitas coisas que no passado não havia hipótese nem condições. Agora, com a aproximação do início do novo ano letivo, as crianças vão enfrentar o regresso às aulas em contexto de pandemia, o que coloca alguns desafios nas crianças e nos próprios pais. As dificuldades sobre o futuro no que toca ao ensino são muitas, é muito importante que os pais encontrem formas de ajudar os filhos a lidar, encarar as circunstâncias que se aproximam. Antes da pandemia o regresso às aulas era um entusiasmo, nos novos tempos que vivemos, com a pandemia que tarda a deixar-nos, há que tentar recuperar toda a vontade que havia antes, há que encontrar formas de motivação para as crianças se sentirem seguras da forma que se sentiam antes da pandemia, os pais têm que demonstrar e fazer acreditar que apesar dos desafios que vão ter pela frente, os seu filhos vão triunfar, mais do que nunca.

Hoje uma criança a frequentar os primeiros anos de escolaridade precisa de muito apoio, tudo derivado do que nos rodeia. Se já o fazia antes, hoje com a pandemia deve reforçar o acompanhamento do seu filho no primeiro dia de aulas, tem de continuar a cumprir a tradição e acompanhá-lo ainda que seja só até ao portão de entrada, porque com as regras impostas pelos delegados de saúde será difícil a entrada para dentro do recinto escolar. Tudo o que se possa fazer em prol das crianças durante a pandemia vai contribuir para que elas se sintam mais seguras e vai diminuir a ansiedade nelas próprias e o próprio stress associado às regras e às condicionantes em que a escola irá funcionar neste ano letivo. A pandemia está para ficar mais algum tempo e enquanto não estivermos todos vacinados não vai ser fácil, mesmo todos vacinados não será seguro e agora com meia dúzia a recusarem ser vacinados ainda pior.

Estamos a atravessar um período de difícil adaptação, quem disser o contrário está a mentir. Hoje os pais têm muita responsabilidade, será essencial que se esteja atento ao estado emocional dos jovens, nas próprias alterações rápidas de humor, no estado de irritação com coisas que não aconteciam, no nervosismo que pode indicar que algo não está bem, porque se calhar não estão a conseguir gerir todas estas mudanças. Os pais não podem esperar que uma criança se adapte de um dia para o outro, será bom sempre perguntar se está tudo bem, como correu o dia, não esperar que eles passem a um estado anormal, perguntar se há novidades das aulas e até perguntar sobre os colegas e professores – são estas pequenas coisas que mostram que se está presente e em alerta e, esperemos que não faça falta e que nada aconteça, mas pode vir a notar algum comportamento estranho. Se assim for, um pai ou uma mãe deve procurar ajuda e consultar um profissional de psicologia para o acompanhar.

Que os governos cumpram com o que prometeram na preparação das salas de aulas, porque a fé é a última a morrer e vai correr tudo bem. Bom início de aulas a todas as crianças.

Bom fim de semana.

Augusto Bandeira/MS

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