Augusto Bandeira

As pessoas já se movem e aceleram para ganhar a cadeira

Eleições autárquicas estão aí perto, e muitos já se preparam para agarrar o lugar.

Credito: DR

Tudo indica que será no final de setembro ou início de outubro que os portugueses vão ser chamados a votar, desta vez para eleger os presidentes de câmara e de junta de freguesia. Sempre foi assim, mas cada vez se exige mais de quem se apresenta. Para ser presidente de junta, é preciso gostar de trabalhar para as pessoas. É um cargo de grande responsabilidade, pois quem for eleito vai gerir os destinos da freguesia ou vila durante os próximos quatro anos.

Não é preciso ter um curso superior, ser doutorado, empresário ou ter uma idade específica. No passado dizia-se que, para ser um bom presidente, era preciso ser empresário. Puro engano. Ser um bom presidente está na pessoa: dedicação, tempo disponível, gosto pela sua terra, honestidade… podia continuar. A idade não é impedimento, pode até ser um jovem e vir a ser um grande presidente. Muitos jovens não têm vícios e vêm com novas ideias.

Quem se candidata tem de estar consciente de que vai perder muito tempo ao serviço dos outros. Não pode ir com o objetivo de se “remediar”, de fazer sociedades com amigos ou de comprar terrenos e moradias que aparecem primeiro à junta. Há tantas situações que podem ser consideradas corrupção ou conflito de interesses. E, sim, isso acontece, aconteceu em muitos lugares. Só que o Zé Povinho, como anda meio a dormir, deixa passar. Mas um bom cidadão, que gosta da sua freguesia e preza a transparência, quando sabe de algo anormal, denuncia. Assim evitam-se muitos problemas.

Quem coloca o nome a votos, sobretudo para presidente de junta, não deve estar com dificuldades económicas. Deve ter uma vida estável, sem precisar de pensar em “casos e casinhos”. Tem de estar preparado para sacrificar parte da sua vida pessoal e profissional para servir o povo. Não se pode candidatar só para conhecer os “cantos da casa”, começar a trabalhar para si próprio e esquecer-se de que foi eleito para trabalhar pelo povo e com o povo.

Presidir uma freguesia é cuidar da limpeza, da cultura, do embelezamento dos canteiros, do alargamento de caminhos, do saneamento básico, de melhorar a qualidade de vida dos idosos, apoiar crianças com menos recursos, mobilizar voluntários, criar oportunidades. Sabemos que as juntas não têm meios financeiros para grandes obras. Mas aí entra a disponibilidade e a vontade de ir até à câmara municipal, apresentar os problemas, propor soluções e lutar por apoios. Porque a maioria dos projetos são da competência das câmaras.

Não é com a perna estendida na esplanada que se gere uma freguesia. Por isso, o mais importante é ter tempo e capacidade. E, claro, hoje em dia, é necessário ter conhecimentos diversos, as exigências tecnológicas assim o obrigam. Mas um bom presidente sabe rodear-se de uma boa equipa.

Os mandatos deviam ser limitados a dois. Muito tempo no poder vicia as pessoas, faz com que percam o gosto, e há quem comece a governar-se a si próprio. Perde-se o respeito pelos direitos e deveres, e esquece-se a razão pela qual se foi eleito.

Que venham muitos candidatos, mas que sejam honestos e dedicados. Não basta apresentar um manifesto cheio de boas intenções e depois deixá-lo esquecido numa gaveta.

Parabéns a todos os que tencionam candidatar-se. Mas não se esqueçam: eleições não se ganham. Perde-se tempo, dinheiro, dias de vida, tempo com a família… e, o que muitos não pensam, mas acontece: perdem-se amigos.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

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