Ainda sobre incêndios…
Se todos tivessem boa memória, alguns ganhavam em estar calados

Sim, porque numa avaliação geral os fogos foram muitos, como se podia esperar num ano quente. Houve incêndios de grande dimensão, mas, em Portugal, a oposição pegou no assunto a sério sem sequer se preocupar em perceber como os fogos acontecem, antes de começar logo a penalizar alguém. Como o diretor da Proteção Civil disse e afirmou, “os fogos não se apagam, controlam-se”. Foi um recado para alguém, certamente.
Menos mal que este ano não houve as tragédias de 2017, ano em que o país foi envergonhado. Os políticos da altura mostraram-se inteligentes, mas de uma rara inteligência… Este ano, pelo contrário, ficou provada muita coisa e foram desmascarados alguns “meninos bonitos” da política, mais interessados na fotografia do que em obras concretas em prol da população.
Foi positivo o ministro da Defesa vir a público e colocar o dedo na ferida. Já antes alguém tinha levantado a manta que cobria o líder do PS, quando este dizia que o governo andava em festas, como se viu e provou tinha tudo controlado. Mas esse mesmo líder estava em Portimão, na festa da sardinha. Nada contra as festas, mas antes de apontar o dedo aos outros, devia fazer o trabalho de casa. José Luís Carneiro, proteja o seu telhado, porque é de vidro. Falou, falou… e, como se diz em bom português, só se enterrou. Fazer política desta forma dificilmente o levará a primeiro-ministro.
Seja como for, Nuno Melo mostrou aquilo que alguns não queriam que viesse ao conhecimento público. Esta posição só veio a público depois de José Luís Carneiro ter afirmado que o ministro da Defesa tinha feito declarações infundadas e faltado à verdade sobre os meios aéreos de combate aos fogos. Teve ainda a ousadia de tentar convencer que foram os socialistas a garantir a capacidade dos KC-390 e a aprovar a compra de dois novos Canadair.
Mas afinal, quem anda a mentir? Estes políticos esquecem-se que vivemos noutro tempo e que já não estamos há 40 ou 50 anos, quando era fácil esconder a verdade. Hoje há meios para verificar os factos. O líder do PS perdeu uma boa oportunidade de estar calado.
Nuno Melo, e muito bem, pediu um exercício de memória, ao recordar que, em 2015, um Governo formado por PSD e CDS já defendia a compra dos Canadair, e que só não se concretizou por decisão do executivo do PS que o sucedeu. Isto é verdade, basta ter memória. Afinal, tanto alarido e quem travou a preparação para o futuro foi o governo socialista. Nuno Melo esteve bem, mostrou como muitos não sabem fazer oposição construtiva, vivem da mentira e tentam enganar o povo. Agora cabe ao povo acordar e não se deixar levar por discursos vazios.
Os novos Canadair, segundo afirmação do novo ministro da defesa, só deverão chegar em 2029 e 2030, se tudo correr bem. Quer isto dizer: deixem governar quem mostra trabalho, e façam a avaliação no tempo certo. Atrapalhar sem apresentar alternativas não leva a lado nenhum. Os que cá estão, se fizerem o mesmo erro, terão também a sua avaliação. Mas, por agora, é justo reconhecer, estão a fazer melhor, e as provas estão à vista.
Não vale a pena enviar recados a quem mostra obra no terreno.
Bom fim de semana!
Augusto Bandeira/MS


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