Afinal, o que se passou? Quem provocou este temporal?

Meus caros leitores e amigos. Sempre que se cometem erros, paga-se caro. Não sou político, nem tenho formação nessa área, mas já estive do outro lado e consigo ver as coisas de forma diferente de muitos. Já disse e repito, havia um partido que, direta ou indiretamente, dava força ao Chega. Esse partido era o PS. Sabendo-se que o Chega representa a extrema-direita, era difícil imaginar que, um dia, André Ventura pudesse chegar ao poder, mas depois das eleições de 18 de maio, tudo mudou. Agora, é preciso olhar para o Chega de outra forma, eles não vão parar.
Na minha opinião, tudo começou com a formação da “geringonça”. Parte da responsabilidade recai sobre António Costa. Não ganhou as eleições, mas agarrou-se ao poder sem o apoio direto do povo. Temos de compreender uma coisa fundamental, quem manda é o povo. Não venham os políticos querer dar a volta aos factos, muito menos hoje. Na altura, PS, BE e CDU formaram uma aliança para chegar ao poder. Até hoje não se sabe que acordos foram feitos. O certo é que impediram Passos Coelho de governar, apesar de ter vencido as eleições.
Tudo se paga neste mundo. Aquilo que se faz hoje, mais cedo ou mais tarde, tem retorno. Passos vinha de uma governação difícil, mas positiva. E porquê positiva? Porque o PS tinha deixado Portugal no fundo da Europa, com o governo de Sócrates que nos conduziu à terceira bancarrota. O PSD foi então obrigado a governar com a troika na retaguarda, e cumpriu todas as exigências. Mas, logo depois, PS, BE e CDU juntaram-se e assumiram o governo, armando-se em heróis. Pedro Nuno Santos já estava envolvido. Em certos aspetos, até conseguiram alguns resultados, mas no fim correu tudo mal. Ninguém percebe bem como, mas o PS de António Costa acabou por conseguir uma maioria absoluta contra o PSD de Rui Rio. Essa maioria, no entanto, foi um desastre, tantos casos, tantos escândalos, que o governo não resistiu até ao fim do mandato.
Enquanto isso, o Chega crescia, e muito, por culpa da postura de figuras como Augusto Santos Silva, então presidente da Assembleia da República, que não soube lidar com a pressão vinda de André Ventura. Depois, o PS elegeu Pedro Nuno Santos como líder, uma figura mais ligada à esquerda radical do que a uma esquerda democrática, que tanta falta faz. Com a sua arrogância e sede de poder, colou-se ao Chega em várias ocasiões e, por fim, não aprovou o voto de confiança ao governo. Esqueceu-se que o povo é soberano. Resultado? O povo reforçou a confiança na AD e no primeiro-ministro Luís Montenegro. Que grande estalo de luva branca levou Pedro Nuno Santos!
As políticas mudaram, o Chega cresceu, o PS desceu, e a esquerda levou um abanão, tudo por culpa da infantilidade do líder do PS. E, no meio disso, perderam-se boas pessoas. Reparem que houve políticos que nem quiseram fazer parte das listas, e isso diz muito. Dar a cara por um péssimo líder pode manchar qualquer reputação. Como costumo dizer: “Diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és”.
Vi excelentes pessoas no PS que não foram eleitas. O partido precisa de uma reflexão profunda. Vai levar tempo para “limpar a casa”. Reparei também no discurso arrogante e de mau perdedor de Pedro Nuno Santos, nem sequer deu os parabéns a Montenegro pela vitória. Deixou claro que não apoia nem concorda com a sua liderança e, de forma indireta, sugeriu ao PS que não viabilize os orçamentos.
Como é que Portugal podia ser governado por alguém com tanto rancor e tão mau perder? Pedro Nuno Santos só conseguiu fortalecer o Chega e criou o cenário perigoso de um dia termos uma extrema-direita a governar o país.
Não se deixem levar por promessas bonitas, o povo já não cai no “conto do vigário”. Primeiro mostrem obra, depois, sim, ganhem a confiança dos eleitores. O povo está mais atento, mais exigente. O PS prometeu mundos e fundos, mas as pessoas já não acreditam em promessas impossíveis.
A governação não será fácil para Montenegro, mas as negociações poderão ser mais diretas. A AD tem mais lugares do que toda a esquerda junta.
Se não queriam este abanão, então que tivessem estudado melhor a lição antes de derrubar o governo. Que sirva de lição para futuros líderes, quem ganha deve governar.
Bom fim de semana!
Augusto Bandeira/MS


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