Augusto Bandeira

Afinal, nem tudo o que brilha é diamante

Photo: @copyright

No meio ainda há muito ferro velho e interesses pessoais.

É sabido que estamos numa fase nada fácil para garantir estabilidade num país que precisa de ser competitivo e ter uma economia sólida. Mas, para isso, tem de existir equilíbrio, coisa que os anos de governação socialista não conseguiram assegurar. Como se sabe, uma das piores fases políticas foi a geringonça e, antes disso, o que se passou com Sócrates ainda hoje faz correr tinta e envergonha Portugal. O mais admirável é ainda haver quem ache que foi tudo muito bonito, quando, na realidade, pouco ou nada melhorou além das desgraças que ficaram.

Para bom entendedor, bastou ouvir a entrevista de Álvaro Beleza à Rádio Renascença, no passado dia 9 de maio. Foi certeiro em muitas das coisas que disse e, pelo menos, teve coragem de assumir erros graves do PS no passado, erros esses que hoje levam tempo a corrigir e a colocar novamente o país no eixo.

José Luís Carneiro é deputado na Assembleia da República, não é primeiro-ministro, nem tem moral para exigir certas coisas. É verdade que aparenta ser um homem moderado, mas também é visível que lida mal com as pressões internas do partido. E está à vista de todos, dentro do PS existem divisões graves. Há uma esquerda radical que quer o poder à força e há os mais moderados que até admitem que o PS deve viabilizar muitas propostas do atual governo, porque percebem que Portugal precisa de uma social-democracia.

Mas também existem aqueles que vivem da destruição política e da mentira para chegarem ao poder. Gostam de enganar o povo e, infelizmente, ainda há quem vá no conto do vigário. O PS ou assume de vez que deve servir os interesses do país, ou corre o risco de desaparecer aos poucos.

Não nos podemos esquecer que a juventude de hoje é mais liberal e já não se identifica com o velho socialismo. Muitos jovens já dizem, e bem, que o Presidente da República não pode agir como figura partidária nem está lá para governar, mas sim para unir o país. E quando se ouvem jovens a falar assim, é de louvar. Querem mudança, querem competência e estão cansados dos velhos interesses instalados.

Há reformas urgentes para fazer, mas não podemos continuar a fingir que está tudo bem. Não está. A justiça, a saúde, a educação e muitas outras áreas precisam de mudanças profundas. Este governo, goste-se ou não, teve coragem de tocar em assuntos que outros evitaram durante anos. Agora aparecem alguns com panos quentes a tentar enganar novamente o povo.

Acordem para a vida. O povo quer descentralização e este governo está a dar passos nesse sentido. Mas há verdades que custam ouvir e muita comunicação social prefere ficar calada porque lhe convém.

Outra questão importante é a reforma antecipada. Como disse Álvaro Beleza, e bem, hoje a esperança média de vida ultrapassa os 90 anos. Será realista mandar toda a gente para um banco de jardim durante 30 anos? Temos de ser sérios e não populistas.

Ainda há dias ouvia jovens dizerem que, com políticos fracos, é difícil acreditar no futuro. E referiam-se a grande parte da oposição. E porquê? Porque governaram durante décadas depois do 25 de Abril e o país continua atrasado em muitos aspetos.

Muitos portugueses acreditam numa social-democracia equilibrada, credível e capaz de implementar mudanças reais. Todos sabemos que as reformas no início custam, mas a médio prazo podem beneficiar todos. Pão cozido demasiado rápido não tem sabor e acaba depressa.

As reformas têm de ser feitas, mas com a Assembleia que temos não será fácil. E sinceramente, com este Presidente da República, que tantas vezes se contradiz, também não vejo grande ajuda para unir o país. Não venham dizer que um discurso bonito no 25 de Abril resolve tudo. Discursos preparados todos fazem. O que faz falta é obra, união e provas dadas.

Outro problema grave é a política da caça ao voto. Há quem queira o poder sem perceber a realidade do país a longo prazo. Não se vê visão, não se vê estratégia, não se veem ideias sólidas para o futuro.

E numa altura destas, com guerras sem fim à vista e uma economia mundial instável, as greves são das piores coisas que podem acontecer. Aqui vê-se a capacidade e a inteligência dos políticos. E convém lembrar uma coisa, os sindicatos representam uma pequena parte do país, mas muitas vezes fazem mais barulho do que trabalho.

Gostei particularmente de ouvir Álvaro Beleza admitir que não é fácil governar em minoria e, indiretamente, reconhecer que este governo tem feito um trabalho positivo. Também foi claro quando disse que o IVA zero não resolve os problemas estruturais.

Mas continua a haver quem ache que a solução é dar, dar e dar. Meus amigos, solução é criar condições para que todos possam crescer. O sol nasce para todos. Há quem trabalhe, lute e se esforce, e há outros que vivem à espera que o Estado resolva tudo. O Estado não é pai de ninguém.

Os políticos que nunca fizeram nada fora da política talvez devessem estudar mais o país real e deixar trabalhar quem sabe gerir e quem sempre trabalhou na vida.

Hoje, o que mais se vê é caça ao voto e tentativas de enganar o povo.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

Redes Sociais - Comentários

Artigos relacionados

Back to top button

 

O Facebook/Instagram bloqueou os orgão de comunicação social no Canadá.

Quer receber a edição semanal e as newsletters editoriais no seu e-mail?

 

Mais próximo. Mais dinâmico. Mais atual.
www.mileniostadium.com
O mesmo de sempre, mas melhor!

 

SUBSCREVER