Augusto Bandeira

A delícia que nos identifica na noite de Natal

O fiel amigo, quem gosta, é melhor não demorar a comprar. 

Àmedida que a época de Natal se aproxima a passos largos, todos sabemos bem o que representa esta data para a grande maioria dos portugueses. É, acima de tudo, tempo de família, de amigos que são como família, e de manter vivas as tradições que nos foram passadas pelos nossos pais e avós.

Falo por mim: sempre fui habituado a que, na noite de consoada, a mesa não fosse nem rica nem pobre, fosse aquilo que a vida permitia em cada ano. Houve anos melhores e outros menos bons, como acontece para todos. Mas uma coisa era certa e constante, o fiel amigo estava sempre lá. Uns anos mais vistoso, mais grosso e de melhor qualidade; outros anos mais fino, mas com o mesmo sabor que nos fazia água na boca.

No mês de dezembro, já se começava a criar a expectativa daquele prato especial da consoada: o bacalhau, acompanhado com batatas, couves e tudo bem regado com azeite. Para mim, continua a ter um sabor único naquela noite.

Mas este ano, quem quiser o fiel amigo na mesa é melhor não deixar para a última hora. Segundo se ouve na praça pública, e de acordo com o que os comerciantes têm vindo a avisar, o preço do bacalhau tem subido praticamente todas as semanas desde o início do ano. E com o aproximar do Natal, a tendência é agravar-se. O melhor é comprar já.

Segundo uma notícia da SIC, em Portugal os preços do peixe têm aumentado significativamente. Há comerciantes que dizem que um peixe que, em 2024, custava 18 euros, agora está a 22. E o bacalhau não fica atrás. A procura aumenta, como acontece todos os anos, porque de norte a sul todos queremos manter as tradições, e o bacalhau faz parte da mesa de quase todos os portugueses na noite de consoada. E não nos podemos esquecer que, além de ser o prato rei da consoada, há mil e uma maneiras de confecionar bacalhau. Sendo um produto de qualidade, como exigem as melhores receitas, acredito que o preço não vai impedir os portugueses de o colocar na mesa neste Natal. Que seja como tantos outros, que não falte bacalhau à mesa de ninguém, para que todos possam manter a tradição.

Aqui por estas bandas, onde nos encontramos, o que pode falhar é a qualidade na hora da procura. Quem quer algo diferente sabe que uma boa cura amarela faz toda a diferença, pena que seja tão difícil de encontrar por cá. Mas que enriquece a mesa na noite de Natal, isso é verdade.

Por isso, se vai manter o fiel amigo na consoada, o melhor é procurá-lo quanto antes. Não se deixe para amanhã o que se pode ir buscar hoje. Natal é uma vez por ano, e devemos, sempre que possível, manter o nosso fiel amigo bem regado com azeite.

E se sobrar, já sabe: no dia seguinte, nada como uma bela roupa velha. Eu já não volto a comer bacalhau até à noite de consoada.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira/MS

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