OpiniãoAugusto Bandeira

As oportunidades nem sempre aparecem

Quando há lugar para todos, e ainda sobra, é de aproveitar

Photo: Copyright

Meus caros leitores, sei que, quando muitos terminarem de ler este artigo de opinião, como já aconteceu no passado, a minha pessoa será apontada e olhada de lado. Alguns dirão: “outra vez recados”. Mas, meus caros, isto é a realidade. Não há aqui nada contra a forma como se está a gerir, nada disso, nunca. Ao contrário do que muitos pensam, eu não digo mal por dizer. Opinar não é maldade.

Recentemente tive a oportunidade de ouvir dois jovens numa conversa sobre a situação cultural da nossa comunidade, dos clubes e das associações. Algo que sempre admirei e que gosto de apoiar é precisamente a juventude talentosa, com ideias e visão para o futuro. Tudo o que ouvi nessa conversa é algo que venho a defender há muito tempo, e confesso que fiquei surpreendido, pela positiva. Já tinha admiração por eles, mas essa consideração aumentou ainda mais.

Ambos são dirigentes de uma associação cultural, com trabalho feito, dedicação e ideias excelentes para o futuro. E digo, sem qualquer dúvida, ainda bem que existem jovens que se interessam e querem dar continuidade à nossa cultura regional. Não é fácil espantar-me, mas ouvir jovens falar com esta clareza e sentido de responsabilidade é, no mínimo, motivo de orgulho.

Durante a conversa, referiram algo que não nos pode passar ao lado, há casas que hoje inventam festas apenas para sobreviver; outras já não olham para o setor cultural. E, a certo ponto, foi colocada em cima da mesa uma realidade que, goste-se ou não, um dia terá de acontecer, a forma de gerir os clubes terá de mudar.

Digo isto há anos e sempre fui apontado pela negativa. Mas, meus caros amantes da cultura, isso acabará por se tornar uma realidade. A curto prazo, não vamos ter pessoas suficientes dispostas a trabalhar de forma voluntária, a carregar tachos de salão em salão. Isso já se começa a ver. Há clubes que nem sequer têm direção formal, mas sim pessoas que se agarram para não deixar morrer o que foi construído. E atenção, isso não é mau, pelo contrário, é de louvar. A comunidade está de parabéns nesse aspeto.

Que isto não seja mal interpretado. Trata-se de uma opinião pessoal, baseada numa conversa com jovens que se dedicam, trabalham e prestam um serviço de enorme qualidade em prol da cultura.

Deixo aqui um conselho claro, clubes e associações que ainda têm juventude interessada em continuar, abracem-na, agarrem-na, motivem-na. Não a ignorem. Aceitem ideias, partilhem experiência e transmitam o conhecimento acumulado para que outros possam continuar.

A parte da conversa que mais me surpreendeu foi quando um deles referiu a existência de um edifício à venda, com cerca de 90 mil pés quadrados, numa zona acessível e dentro da área da nossa comunidade. A ideia era simples, mas poderosa, este seria o momento ideal para vários clubes e associações se unirem e adquirirem esse espaço, transformando-o num verdadeiro centro cultural da comunidade portuguesa.

Um local onde cada associação teria o seu escritório, podia haver uma sala de reuniões, um grande salão com capacidade para grandes eventos. Hoje contamos com a ajuda de uma grande instituição que, sempre que necessário, abre as portas. Mas o futuro é incerto. As pessoas mudam, as ideias também.

Se fosse possível unir, como tantas vezes se diz, seria a cereja em cima do bolo. Os clubes não desapareceriam, ganhariam qualidade, melhores condições e mais capacidade de prestar serviços. Todos ficariam bem na fotografia. Mais do que isso, seriam verdadeiros heróis por prepararem o futuro da geração que hoje tenta dar continuidade ao que foi construído.

Nada é impossível. E quando se ouvem jovens com ideias destas, só há uma atitude possível, louvar, apoiar e dar espaço. Não seria preciso envolver todos, mas aqueles que mantêm uma agenda cultural ativa, mesmo os que têm casa própria e atravessam dificuldades. Tudo continuaria, mas com menos dores de cabeça, melhor gestão e mais estabilidade. Um gestor, uma equipa fixa, organização, e a comunidade teria a garantia de continuidade por muitos e bons anos.

Isso chama-se crescimento. E crescimento faz-se a ouvir os jovens. Eles são, sem dúvida, o futuro.

Bom fim de semana!

Augusto Bandeira

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