Afinal, querem ou não reformas?

Será assim tão difícil perceber que tem de existir equilíbrio para o bem do país?
Quando a aproximação ao poder se faz com promessas que podem iludir muitos, ou, pior ainda, quando não se percebe que não se pode dar o que não existe, estamos perante um problema sério. Isto é simples.
Na minha opinião, sempre que houve governos de centro-direita, existiu uma classe média mais sólida e um certo equilíbrio entre empregador e empregado. As regalias devem existir, claro, mas têm de ser bem geridas. E os sindicatos, sendo necessários, também têm de reconhecer uma realidade essencial, sem empresas e sem patrões, não há empregos.
Nem todos têm capacidade ou condições para ser empregadores, e isso sempre foi assim. Existem diferentes classes, e continuarão a existir. O importante é criar condições para que quem quer investir o faça com confiança. Porque para atrair empreendedores não é com hostilidade, é com incentivo.
Os sindicatos têm o seu papel, mas em Portugal representam uma parte limitada da força laboral. Ainda assim, têm um peso significativo nas decisões e no discurso público. E aqui importa dizer, o equilíbrio exige responsabilidade de todos os lados.
Se olharmos para outros países, percebemos que quando há diálogo sério entre trabalhadores e empregadores, a produtividade existe e a economia cresce. Em Portugal, continuamos muitas vezes presos a um sistema que dificulta essa evolução. E isso reflete-se na nossa produtividade, que continua baixa para o nível de exigências que muitas vezes se colocam. Por outro lado, há uma narrativa política que promete soluções fáceis para problemas complexos. Prometer mais, dar mais, exigir menos, pode soar bem, mas não é sustentável. Governar não é alimentar ilusões, é gerir a realidade.
Hoje nota-se uma falta de diálogo entre os vários parceiros. E isso preocupa. Governar um país que ainda procura estabilidade exige visão e responsabilidade. Resolver problemas estruturais leva tempo, não se faz de um dia para o outro, nem com discursos simplistas.
Muitas vezes vemos críticas imediatas a quem governa, como se fosse possível corrigir anos de más decisões em poucos meses. Quem tem noção da realidade económica sabe que não é assim que funciona.
Infelizmente, também se nota, em alguns casos, uma visão de curto prazo. Há quem queira governar para o imediato, sem pensar no futuro. E isso paga-se caro.
O resultado é um país que parece andar à deriva, sem rumo claro, onde quem trabalha e produz continua a suportar o peso das decisões erradas. E o chamado “Zé povinho” acaba sempre por pagar a fatura, por isso há que ter muito cuidado com o que a oposição está a prometer, e alguns encostados aos sindicatos. Sim, sim fazem falta, mas os críticos que olhem para as leis dos países para onde os portugueses por norma emigram, pensem nisso, e reparem, lá trabalham e não reclamam, e têm qualidade de vida.
É importante dizer isto com clareza, ninguém constrói um país sem trabalho, sem esforço e sem responsabilidade. Para haver emprego, tem de haver quem arrisque, quem invista e quem crie.
Ou se fazem reformas sérias, com equilíbrio entre todas as partes, ou mais cedo ou mais tarde todos iremos sentir as consequências.
Peçamos, acima de tudo, que não falte saúde e trabalho, porque quando isso falta, tudo o resto deixa de ter importância.
Bom fim de semana.
Augusto Bandeira/MS






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