OpiniãoAugusto Bandeira

2025 deixou-nos marcas, algumas muito interessantes

Foi na semana passada que 2025 nos deixou e, como acontece todos os anos, os que vão raramente deixam saudades. Ou somos ingratos, ou cada vez queremos mais. Eu diria que podemos agradecer a Deus aquilo que nos deu durante 2025, porque a melhor coisa que nos podia ter dado foi a saúde com que terminámos o ano, junto daqueles que mais amamos, assim espero que tenha sido para a maioria.

Mas há sempre algo que acontece e que nos fica na memória por algum tempo. Curiosamente, as coisas que mais recordamos são quase sempre as caricatas, aquelas que podiam ter acabado mal, mas que terminam com um final feliz.

Eu, como tenho o hábito de achar graça a certos acontecimentos, recordo-me da notícia do célebre pescador Adrián Simancas, que, enquanto pescava, viu a sua embarcação ser engolida por uma baleia. O próprio, segundo foi noticiado na comunicação social, temeu o pior, mas sobreviveu para contar a história. Escapou ao pior e aquela pescaria ficará certamente na memória para o resto da vida.

Mas em 2025 não foi a única “desgraça” que se pode chamar engraçada e com final feliz. Se bem se lembram, nas Filipinas passou o tufão Wipha e, devido a esse fenómeno, uma igreja ficou completamente inundada. Ainda assim, nada impediu que um casal se casasse. Apesar da enchente dentro da igreja, os noivos disseram “sim”, rodeados pelos convidados. Se o velho ditado for verdade, “casamento molhado, casamento abençoado”, então este casal ficou mesmo abençoado. Nem a água lhes tirou a vontade de celebrar o amor.

Piadas aconteceram muitas, e estas são apenas algumas que fizeram notícia e que se podem chamar de cómicas. Por exemplo, em Auckland, um gato tornou-se famoso por roubar roupa interior dos vizinhos. Ora aí está o malandro, ou muito bem treinado ou simplesmente esperto. A dona, segundo a notícia, foi obrigada a criar um grupo no WhatsApp para devolver as peças aos respetivos donos. Há gatos, e gatas, que fazem de tudo para serem famosos.

Mas não são só os animais. Para se ficar famoso, muitos fazem o inesperado e, no fundo, o engraçado. No Brasil, duas freiras tornaram-se virais depois de fazerem beatbox num conhecido programa de televisão, uma mais vocacionada para os sons, a outra para a dança. É assim a vida, para muitos, vale tudo para se ter uns minutos de fama, uns por iniciativa própria, outros com ajuda de terceiros.

Em Portugal um dos acontecimentos que irá ficar na memória para muitos foi, o apagão elétrico, que deixou Portugal e Espanha às escuras em abril, na minha opinião foi o acontecimento nacional de 2025.

Além de acontecimentos há figuras que merecem um destaque, na parte internacional para mim destaco em primeiro, Zelensky que pelo quarto ano consecutivo, manteve-se no centro da resposta ucraniana à invasão russa, num ano marcado pela continuação do conflito em várias frentes e pela adaptação da estratégia militar de Kiev a um apoio internacional mais condicionado. Em segundo lugar, Donald Trump, regressou à Casa Branca para um segundo mandato presidencial, marcado, desde o início, por uma agenda política que ninguém esperava, na tomada de posse assinou o perdão aos que tinham assaltado o capitólio, 70 foram colocados em liberdade, nos primeiros meses, anunciou mudanças na política de imigração, reverteu decisões da administração anterior e adotou uma postura que não caiu bem a muitos países que acabou por afetar o comércio internacional. Em terceiro, Maria Corina Machado, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2025 eleva-se como principal figura da oposição venezuelana, muito bem entregue e merecido.

Na parte nacional (Portugal), em primeiro Luís Montenegro, o primeiro-ministro que arriscou o cargo e venceu as eleições, forçou a sua própria queda com uma moção de confiança, e conseguiu ganhar as eleições, reforçando a votação, o que a oposição não esperava era este acontecimento, não aprovaram a moção de confiança e o povo colocou-os lá para trás. Em segundo, Ana Paula Martins ministra da saúde, que em 2025 foi uma das figuras mais escrutinadas do Governo, num período intenso e complexo para o Serviço Nacional de Saúde. Ana Paula Martins enfrentou meses de forte pressão política e social, com debates intensos não só em torno das suas aptidões para desempenhar o cargo, saiu por cima de todos, porque afinal o SNS que recebeu estava uma desgraça, e não é em meia dúzia de dias que se limpa uma casa desarrumada como ela encontrou. Em terceiro, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2025, viveu um dos anos mais intensos do segundo mandato presidencial, marcado pela aproximação do fim de ciclo em Belém e por uma agenda política particularmente sensível, viveu anos de glória, mas cometeu erros. Um deles foi fazer sombra ao governo de Costa, nunca soube dizer que Portugal viveu um período menos bom com a vinda da Troika, quase como dizer que a culpa da crise foi de Passos Coelho, quando foi causada pelo PS. Marcelo sai pela porta pequena por culpa própria.

Feliz 2026 e bom fim de semana.

Augusto Bandeira

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