
O Irão considerou que a designação pela União Europeia (UE) da Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista “é outro erro estratégico” e acusou o bloco de “atiçar as chamas” de um conflito que outros países tentam evitar.
“Vários países estão atualmente a tentar evitar o início de uma guerra total na nossa região. Nenhum deles é europeu. A Europa, por outro lado, está a atiçar as chamas”, criticou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano na rede social X, aludindo à ameaça de ataque militar norte-americano contra a República Islâmica.
Após o reconhecimento, anunciado pela UE, do exército ideológico do regime iraniano como uma organização terrorista, Abbas Araghchi afirmou que a decisão mostra hipocrisia em relação à posição sobre o conflito entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas na Faixa de Gaza e prejudica os próprios interesses.
“Depois de procurar o ‘snapback’ [mecanismo de restabelecimento automático das sanções] a pedido dos Estados Unidos, [a UE] comete agora outro grande erro estratégico ao designar as nossas Forças Armadas Nacionais como uma suposta ‘organização terrorista'”, acrescentou o chefe da diplomacia de Teerão, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
A UE classificou a Guarda Revolucionária Islâmica como organização terrorista, em resposta à repressão das manifestações ao longo de janeiro no país, que causou milhares de mortos. Esta decisão, que requeria a aprovação por unanimidade, foi tomada pelos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco, numa reunião em Bruxelas, anunciou nas redes sociais a alta-representante europeia para os Negócios Estrangeiros.
“A repressão não pode ficar sem resposta”, comentou Kaja Kallas, alertando que “qualquer regime que mata milhares de pessoas do próprio povo está a trabalhar para a própria queda”.
A Guarda Revolucionária do Irão junta-se a grupos islamitas como o Hamas e o libanês Hezbollah e a redes terrorista da Al-Qaida e ao grupo extremista Estado Islâmico na lista da UE. Todas as entidades e pessoas nesta lista veem os seus bens e ativos financeiros em solo europeu congelados e toda a cooperação policial e judiciária em matéria penal proibida.
JN/MS







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