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Não a deixemos cair

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DR.

Winston Churchill disse que a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há outro melhor – a citação pode não ser exata, mas o sentido era este. Hoje todos sabemos, por experiência própria, que este grande estadista do século passado estava carregado de razão. Há lá melhor do que termos eleições livres (mesmo que em países como Portugal bem mais de metade dos eleitores não valorizem esse direito cívico de escolha, abstendo-se de votar) e assim podermos eleger ou derrubar governos com o nosso voto? Não é bom sermos livres e podermos expressar a nossa opinião (mesmo que tenhamos que ouvir os maiores disparates)? Pronto. Não vou maçar-vos com a lista de vantagens de viver num país com um regime político democrata – haveria muito mais para elencar, mas fico por aqui.

No contexto do jornal desta semana, o que pretendo é refletir convosco sobre o que poderá estar a apodrecer esta árvore que nos devia proteger, com a sua sombra, do ambiente tórrido de terror de uma ditadura, que não nos deixa respirar. O poder transforma, também todos sabemos bem disso, e todos os que prometem mundos e fundos quando pretendem ser eleitos parecem ter ataques severos de amnésia quando atingem o seu objetivo. É que, regra geral, ao poder colam-se interesses da mais variada ordem, que acabam por revelar uma força de tal modo gigantesca, que se sobrepõe a todos os princípios de verticalidade e carácter.

Para onde está a caminhar o mundo que tem cada vez mais governos com toques autocráticos? E não estou a falar do perigoso aumento de movimentos de ultradireita ou, nos antípodas, ultraesquerda. Estou a referir-me a um quero, posso e mando, de governos democraticamente eleitos, que levado ao extremo gera uma liderança que se faz sem respeito pelo diálogo e pela angústia dos outros – os que estão a ser mandados.

Nunca como agora foi tão necessário e desejável o equilíbrio na decisão. E a pandemia torna tudo isto ainda mais evidente e preocupante – a necessidade de imposição de medidas restritivas com o, na minha opinião, justificado argumento de conter a transmissão da doença que contaminou o mundo, está a preocupar muitos que já veem em muitos governos um aproveitamento político da situação.

Neste Milénio Stadium queremos sem medo e porque vivemos em democracia, falar do perigo que representa o minar da sua essência. É que tal como uma árvore, aquele que é o melhor entre os piores regimes pode ficar de tal modo fragilizado que basta um sopro de vento, gerado por exemplo pelo medo de uma doença, para o derrubar. Se tal acontecer, acreditem… morreremos todos um pouco e não será culpa de nenhum coronavírus.

Madalena Balça/MS

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