
O Governo brasileiro classificou como um “marco lastimável” nas relações com os Estados Unidos a decisão de Washington de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
O Palácio do Planalto anunciou também que iniciará “imediatamente” os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional brasileiro, junto da Organização Mundial do Comércio (OMC) e rejeitou as justificativas apresentadas pelos norte-americanos.
A reação foi divulgada pouco tempo depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês) confirmar a aplicação da nova tarifa, que entra em vigor em 22 de julho, com uma lista de exceções.
No dia primeiro de junho, o USTR concluiu uma investigação comercial e acusou o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos, recomendando a taxa de 25% sobre produtos brasileiros.
O USTR também apontou o PIX, decisões da Justiça contra grandes empresas tecnológicas, medidas de combate à corrupção, acesso ao etanol e políticas de combate ao desmatamento como restritivas ao comércio norte-americano.
“As extensas negociações com o Brasil ao longo do último ano não resolveram essas questões, mas continuamos abertos a negociações contínuas com o Brasil para promover as mudanças necessárias nos problemas identificados nesta investigação”, afirmou o representante comercial Jamieson Greer.
Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que “o dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”.
Segundo a nota, “não há justificativa para medidas unilaterais” contra o Brasil e o Governo “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio”.
A nota acrescenta que o Brasil não abdicará de proteger as famílias e as crianças “contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas” e que “a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade”.
Mais uma vez, o Governo brasileiro voltou a culpar a família Bolsonaro pelo resultado da tarifa, e chamou-os “falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”.
“Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências”, conclui.
JN/MS







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