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Do alerta global à esperança: A ONU avisa, Jorge da Costa testemunha

Jorge Da Costa/MS

A ONU alertou que décadas de progressos no combate à SIDA estão em risco devido a cortes de financiamento, interrupção de programas essenciais e leis punitivas que limitam o acesso aos cuidados, sobretudo entre populações vulneráveis. 

No Dia Mundial de Luta Contra a Sida, assinalado a 1 de dezembro, António Guterres, enquanto Secretário-Geral, destacou que, apesar da redução de 40% das novas infeções desde 2010 e da queda para menos de metade das mortes, milhões continuam excluídos do tratamento por falta de recursos, estigma e discriminação. A organização defende que, para cumprir a meta de eliminar a epidemia até 2030, é urgente reforçar o investimento, fortalecer sistemas de saúde, remover barreiras legais e colocar as comunidades no centro da resposta global.

Do “vais morrer em seis meses” à vida plena: a história de resistência de Jorge

Jorge da Costa recorda que foi diagnosticado com HIV e SIDA em 1986, numa época em que não havia tratamentos eficazes e o estigma era enorme. O médico disse-lhe que teria apenas seis meses de vida, mas ele continua vivo quarenta anos depois. Desde o início, o mais difícil foi lidar com o preconceito dentro da própria família e comunidade, onde havia separação de pratos, comida e um medo generalizado. A situação agravou-se quando, em 1996, o seu parceiro morreu – um acontecimento que teve de manter em segredo por pressão dos outros e pela falta de aceitação. Até sacerdotes lhe disseram para não falar da doença, o que o fez sofrer profundamente.

Jorge acredita que a educação dentro das famílias, o acolhimento e a quebra dos tabus são fundamentais. Para ele, muitas pessoas infectadas ainda hoje vivem na negação, por vergonha ou medo, o que só prejudica o seu bem-estar. Ele destaca que o HIV não é pior do que outras doenças graves e, com a medicina atual, os tratamentos diários permitem viver de forma saudável, indetetável e sem transmitir o vírus. Por isso, insiste na importância da sinceridade com os outros e consigo próprio.

Ao longo dos anos, Jorge encontrou força em partilhar a sua experiência com a comunidade. Participou ativamente em grupos dedicados ao combate da SIDA sobretudo dentro das comunidades LGBTQ e portuguesa. Trabalhou também na Associação Viver, onde foi co-chair, e onde finalmente deu o seu primeiro testemunho público, em locais como a Casa do Alentejo, entre outros eventos e clubes. Considera que devolver à comunidade, informando e apoiando, foi uma das coisas mais importantes que fez na vida.

Jorge sublinha que ninguém precisa morrer de HIV/SIDA hoje, desde que seja diagnosticado e acompanhado. O mais essencial é enfrentar a realidade, reconhecer a doença e procurar apoio. O seu maior orgulho é ter ajudado pessoas a saírem do “quarto escuro” da vergonha e do medo, mostrando-lhes que a vida continua e pode ser plena.Ele lembra também os muitos amigos que perdeu, mas agradece os que o acompanharam, como José Dias, Rui Pires e Teresa de Sousa. Conta ainda o caso do seu irmão, que esteve muito doente, mas conseguiu recuperar e hoje vive feliz e saudável. Jorge próprio também encontrou estabilidade emocional: está casado há sete anos e vive rodeado de afeto e amizades.

Reconhece o papel crucial do Jornal Milénio Stadium, que o ajudaram a abrir-se publicamente e aproximaram a comunidade do tema, assim como outros meios de comunicação portugueses que o acompanharam. Acredita que estas iniciativas ajudaram a quebrar o silêncio em torno da doença.

Apesar de todos os avanços, Jorge insiste que ainda há muito a fazer. Jorge da Costa defende que deveria existir pelo menos um programa mensal dedicado a falar sobre HIV/SIDA, com o objetivo de informar, combater preconceitos e apoiar famílias que enfrentam o diagnóstico dentro das suas próprias casas.

A ONU reforça que acabar com a Sida significa investir na prevenção, ampliar o tratamento e “capacitar as comunidades” que têm sustentado os avanços obtidos até agora. Recorda ainda que campanhas de sensibilização, iniciativas lideradas pela sociedade civil e ações de apoio às populações vulneráveis são decisivas para evitar retrocessos.

Neste Dia Mundial de Luta contra a Sida, a ONU defende que só com liderança política sustentada, cooperação internacional e políticas baseadas em direitos humanos será possível concretizar o objetivo de eliminar a epidemia até 2030.

RMA/MS

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