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Regime de Kim Jong-un reprime a disseminação de conteúdo estrangeiro

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Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte

Autoridades da Coreia do Norte condenam com pena de prisão ou de morte quem for preso pelo consumo ou distribuição de conteúdos culturais da Coreia do Sul, Estados Unidos da América ou do Japão.

A medida faz parte da nova lei do país, “Lei sobre a Eliminação do Pensamento e Cultura Reacionários”, para impedir que materiais como filmes, séries, músicas, livros e roupa se difundam pela população, reprimindo desta forma todas as formas de comportamento antissocialista.

As autoridades norte-coreanas têm intensificado as repressões, tendo criado uma lista de atividades que são ilegais no país, como aceder ou distribuir secretamente conteúdos por rádios portáteis ou computadores e visualizar, ouvir ou distribuir “materiais ou gravações incomuns, decadentes ou impuros”, como é o caso da cultura da Coreia do Sul.

A população que for presa por posse desta “propaganda estrangeira” pode enfrentar uma pena de cinco a quinze anos de prisão. No caso das pessoas que estão envolvidas na distribuição destes conteúdos, a condenação pode ser a prisão perpétua ou pena de morte, segundo revela a BBC.

Segundo o jornal “Daily NK”, a pena de morte foi aplicada recentemente com a execução pública de um homem norte-coreano, que vivia em Wonsan (província de Gangwon), depois de ter sido preso por “atos antissocialistas” de vender ilegalmente CDs e discos USBs com filmes, séries e músicas da Coreia do Sul.

A nova lei norte-coreana também visa os jovens, uma vez que esta geração é mais passível a ser influenciada pela cultura estrangeira, principalmente a cultura sul-coreana. De acordo com o jornal “Daily NK”, seis estudantes do ensino secundário da cidade de Nampo (província de Pyongan) foram presos por visualizar secretamente 120 séries da Coreia do Sul e divulgá-las entre os colegas. Os jovens foram condenados a cinco anos num campo de reeducação.

A repressão pelo governo da Coreia do Norte estende-se para os habitantes de Pyongyang que têm a obrigatoriedade de relatar às autoridades o número de televisões e rádios que existem em cada residência. A medida surge para que a população da capital não veja os programas sul-coreanos, uma vez que algumas pessoas encontram maneiras de aceder a estes conteúdos, através de televisores estrangeiros ou modificados, escapando às televisões norte-coreanas que captam apenas sinais locais.

“O número de famílias que compraram um ou dois televisores extras aumentou, então a polícia instruiu cada unidade de vigilância do bairro para relatar com precisão o número de televisores em cada casa”, revelou recentemente uma fonte à Radio Free Asia (RFA).

A mesma fonte revelou ainda que quem for preso por ter uma televisão que capte sinais ilegais pode ser “expulsos do Partido dos Trabalhadores, demitidos dos seus cargos ou enviados para o exílio interno”.

A cultura estrangeira, especialmente da Coreia do Sul, continua a ser consumida por toda a Coreia do Norte, segundo revela uma pesquisa feita em 2019 pelo Unification Media Group (UMG). A pesquisa mostra que 91% dos inquiridos consumiu conteúdos sul-coreanos ou de outro país estando a viver na Coreia do Norte e 75% dos entrevistados responderam ter assistido a alguém ser punido por ter cometido o crime de visualizar conteúdo estrangeiro.

Kim Jong-un já tinha banido do país, no final do mês passado, o uso de certos piercings, skinny jeans e “mullets”, um corte de cabelo espetado e pintado, de modo a que as tendências da moda ocidentais não crescessem no país, evitando que a cultura capitalista “invadisse” o país.

JN

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