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A mulher nigeriana que faz história ao liderar o comércio global

Ngozi Okonjo-Iweala

Os membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) nomearam, esta segunda-feira, Ngozi Okonjo-Iweala como a próxima diretora-geral da organização. Okonjo-Iweala torna-se a primeira mulher e africana a liderar a organização que funciona como um fórum de negociações multilateral. A eleição contou com o apoio de Joe Biden.

A 1 de março, quando Okonjo-Iweala assumir o cargo de líder da OMC, tornar-se-á a primeira mulher e africana a ser escolhida como diretora geral da organização. Contudo, quebrar barreiras não se confere novidade para a economista nigeriana, que já havia ocupado, por dois mandatos, o cargo de ministra das Finanças (2003-2006, 2011-2015) e ministra das Relações Externas (2006), conquistando o título de primeira mulher a assumir essas funções na Nigéria.

 

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Nigeria’s Ngozi Okonjo-Iweala poses for a picture at her home in Potomac, Maryland, near Washington DC, minutes before she is confirmed Monday as the first woman and first African leader of the beleaguered World Trade Organization,on February 15, 2021. (Photo by Eric BARADAT / AFP)

 

Ao longo de 25 anos, a carreira de Ngozi Okonjo-Iweala foi ligada ao Banco Mundial, mas o percurso foi conturbado. Segundo a BBC, a mãe da nigeriana foi sequestrada numa tentativa de amedrontar a economista. Com iniciativas ligadas ao combate da corrupção num país rico em petróleo, o Ministério das Finanças confirmou em comunicado que Okonjo-Iweala foi alvo de várias ameaças no passado. Ainda assim, conquista em 2007 a posição número 2 como diretora administrativa do Banco Mundial.

Um documento interno, divulgado pela Deutsche Welle (DW) e que remete a 8 de julho de 2011, chama a atenção para o “papel excecional” desempenhado por Okonjo-Iweala. Segundo Bob Zoellick, presidente do Banco Mundial na época, a contribuição da economista foi “brilhante”. “Além de supervisionar o trabalho do banco em África, no sul da Ásia, na Europa e na Ásia Central e da sua atuação nos Recursos Humanos, Ngozi desempenhou um papel fundamental na supervisão do trabalho do banco no sentido de ajudar os países prejudicados por preços altos e voláteis de alimentos “, disse Zoellick.

O ex presidente do Banco Mundial acrescenta ainda que, com a liderança de Ngozi Okonjo-Iewala, conseguiram montar um fundo de resposta à crise alimentar chegando a mais de 40 milhões de pessoas em 44 países.

Os elogios fazem-se somar e os galardões também. Okonjo-Iweala foi reconhecida por desenvolver programas de reforma que ajudaram a melhorar a transparência governamental e estabilizar a economia, de acordo com a revista americana de negócios Forbes, que a colocou em 48.º lugar no ranking mundial das “50 Mulheres Mais Poderosas” em 2015. Os prémios exaltam não só o poder e influência, mas também a representatividade feminina nos cargos que vem assumindo.

Ngozi Okonjo-Iweala, de 66 anos, liderou a Aliança Global para as Vacinas (GAVI) até 31 de dezembro, altura em que terminou o mandato. O objetivo da GAVI é assegurar que os países em desenvolvimento tenham o necessário acesso às vacinas contra a covid-19. Além disso, foi enviada especial da União Africana para mobilizar apoio financeiro internacional na luta contra a pandemia e enviada especial da Organização Mundial de Saúde para a iniciativa “ACT Accelerator”, que procura o acesso global ao desenvolvimento de tratamentos, diagnósticos e formas de prevenção da covid-19.

A propagação do SARS-CoV-2 é assumida pela nova líder da Organização Mundial do Comércio como uma das principais preocupações. Okonjo-Iweala disse que a sua prioridade será trabalhar com os membros da OMC para minorar as “consequências económicas e sanitárias provocadas pela pandemia”.

“Uma OMC forte é essencial se quisermos recuperar completa e rapidamente dos estragos causados pela pandemia de covid-19. (…) A nossa organização enfrenta muitos desafios, mas se trabalharmos em conjunto, conseguimos tornar a OMC mais forte, mais ágil e mais adaptada às realidades atuais”, declarou Okonjo-Iweala num comunicado.

A eleição de Ngozi Okonjo-Iweala contou com o apoio de Joe Biden, que contrariou a decisão do antecessor, Donald Trump, em apoiar a candidatura de Yoo Myung-hee, ministra do comércio da Coreia do Sul. No início de fevereiro, com a subida de Biden ao poder, a candidata sul-coreana retirou a candidatura e os Estados Unidos deram o seu apoio a Okonjo-Iweala, segundo comunicado da OMC.

JN/MS

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