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Ontario Place: O que o futuro nos reserva

Redesenvolvimento do Ontario Place, projeto a ser construído pela Therme Canada. Crédito: DR. |
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Redesenvolvimento do Ontario Place, projeto a ser construído pela Therme Canada. Crédito: DR.
Redesenvolvimento do Ontario Place, projeto a ser construído pela Therme Canada. Crédito: DR. |
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Redesenvolvimento do Ontario Place, projeto a ser construído pela Therme Canada. Crédito: DR.

     

    Um parque temático concebido para receber o público de todas as idades e destacar a província de Ontário, com exposições que mostrassem suas características únicas e grandes feitos. O Ontario Place foi inaugurado em 1971 e desde então faz parte da memória afetiva de muitas pessoas que nasceram e cresceram em Toronto e viveram os dias de glória do lugar, que no seu auge chegou a receber três milhões de visitantes por ano. Com o passar dos anos o apelo já não era o mesmo e a queda do número de visitas e receita fez com que em 2012 o parque fosse fechado para revitalização. Desde então se tornou um parque público gratuito e com trilha para caminhada. Da antiga construção, o anfiteatro para concertos, hoje conhecido como Budweiser Stage, e um cinema, o Cinesphere, são os que permanecem em ativa.

    Foram anos de especulação sobre o futuro desse lugar. A possível construção de cassinos e condomínios residenciais chegou a ser cogitada, ideia que não foi bem recebida por parte da população e que acabou sendo rechaçada também pelas autoridades.

    O futuro desse lugar icônico de Toronto agora já começou a ser traçado pela província de Ontário. Na sexta-feira passada (30 de julho), o Premier Doug Ford acompanhado da ministra da Cultura, Lisa MacLeod, e do autarca de Toronto John Tory, entre outras autoridades, divulgaram o projeto de revitalização, que compreende um parque aquático e de aventura, um spa indoor e renovação do espaço de concertos. Para devolver a vida ao lugar, que ocupa 155 acres de terreno à beira do rio, o investimento será milionário, calcula-se algo em torno de 500 milhões de dólares. Para tanto o governo apostou em parcerias com a iniciativa privada: foram três empresas selecionadas para a revitalização, o que causou alguma polêmica com a oposição, que criticou o fato dessa escolha ter sido feito “às portas fechadas” pelo Governo de Ford, ou seja, sem participação popular.

    Diante dessa importante divulgação, que promete transformar o cenário da cidade, o Milénio Stadium apresenta aos leitores um pouco da história do Ontario Place: desde a sua concepção, decadência e opiniões de alguns frequentadores sobre a nova proposta de revitalização.

    História- Um parque desenhado para o povo de Ontário

    Em 1967, a Exposição Internacional e Universal foi realizada em Montreal. O Governo de Ontário montou um pavilhão que teve tanto sucesso que decidiu criar uma vitrine permanente da província. O parque foi anunciado em 1968 e inaugurado em 1971. Foi projetado pelo arquiteto Eberhard Zeidler e construído diretamente no Lago Ontário, ancorado por uma cadeia de três ilhas artificiais, representando um feito incrível de engenharia para aquela época. O próprio arquiteto declarou anos depois da obra que essa era a chance de impulsionar o desenvolvimento da orla, uma das áreas mais negligenciadas da cidade até então, e oferecer diversão para toda a população. Na inauguração, o então Premier de Ontario, William Davis, declarou: “É um símbolo estimulante e permanente do trabalho e das realizações do povo de Ontário. Refletem nosso vasto potencial”.

    Entre as lembranças mais vivas de muitos que viveram a infância nas décadas de 70, 80 e 90 está a “Children’s Village” inaugurada em 1972, justamente depois de reclamações de que não existiam atrações destinadas às crianças. Composto por playground e parque aquático logo se tornou um dos espaços mais populares do Ontario Place, fazendo a alegria dos pequenos. Outro sucesso indiscutível desde a inauguração foi o Cinesphere, que pela primeira vez no mundo exibia a tecnologia IMAX, inovação que impressionou os espectadores e as longas filas para assistir a sessões de cinema eram comuns.

    A ideia inicial era construir a maior atração turística para promover Ontário e com isso atrair milhões de visitantes, e proporcionar diversão e conhecimento a todas as idades, mas o que se constatou governo após governo foi que o parque sempre custou mais aos cofres públicos do que conseguia de fato arrecadar. As exposições e eventos nunca geraram o apelo público que se imaginou. A ideia original foi sendo remodelada ao longo dos anos, atrações foram sendo criadas com a intenção de atrair mais visitantes e o preço do ingresso, que chegou a custar um dólar…com o tempo também foi sendo inflacionado. A cada ano o número de visitantes ia diminuindo, passando dos três milhões na década de 1970 para pouco mais de 300 mil pessoas e um rombo de 20 milhões de dólares no orçamento, à época que o governo provincial decidiu de vez fechar as atrações, em 2012. Uma despedida melancólica e sem grandes cerimônias, ao contrário do que foi a inauguração.

     

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    Ontario Place durante a construção no ano de 1970. Crédito: Toronto Library.

     

    O novo Ontario Place terá parques aquático e de aventura entre outras atrações

    “Como marcamos o 50º aniversário do Ontario Place este ano, não há melhor momento para trazer este destino icônico de volta à vida”. A frase dita pelo Premier Doug Ford introduziu a conferência de imprensa onde o aguardado plano de revitalização do Ontario Place foi apresentado ao público. O espaço vai contar um parque aquático coberto e spa, uma sala de concertos renovada, que poderá funcionar todo o ano, além de um “parque de aventura”. A promessa é de preservar muitos dos espaços icônicos, incluindo a Cinesphere, o complexo de “pods”, a marina, o Trillium Park e a trilha William G. Davis.

    Três empresas foram selecionadas para executarem a reforma, incluindo a austríaca Therme, especializada em parques aquáticos e spas, que será responsável pela criação de um novo “destino para todas as estações” na parte oeste do local, que incluirá piscinas, toboáguas e jardins botânicos, segundo o projeto. Haverá também oito hectares de “espaços de encontro gratuitos e acessíveis ao público, jardins ao ar livre e praias públicas” localizados em frente às novas instalações. A empresa de recreação ao ar livre de Quebec, Écorécréo, que opera uma série de parques de aventura aérea naquela província, terá a oportunidade de desenvolver um “adventure park para toda a família” num terreno ao norte de onde fica o cinema. Pistas de obstáculos aéreos, salas de escape e paredes de escalada também estarão entre as atrações.

    A parte final da obra será liderada pela Live Nation que promete melhorias significativas do atual Budweiser Stage, que será revitalizado para contar com 9 mil lugares cobertos e capacidade para outras 11 mil pessoas ao ar livre. Outra novidade é que contará com um sistema de paredes externas mecanizadas que permitirão a realização de eventos nos meses de inverno pela primeira vez.

     

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    Em relação a hipótese de construção de cassinos ou condomínios na área, o Premier Doug Ford foi categórico e disse que essas ideias foram descartadas e o local permanecerá público. Entre as críticas que o plano de revitalização apresentado recebeu uma das mais frequentes vem de quem considera que o governo não levou em conta a opinião pública na hora de definir os rumos da obra e realizou uma escolha “a portas fechadas”, onde optou por parceiros da iniciativa privada para tomar a frente de um projeto que diz ser de interesse público. O vereador Joe Cressy, do Ward 10, Spadina-Fort York, por exemplo, declarou aos media canadenses estar desapontado: “É inaceitável e profundamente decepcionante que decisões tão importantes sobre o futuro de Ontario Place tenham sido tomadas inteiramente a portas fechadas, sem transparência e ampla contribuição significativa do público ou da cidade de Toronto”, disse Cressy. A falta de investimento para o transporte público acessível até a região também é outro ponto que recebeu críticas. As mais acentuadas pontuam que esse fator somado ao preço dos ingressos, que provavelmente não serão acessíveis a todos os bolsos, é a receita perfeita para que o novo empreendimento tenha destino semelhante ao primeiro.

    Rixas políticas e polêmicas à parte, entre os frequentadores do local, que atualmente são na maioria ciclistas ou quem usa o espaço para praticar atividades físicas, a revitalização é vista com bons olhos. Num domingo de manhã, Bradley Harold, aproveitava para se exercitar e para a nossa equipe disse ser a favor de qualquer coisa que se faça para melhorar o lugar. Afirmou também que considera que o governo tem dinheiro para tanto, por isso, precisava agir. Quem também disse ter lembranças boas da infância no local foi o médico Howard Shapiro, que encontramos andando de bicicleta pela área. “Eu gostei de saber que eles não vão construir cassinos nem tampouco condomínios aqui. Esse já foi um lugar nobre da cidade, é preciso garantir que siga sendo aberto ao público” concluiu.

    Os novos planos da província para o Ontario Place vão ainda a consulta pública e as obras devem começar em 2024 e ser finalizadas por volta de 2030. A partir de então se inicia uma nova história desse espaço que se espera seja mais longa e rentável do que a anterior.

    Lizandra Ongaratto/MS

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