Governo de Ontário instou produtores de bebidas alcoólicas dos EUA a pressionarem políticos contra tarifas

O governo de Ontário enviou uma mensagem direta aos fornecedores norte-americanos de bebidas alcoólicas quando, no ano passado, retirou os seus produtos das prateleiras, comprometendo-se a redirecionar os consumidores para produtores locais. As empresas canadianas do setor dizem agora estar a tentar tirar o máximo partido do que poderá ser uma oportunidade temporária para alterar hábitos de consumo.
O governo do Premier Doug Ford retirou o álcool de origem norte-americana das prateleiras da LCBO (Liquor Control Board of Ontario) há quase um ano, em retaliação às tarifas impostas ao Canadá pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde março do ano passado, mais de 80 milhões de dólares em bebidas alcoólicas americanas permanecem armazenados em armazéns, com Ontário a insistir que os produtos só regressarão às lojas quando todas as tarifas forem eliminadas.
Quando emitiu a ordem à LCBO, o governo provincial também instruiu a agência, que opera de forma independente, a enviar uma carta aos seus fornecedores norte-americanos, informando-os de que, na ausência dos seus produtos, a intenção era dar vantagem às empresas canadianas. “A LCBO está a trabalhar com produtores sediados em Ontário e no Canadá para garantir que os nossos clientes tenham acesso a uma seleção de produtos feitos em Ontário e no Canadá”, lê-se na carta, obtida pela CBC News através de um pedido de acesso à informação. “Caso valorizem o acesso a um dos maiores mercados da América do Norte, encorajamo-los a falar com o vosso membro do Congresso e com os senadores sobre o impacto destas medidas no vosso negócio e sobre a necessidade de remover as tarifas sobre bens e produtos canadianos.”
O fim dos boicotes provinciais faz parte de uma lista mais alargada de condições que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou no mês passado que o Canadá terá de cumprir para prolongar o Acordo Canadá–Estados Unidos–México (CUSMA).
A contestação por parte dos produtores norte-americanos, que sentem os efeitos do boicote da LCBO, tem vindo a intensificar-se ao longo dos últimos meses.
CBC/MS







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