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Tensão entre LiUNA e Sindicato dos Carpinteiros

Milhares de famílias luso-canadianas, nomeadamente aquelas a residir no sul do Ontário, serão afetadas por uma decisão orçamental do governo Liberal do Ontário, que prevê a transferência de milhares de trabalhadores, até agora sob a alçada do sindicato Labourers’ International Union of North America (LiUNA), para o Sindicato dos Carpinteiros, o United Brotherhood of Carpenters and Joiners, (UBCJ).

Esta transferência, a ser aprovada constituiria, conforme recentes declarações do vice-presidente da LiUNA, Joseph Mancinelli, uma mal intencionada e obscura decisão, “que cheira mal” e é uma “interferência de mau gosto, e de contornos pouco claros e inéditos”.
Na base deste mal-estar no seio dos dirigentes da Labourers’s International, está o projeto de lei orçamental, o chamado – Budget Bill 31, Schedule 14 – apresentado pelo governo Liberal no passado dia 28 de março, que, a ser aprovado, retira à LiUNA jurisdição no setor da “high rise forming”, oferecendo-o, de mão beijada, ao Sindicato dos Carpinteiros Carpenters Union.

Importa recordar que este setor estava sob a alçada do UBCJ, situação que foi alterada na década de 70. No centro da disputa está a isenção da designação de carpinteiros na “Form Work only”, decisão orientada pelo então Premier Bill Davis que favoreceu a LiUNA, quando se trata de “Concrete Form Work” em Ontário.
Dando voz às dúvidas dos trabalhadores envolvidos deixamos aqui uma de muitas questões que este projeto de lei está a suscitar: quais as razões que levaram o governo a decidir interferir neste processo? Terão sido razões de caráter político-partidário, tal como foi veiculado numa reportagem da CBC a 19 de abril de 2016, segundo a qual, na base desta decisão do governo, está uma recompensa pelo fato do Carpenters Union, ser o principal financiador do Partido Liberal da província?
Se desde 1970 o sistema funcionou bem e garantiu paz laboral no setor, será lógico questionar o porquê desta mudança “forçada”. O tradicional papel do sistema legislativo deveria centrar-se na assistência dos sindicatos na gestão de conflitos organizacionais, e não, como estamos a assistir, a entregar milhares de trabalhadores satisfeitos e sindicalizados na LiUNA, ao Sindicato dos Carpinteiros.

Em toda esta problemática, um outro fator precisa de ser tido em consideração: estaria o ministro das finanças, o luso-canadiano, Charles de Sousa, consciente dos efeitos negativos que esta legislação vai ter para milhares de famílias portuguesas, que são atualmente membros da LiUNA? E onde, neste processo, estava o ministro do trabalho, Kevin Flynn, há tempos considerado “um querido” da família LiUNA? Há ainda quem defenda a hipótese desta decisão pretender ser um favor feito pelo ex- diretor das Relações Governamentais, Steven del Duca, atualmente Ministro do Desenvolvimento e Crescimento Económico do Ontario, ao Sindicato dos Carpinteiros.
No que diz respeito aos nossos representantes, entre eles a deputada de Davenport, há que deixar no ar a presunção de que Cristina Martins não tenha tido conhecimento prévio desta manobra orçamental do governo. Com eleições à porta, há quem ponha a hipótese deste círculo eleitoral estar “à venda”: Por um lado, os Liberais a apostar numa potencial união de forças com os membros da LiUNA, que tanto pode ser com os Conservadores liderados por Doug Ford ou com Andrea Howarth, líder do NDP.

Com todas estas cartas na mesa, chamamos a atenção dos nossos leitores, para a mais importante questão deste imbróglio político, a qual necessita de resposta urgente. Com esta transferência “forçada” de trabalhadores da LiUNA para a UBCJ, as contribuições até agora feitas para as pensões dos trabalhadores vão ou não ser afetadas? Todos estes anos de descontos vão por água abaixo, desaparecendo todas as contribuições e benefícios, ou pelo contrário, estão garantidos e serão transferidos, sem perca de privilégios?

Na última década, e com o apoio dos seus membros, a LiUNA tem liderado, uma forte ação prática a favor dos fundos de pensão, contribuindo, ao mesmo tempo, com mais de cinco milhões de dólares, para o programa “LiUNA Builds Communities”, que apoia causas comunitárias, o qual pode também estar em risco.
Em todo este processo, duas datas importam seguir: o dia 23 do corrente, no qual a LIUNA pretende liderar uma manifestação até ao Ontario Labour Board, e o dia 9 de maio, data final do debate orçamental e posterior aprovação.

Editorial

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