Pulsar da Comunidade: Tradição e criatividade Portuguesa atravessam fronteiras
Fotos: DR
A comunidade portuguesa no Canadá celebra as suas raízes com arte, música e tradições. De Barcelos a Montreal, com a exposição de cerâmica e o Galo de Barcelos, a Oakville com o Jantar do Bom Jesus Milagroso, passando pelo 1.º Festival Multicultural Infantil/Juvenil em Mississauga e as festas do Divino Espírito Santo em Toronto, gerações unem-se em torno da criatividade, fé e folclore, mantendo viva a herança portuguesa além-fronteiras.
Exposição celebra arte e criatividade de Barcelos em Montreal
O Consulado-Geral de Portugal em Montreal marcou presença na inauguração da exposição “Expressões da Arte e da Criatividade Barcelense”, patente na Associação Portuguesa do Canadá no âmbito do seu 70.º aniversário.
A cerimónia contou com representantes de Barcelos e de Montreal e resultou da iniciativa da Associação Migrante Barcelos Community Centre, liderada por Vítor Santos, que destacou a importância de aproximar a comunidade emigrante das suas raízes culturais. A exposição reúne peças de artesanato tradicional, com destaque para a cerâmica e o Galo de Barcelos, celebrando a criatividade da região e reforçando os laços culturais entre Portugal e a comunidade portuguesa em Montreal. Sob o lema “O Que Nos Liga”, a iniciativa sublinha elementos que unem a diáspora portuguesa — arte, simbolismo, memória e comunidade — numa viagem simbólica de Barcelos para Montreal, do passado para o presente e da tradição para o futuro. A exposição “Expressions of Barcelos: Art & Creativity” estará aberta ao público até 27 de março.
Comunidade portuguesa de Oakville celebra Jantar do Bom Jesus Milagroso
No passado sábado, a Paróquia de São José de Oakville recebeu dezenas de fiéis e membros da comunidade portuguesa para o tradicional Jantar do Bom Jesus Milagroso. O evento proporcionou uma noite de convívio, música e gastronomia típica portuguesa. A iniciativa contou com a participação especial do artista Rui Açoriano, vindo da ilha de São Miguel, que animou os presentes com momentos de música e alegria. Rui Açoriano afirmou: “Venho com a alma, para estar com as comunidades e cantar para a comunidade. É sempre um privilégio partilhar música e tradição com quem valoriza as nossas raízes. Agradeceu a todos o carinho e “espera voltar em breve”, nunca esquecendo a sua empresária Helena Furtado e todos os que o ajudam a fazer uma das coisas que mais ama: cantar.
A animação musical ficou ainda a cargo de César Russo, garantindo um ambiente festivo e acolhedor. Luménia Rodrigues, membro da organização referiu que “foi uma iniciativa incrivel” e “agradecera todos os que vieram à festa, a todos os que ajudaram indiretamente e a todos voluntários”. “Para mim manter esta tradição de cultura e de fé é muito importante. O Bom Jesus é muito festejado no Pico e é algo que a nossa comunidade carrega no peito e na alma. 20 de Setembro será o dia da nossa festa maior e todos estão convidados”. O evento destacou a importância de iniciativas que mantêm vivas as tradições culturais e religiosas da comunidade luso-canadiana. Organizações e participantes celebraram a ocasião como uma oportunidade de fortalecer laços entre gerações e preservar a identidade portuguesa no Canadá.
Primeiro Festival Multicultural Infantil/Juvenil reúne jovens artistas no Centro Cultural Português de Mississauga
O Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM) sediou no último sábado o 1º Festival Multicultural Infantil/Juvenil, reunindo jovens artistas e grupos culturais de diversas comunidades para uma tarde de música, dança e intercâmbio cultural.O evento contou com apresentações representando tradições portuguesas, macedônias, filipinas, irlandesas, armênias e outras, evidenciando a diversidade cultural da Região Metropolitana de Toronto. Entre os grupos participantes estiveram os Ranchos Folclóricos do PCCM, As Estrelas do Clube Português de Vaughan, Arsenal do Minho C.C. e Associação Cultural do Minho, bem como Graham Irish Dancers, Ensemble Ilinden Macedonia, Culture Philippines Ontario e o Kami Armenian Dance Ensemble. A tarde ainda contou com música de DJ Good Vibes, entretenimento e rifas.
Para Laurentino Esteves, confesso apaixonado pelo folclore, a participação no festival foi especial: “Cheguei de Lisboa na sexta-feira e mergulhei em Portugal na minha comunidade, na minha cultura. Foram centenas de crianças e jovens de culturas tão diferentes e até distantes, mas que no Canadá se encontram, vivem e celebram as suas raízes. Tive ocasião de referir na minha curta intervenção que é pela cultura que temos que contrariar os tempos de incerteza, de medo e de intolerância que atravessamos!”
Andrew Camara destacou o propósito do festival: “Esta foi uma iniciativa para recolher fundos para as atividades, viagens e despesas do rancho. Queríamos convidar o mundo para a nossa casa, para o PCCM, a nossa casa portuguesa, que é o melhor que há porque sabemos criar união e receber bem todos. Unimos neste evento muitos países e comunidades e, como é destinado a crianças e jovens, queremos que aprendam a respeitar e a erguer bem alto a cultura e a tradição de Portugal, garantindo que a tradição não morra. Quero agradecer aos pais e famílias por todo o envolvimento. Foi uma grande honra fazer algo inédito que a nossa comunidade precisava.”
O festival representou não apenas uma celebração da multiculturalidade, mas também um espaço para fortalecer laços comunitários e preservar tradições culturais entre as novas gerações na diáspora portuguesa e em outras comunidades.
Casa dos Açores do Ontário celebra o Divino Espírito Santo e reforça laços da comunidade
A Casa dos Açores do Ontário, em Toronto, realizou no sábado, 7 de março de 2026, a Terceira Festa do Divino Espírito Santo, reunindo a comunidade açoriana para uma noite de tradição, convívio e cultura, para além de celebrar o Dia da Mulher. O evento contou com a ementa tradicional de matança do porco e atuações musicais de Júlia Leal e Lídia Sousa, que animaram o público com música e dança. Para Suzanne Cunha, presidente da Casa dos Açores do Ontário, “estas festas vão muito além da celebração: são momentos em que reforçamos os laços entre gerações e transmitimos a riqueza da nossa cultura. Preservar as tradições açorianas é fundamental para que a nossa identidade se mantenha viva, mesmo a milhares de quilómetros da nossa terra natal. Cada encontro é uma oportunidade de celebrar a nossa história e fortalecer a comunidade.” O próximo evento será no dia 21 de março, dedicado ao verde dos Açores, prometendo mais momentos de cultura, convívio e celebração das raízes açorianas.
Rómulo M. Ávila/MS







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