Portuguese Canadian Walk of Fame 2025: Legado com alma: a caminhada do orgulho português no Canadá

No passado sábado, no último dia do mês de maio, o coração da comunidade luso-canadiana bateu mais forte na Praça Camões, em Toronto. Sob um céu generoso e entre aplausos sentidos, decorreu mais uma emocionante cerimónia da Portuguese Canadian Walk of Fame, um tributo carregado de alma, gratidão e orgulho. Este espaço simbólico, localizado no cruzamento da College St. com a Crawford, voltou a ser palco de reconhecimento e celebração, homenageando cinco figuras notáveis que, com coragem, dedicação e talento, deixaram marcas profundas na vida cultural, social e económica do Canadá.
Com a Praça Camões como testemunha silenciosa, o anjo “português erguido” e a presença vibrante de uma comunidade multicultural, foram homenageados este ano: o chefe visionário Albino da Silva, a incansável ativista Maria Barcelos, o líder associativo José Eustáquio, a histórica instituição First Portuguese Canadian Cultural Centre e, com emoção redobrada, Manuel DaCosta, empresário e homenageado surpresa da noite.
Cada nome, uma estrela; cada estrela, um legado que ecoa não só entre os portugueses do Canadá, mas também na alma de todos os que reconhecem o valor da perseverança e da identidade.
PCWF 2025
Fotos: Francisco Pegado and Guraw Pictures
Na categoria de “Builders”, o First Portuguese Canadian Cultural Centre (FPCCC) foi reconhecido por ser pioneiro na defesa e manutenção da cultura portuguesa ao longo dos últimos mais de 60 anos. Carina Paradela e Aurianne Fazendeiro têm sido preponderantes na construção do novo e reinventado FPCCC. Primeiramente, Carina salientou à nossa reportagem: “É um enorme orgulho estarmos aqui, neste momento da vida da comunidade portuguesa, e sermos nós a representar o First neste prémio que é tão merecido pela nossa instituição.” Por seu turno, Aurianne falou “em sentimento e muita gratidão”, frisando que “teve a sorte de, neste momento, estarmos no lugar certo, à hora certa, no momento exato, e termos o privilégio de receber esta homenagem pelas décadas de trabalho desta instituição.” Ambas apelaram aos mais jovens para que se envolvam na comunidade e para que não deixem morrer aquilo que é português nesta manta multicultural canadiana.
O presidente da Aliança de Clubes e Associações Portuguesas de Ontário, José Eustáquio, uma das “estrelas da tarde”, assumiu que “este momento é muito importante, não só para mim pessoalmente, mas para toda a família Eustáquio. Quando penso que os meus primeiros passos na comunidade portuguesa foram aqui, mesmo ao lado deste edifício, numa loja de roupa onde trabalhei com 16 ou 17 anos, nunca imaginei, naquela altura, que um dia tudo isto culminaria neste momento tão especial.” O líder comunitário, emocionado, referiu que este prémio “representa não só o trabalho que tenho desenvolvido, mas também a organização que tenho o privilégio de representar – a Aliança dos Clubes – e o mérito do trabalho que a Aliança tem feito nos últimos anos na promoção e preservação da cultura portuguesa.”
Maria Barcelos, outra homenageada da tarde, enquanto diretora executiva da The Gatehouse, dedicada a ajudar pessoas que enfrentam desafios de saúde mental, expressou “a sua imensa gratidão a cada pessoa portuguesa neste país”. “Vocês têm voz e eu acredito no poder das nossas vozes coletivas, que brilham como estrelas. Também sou profundamente grata à equipa que me apoia todos os dias. A todos os sobreviventes que estão a assistir a esta mensagem, saibam que não estão sozinhos. Para avançarmos, precisamos de ser fiéis a nós próprios. Estamos aqui pela nossa comunidade e este esforço é absolutamente necessário, pois é assim que encontramos o caminho de volta a casa. A comunidade portuguesa é a base, a essência deste país. Tudo é possível quando colocamos na nossa mente a vontade de sobreviver e agimos com coragem para servir a vida”, afirmou com veemência.
Também reconhecido foi Albino Fernandes da Silva, empreendedor cultural centrado na gastronomia, proprietário do restaurante Chiado e de outros estabelecimentos. Enfatizou a importância do momento: “muito orgulho e também muita humildade. Essa sensação é difícil de explicar, mas é marcada por uma profunda gratidão pelo meu percurso de vida. Quando me perguntam se há algum momento especial por estar aqui, respondo que não. Apenas sinto a importância de estar presente.” O chefe recordou o seu pai, o seu primeiro mentor, que lhe disse: “Um homem sem palavra não tem honra.” E concluiu: “Desejo que todos nós, luso-canadianos, continuemos envolvidos e unidos, para que amanhã sejamos maiores, mais fortes e mais bem-sucedidos.”
A surpresa da tarde de “homenagens”
Mas algo que ninguém esperava aconteceu. Totalmente de surpresa, a Portuguese Canadian Walk of Fame reconheceu Manuel DaCosta – empresário, filantropo e visionário – premiando o seu mérito e dedicação à comunidade. No momento de receber a sua “estrela”, confessou que “ainda tem muito para fazer”, mas que “se sentia de coração cheio”. Ao seu lado, a sua companheira de vida, Cristina Da Costa, que ajudou a preparar tudo silenciosamente, disse à nossa reportagem que “as pessoas merecem ser reconhecidas e nem sempre isso acontece”. Assegurou que Manuel DaCosta “é quem normalmente reconhece os outros e os incentiva, esquecendo-se muitas vezes de si e do que faz pelos outros e pela comunidade.”
Também Vince Nigro, do quadro de diretores do Portuguese Canadian Walk of Fame, se referiu ao reconhecimento de Manuel DaCosta, como sendo “muito merecido, refletindo anos de dedicação silenciosa, mas transformadora desta comunidade”.
Foi claro ao dizer: “a dedicação de Manuel ao longo de muitos anos, especialmente em tempos difíceis como a pandemia, demonstra a sua persistência e compromisso com a comunidade. Inspirado pela visão de Magellan de há 35 anos, Manuel trabalhou discretamente, mas com grande impacto, sempre focado em deixar uma marca positiva. A sua colaboração com muitas figuras mostra que, mais do que ser o primeiro, é preciso compreender e concretizar uma visão com sentido. Agora foi o momento certo para reconhecer o seu contributo – muitas vezes nos bastidores – mas sempre essencial. Com o apoio da direção, incluindo Cristina Da Costa, presta-se assim uma justa homenagem a quem tanto fez, mesmo longe dos holofotes”.
Sobre a missão do “Passeio da Fama”, Manuel DaCosta, líder da iniciativa, afirma que “o que torna este evento especial são as pessoas que participam e são homenageadas a cada ano, trazendo consigo histórias, personalidades e energias únicas. Não se trata de uma cerimónia política nem dedicada a celebridades, mas sim de um reconhecimento a pessoas comuns que contribuíram de forma significativa para a comunidade e para o mundo.”
“O evento celebra o legado individual de cada homenageado, destacando a importância de usarmos os nossos talentos para deixar uma marca positiva. Mesmo que existam opiniões divergentes, o foco está no impacto real e no bem que cada um faz”, referiu também na qualidade de líder do grupo MDC.
A mensagem final de Manuel DaCosta à comunidade portuguesa no Canadá é um apelo à ação: “Continuem a contribuir para melhorar as suas comunidades e a preservar a cultura lusa. Cada gesto conta e todos temos um papel a desempenhar.”
Situado no número 722 da College Street e inaugurada a 2 de junho de 2013, por ocasião dos 60 anos da imigração portuguesa para o Canadá, o Portuguese Canadian Walk of Fame tem como missão celebrar os feitos de luso-canadianos que, através da sua ação, inspiram e elevam o orgulho da nossa diáspora. Anualmente, por altura das comemorações do Dia de Portugal, novas estrelas são acrescentadas a este passeio de honra, escolhidas por um comité com base em recomendações e avaliações exaustivas e minuciosas.
Este ano, Cristina Da Costa voltou a ser a mestre de cerimónias e, com a excelência, a mestria e a irreverência que a caracterizam, marcou o ritmo, a toada e o pulsar da comunidade, durante mais uma tarde que certamente “fica na história, na história da gente”.
Mais do que uma cerimónia, este evento é um abraço à nossa história, uma celebração da herança portuguesa e da força dos que, vindos de longe, ajudaram a construir um Canadá mais rico, mais diverso e mais humano — continuando assim a reconhecer e a celebrar as diversas conquistas dos canadianos de origem portuguesa, promovendo o orgulho e inspirando as gerações futuras.
Rómulo Medeiros Ávila/ Francisco Pegado/ MS







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