Nos dois dias: Encontro Vianense em Toronto foi também formação e celebração cultural minhota
Foto: Adriana Paparella.
Entre o som das concertinas, o brilho do ouro minhoto e a força das memórias que atravessam o Atlântico, Viana do Castelo voltou a afirmar-se como um dos grandes corações culturais da diáspora portuguesa no Canadá. De 10 a 12 de abril de 2026, Toronto acolheu a segunda edição do “Encontro Vianense”, uma iniciativa que foi muito mais do que um evento cultural: foi reencontro, identidade e pertença.
Convidada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, uma comitiva de 21 bailarinos e músicos, representando 13 grupos folclóricos da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho (AGFAM), levou consigo a essência viva de uma região onde a tradição não era memória, era presença. Esta embaixada cultural integrou o Rancho de Danças e Cantares de Afife, o Grupo de Danças e Cantares da Casa do Povo de Vila Nova de Anha, o Grupo Etnográfico de Areosa, o Grupo Folclórico Cultural Danças e Cantares de Carreço, o Grupo Etnográfico de Castelo do Neiva, o Grupo Folclórico de Castelo do Neiva, o Grupo Folclórico da Associação Cultural de Chafé, o Rancho Folclórico das Terras de Geraz do Lima, o Grupo Folclórico das Lavradeiras da Meadela, o Rancho Folclórico do Centro Social Desportivo e Cultural de Outeiro, o Grupo de Danças e Cantares de Perre, o Grupo Folclórico de Santa Marta de Portuzelo e o Grupo Folclórico de Viana do Castelo. Coordenado por Cândido Torres, este conjunto de grupos representou um mosaico vivo da identidade vianense, onde cada traje, cada canto e cada passo de dança transportava séculos de tradição transmitida de geração em geração.
O programa teve início no dia 10, no First Portuguese Canadian Cultural Centre, com uma primeira jornada marcada pela cultura, pela partilha e pela emoção, tendo sido exibido um trabalho cinematográfico de Flávio Cruz sobre a Romaria d’Agonia, seguido de uma tertúlia com o realizador, num momento de reflexão sobre um dos maiores símbolos da identidade de Viana do Castelo. Depois, a música tomou conta do espaço com um workshop de instrumentos e ritmos tradicionais portugueses, onde os participantes tiveram contacto direto com sonoridades do Minho e chegaram mesmo a aprender uma canção tradicional vianense, tendo o almoço sido oferecido por este clube comunitário.
Durante a tarde, nesse mesmo dia, e já na Associação Cultural do Minho de Toronto, a tradição continuou a ganhar forma através de oficinas de danças tradicionais portuguesas, destinadas a crianças até aos 7 anos, e posteriormente a jovens e adultos, promovendo não só a aprendizagem de passos e coreografias, mas também o conhecimento dos costumes associados a essas expressões culturais. O dia terminou com uma tertúlia dedicada ao trajar e ao ourar à moda de Viana, onde se partilhou saberes antigos e apresentaram peças representativas das várias freguesias, num testemunho vivo da arte do ouro e do traje minhoto. De salientar ainda deste dia que as mãos da Glória Pereira, com o grande cunho de Rosa Bandeira preparam um belo arroz de feijão e uns belos panados oferecidos a todos. Aliás, a companheira de Augusto – a Rosa – faz juz ao velho lema: “por detrás de um homem, está sempre uma grande mulher”… organizada.
No segundo dia (ver reportagem neste jornal), na Peach Gallery, a cultura popular voltou a estar em destaque, com a apresentação do livro “Augusto Canário & Cândido Miranda – Mais de quarenta anos a cantar ao desafio”, na presença dos próprios músicos, num momento de memória e reconhecimento de uma vida dedicada ao improviso e à tradição oral. Seguiu-se a oficina “De repente canta a gente”, dedicada ao cantar ao desafio, onde os participantes foram convidados a experimentar técnicas e segredos desta forma de expressão popular, aprendendo que o improviso também era uma arte profundamente enraizada na identidade do Minho. O encontro culminou numa gala solidária (ver reportagem neste jornal), de apoio à Magellan Community Foundation, destinada à construção de um centro comunitário luso-canadiano, bem como aos Bombeiros Voluntários de Viana do Castelo, reforçando o espírito de união entre cultura e solidariedade que atravessou todo o evento.
Mais do que um programa cultural, o “Encontro Vianense” afirmou-se como uma ponte viva entre Viana do Castelo e a diáspora portuguesa no Canadá. Em Toronto, durante estes dias, a tradição não foi apenas lembrada: foi vivida, ensinada e sentida, provando que a distância não enfraquece a identidade — apenas a transforma em encontro.
RMA/MS






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