Mississauga celebra Portugal com alma, tradição e sonhos em movimento
Mississauga celebra Portugal
O Centro Cultural Português de Mississauga (CCPM) voltou a vestir as cores de Portugal e de festa para assinalar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, num ambiente carregado de emoção, simbolismo e genuína portugalidade. No sábado (14 de Junho), o içar da bandeira portuguesa marcou o início da cerimónia, seguiu-se um arraial típico, repleto de folclore, sabores tradicionais e um forte espírito de união entre gerações.
Laurentino Esteves, conselheiro das Comunidades Portuguesas, marcou presença e como confesso “amante de folclore” era, por si só, um homem feliz. “O hastear da bandeira nacional é sempre um momento de grande honra. Onde quer que esteja a nossa bandeira, há sempre regozijo e sentimento de portugalidade”, sublinhou.
Esteves destacou a importância da continuidade destas celebrações, afirmando que “o 10 de Junho deve viver-se o ano inteiro”. A organização do evento contou com presença de vários ranchos folclóricos e sabores autênticos como sardinhas assadas, cozido à portuguesa e pastéis de nata – foi aplaudida pelo conselheiro, que a classificou como “uma combinação perfeita para continuarmos a ser portugueses, sempre”.
O sentido comunitário e de união do CCPM foi elogiado como modelo para outras organizações: “Aqui não há vedetas, não vejo protagonismos. Vejo pessoas comprometidas com uma associação renovada.” O conselheiro apontou ainda o papel fundamental da cooperação com políticos locais, frisando que a comunidade não se deve excluir do processo político. “Os políticos fazem parte do tecido da sociedade. Temos de saber agradecer quando as coisas são bem feitas.”, disse.
Também presente esteve o deputado federal Charles de Sousa, que dirigiu palavras sentidas aos participantes: “Sou muito orgulhoso de ser luso-canadiano, a celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades pelo mundo fora. Aqui estamos, mais uma vez, a celebrar o mês de Portugal no Canadá. Um grande calor humano para todos os que aqui estão. Muitos contribuíram para a nossa comunidade ao longo dos anos. Agradeço a todos, e desejo um bom mês de Portugal, e, neste caso, uma excelente festa. Quero dizer que em Mississauga há também uma grande comunidade, forte e intergeracional.” As suas palavras reforçaram o espírito de pertença e de continuidade que caracterizam a comunidade portuguesa na diáspora.
A voz da juventude foi trazida por Bárbara Monteiro. Num momento de grande simbolismo, a jovem Bárbara Monteiro interpretou – com grande brilhantismo – os hinos do Canadá e de Portugal. “Quase chorei quando me pediram para o fazer”, revelou emocionada. Nascida no Canadá mas com raízes portuguesas profundas, deixou uma mensagem clara aos jovens: “Que se envolvam na comunidade, que não fiquem em casa. Participem!”
O sonho da realização de uma parada portuguesa em Mississauga
Por seu turno, Jorge Mouselo, presidente do Centro Cultural Português de Mississauga, relembrou o percurso que levou à instituição do hastear da bandeira portuguesa neste recinto: “Foi uma batalha. Levou tempo, mas graças a Deus, cá estamos.” Sobre a ideia de realizar uma parada de Portugal nesta zona – em Mississauga, não escondeu a ambição: “É um sonho meu. Está nos planos. E parece-me mais próximo do que eu imaginava. Estamos a trabalhar para isso”.
O rosto da liderança do CCPM foi claro à nossa reportagem: “É um sonho meu que conseguíssemos mesmo concretizar isto aqui em Mississauga, porque Toronto é Toronto, e não lhe tiro mérito. Adoro Toronto, mas temos muitos portugueses em Mississauga. Muitos mesmo. A nossa comunidade aqui é enorme: temos grandes comércios, grandes negócios, e mesmo aqui ao lado temos a Luso Canadian Charitable Society. Já fazemos parte de Streetsville. Se pensarmos em tudo isto, acho que faz todo o sentido a realização de uma parada portuguesa aqui. E seria mesmo, como costumo dizer, a cereja no topo do bolo. É um sonho, e estou a trabalhar para que se torne realidade”.
A recente renovação das instalações, incluindo o parque de estacionamento, e a criação de iniciativas solidárias, como a venda de fitas a favor do projeto Magellan, demonstram o dinamismo da associação comunitária. “Todo o dinheiro das fitas será doado. O meu sonho é ver a nova vedação completamente cheia”, partilhou Jorge Mouselo.
O projeto Magellan, lar destinado a idosos luso-canadianos, continua a ser uma prioridade solidária. “Muitos na nossa comunidade já precisam de uma casa dessas e não têm para onde ir. O Magellan está a nascer, e se Deus quiser, dentro de dois ou três anos será uma realidade”, admitiu o presidente do CCPM.
Andrew Câmara, ligado ao movimento cultural da comunidade, refletiu sobre o futuro da identidade portuguesa no Canadá: “Os jovens que entram agora não são imigrantes, não têm aquela saudade, mas querem preservar as tradições. Serão festas diferentes, com artistas diferentes, mas com a mesma paixão.”
A festa terminou como começou: ao som do folclore, com trajes e danças tradicionais, com artistas comunitários, num tributo à cultura que une gerações. O Centro Cultural Português de Mississauga demonstrou, mais uma vez, que a portugalidade não se esgota num dia, nem num lugar. Este cento mostrou, uma vez mais, que é possível honrar o passado, viver o presente e construir o futuro – com união, orgulho e um espírito incansável.
Porque ser português, mesmo longe, é uma chama que não se apaga. É uma raiz que cresce em qualquer terra onde se fale com o coração.
Rómulo Medeiros Ávila / MS






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