Maria João Lopo de Carvalho traz a magia da literatura portuguesa ao Canadá

A escritora portuguesa Maria João Lopo de Carvalho esteve no Canadá entre 1 e 8 de novembro, visitando Toronto, Laval e Montreal, a convite da Coordenação de Ensino do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P.
Durante a sua estadia, a autora participou em diversas iniciativas literárias e culturais, promovendo a língua e a cultura portuguesas junto das comunidades locais, universidades, escolas e centros comunitários. Um dos momentos altos foi a sua presença no TIFA – Festival Internacional de Autores de Toronto, onde apresentou o seu livro bilingue “Santarém”.
Em Toronto, a programação incluiu leituras públicas, encontros com leitores e visitas a universidades e escolas, alcançando públicos de todas as idades. A sessão na Casa do Alentejo, organizada em parceria com o Núcleo de Leitura do centro cultural, destacou-se ao permitir que o público conversasse com a autora, ouvisse histórias e refletisse sobre o papel da literatura na aproximação entre culturas, com cobertura do jornal Milénio.

Com quase 80 obras publicadas, entre romances históricos, livros infantojuvenis, biografias e manuais escolares, Maria João Lopo de Carvalho falou sobre a sua paixão pela escrita, o processo criativo e a sua admiração pelo poeta Luís Vaz de Camões.
“É um imenso prazer estar aqui. Volto sempre ao lugar onde fui feliz”, disse a escritora. Questionada sobre o que ainda falta escrever, respondeu: “Estou a começar outro livro, que será lançado em Lisboa daqui a quatro anos. É preciso muita investigação para contar bem a história, sem enganar o leitor com falsas verdades.”
Para ela, a motivação não está no número de livros publicados, mas no prazer de escrever. “Não é tanto pelo resultado, é pelo puro prazer que dá escrever. Sou privilegiada por transformar o meu maior prazer em profissão. O meu vício é escrever. É mesmo uma compulsão. É como viver uma segunda realidade, além da vida quotidiana com os meus filhos, a minha neta e a minha casa”, explicou.
A escritora falou ainda sobre a sua relação com Camões: “Ele ocupa um lugar cativo no meu coração, mas é frequentemente mal compreendido nas escolas. Resolvi contar a sua história de forma apelativa, para professores e adultos, para que todos redescubram Os Lusíadas e os seus sonetos. É incrível como as suas palavras ainda falam diretamente connosco.”
Sobre a sua última obra, “Estoril não caiu do céu”, Maria João explicou: “O título vem de uma frase de Augusto de Castro, amigo do protagonista do livro, Fausto Figueiredo. O Estoril é uma das zonas mais bonitas de Portugal, e tudo o que existe lá foi construído com esforço. O livro mostra também como o Estado Novo utilizou este lugar como cartão de visita de Portugal.”
No final, a autora deixou uma mensagem aos leitores: “Enquanto eu puder, estarei aqui. Que Deus me dê vida, saúde e capacidade para continuar a escrever. É uma felicidade atravessar o Atlântico e sentir-me em casa com leitores que realmente apreciam e discutem os livros.”
Maria do Rosário Gaspar, Coordenadora do Ensino de Português no Estrangeiro no Canadá, destacou o entusiasmo e o impacto positivo da visita: “Vocês são fantásticos e estão sempre presentes, o que é ótimo! Para mim e para a Maria João, esta semana foi cansativa, mas também de uma alegria imensa. É maravilhoso ouvir, falar e partilhar histórias da nossa terra e sentir o impacto que isso tem na comunidade.”
A coordenadora explicou ainda o alcance da visita: “Esta semana estendeu-se além de Toronto e Laval, chegando até Montreal. A Maria João participou em encontros em universidades, escolas e centros culturais, com o apoio do Instituto Camões. Já tinha estado no Canadá há um ano, mas desta vez a viagem foi ainda mais completa.”
Sobre a importância de preservar a língua e a cultura, Maria do Rosário sublinhou: “Não deixem de aprender português e de ensinar aos vossos filhos. Falem português em casa e valorizem a vossa cultura, porque só assim poderão aproveitar momentos como este e compreender plenamente a riqueza que a Maria João Lopo de Carvalho nos transmite.”
A visita de Maria João Lopo de Carvalho contribuiu para reforçar os laços culturais entre Portugal e o Canadá, evidenciando o papel da literatura como ponto de encontro e partilha, não apenas entre as comunidades de língua portuguesa, mas também com o público local.
FP/MS







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