II Encontro Vianense 2026: Mostrou que verdadeira força da cultura está na qualidade
Fotos: Adriana Paparella.
O II Encontro Vianense 2026 voltou a afirmar-se como um momento alto da comunidade, onde emoção, identidade e cultura se cruzaram num ambiente de grande participação. O coração de Viana falou alto, marcou o ritmo e a agenda luso-canadiana. Num momento em que o sucesso de eventos muitas vezes se mede pela dimensão, Augusto Bandeira deixou uma mensagem clara e sem hesitações: a verdadeira força da cultura não está na quantidade, mas na qualidade.
Em Mississauga, o líder dos “Amigos de Viana” celebrou um encontro “cheio e acima das expectativas”, mas fez questão de sublinhar que o mais importante não é crescer rápido — é crescer bem, com identidade, emoção e continuidade. Neste contexto, Augusto Bandeira, líder da organização “Amigos de Viana de Toronto”, fez um balanço positivo do segundo encontro, sublinhando que, apesar do entusiasmo, o foco imediato está na sua conclusão antes de avançar para novos planos. “O primeiro já passou e correu muito bem. O segundo superou as expectativas, com sala cheia. Houve um momento inicial de alguma ansiedade, mas conseguimos ultrapassar e, neste momento, tudo está a correr muito bem”, afirmou. No final, Augusto Bandeira agradeceu aos patrocinadores, reconhecendo o contributo de todos os envolvidos, e destacou ainda a colaboração de vários clubes comunitários, salientando a importância da união para o sucesso da iniciativa. Questionado sobre a possibilidade de um terceiro encontro, Augusto preferiu adotar uma abordagem prudente: primeiro terminar o atual com sucesso e só depois pensar nos próximos passos. Ainda assim, destacou a importância de dar continuidade a iniciativas deste tipo. “Aquilo que começa não deve parar. É como uma criança que está a gatinhar — precisamos de ver como vai crescer e evoluir.” Sobre a pressão associada à organização, Augusto revelou sentir-se confortável nesse contexto. “O coração bate sempre forte. Gosto de pressão e de adrenalina. Quanto mais pressão existe, mais eu avanço. Sem pressão, não se faz nada”, afirmou, sublinhando que é esse espírito que faz os projetos avançarem. Defendeu ainda uma cultura bem divulgada, com qualidade e não apenas quantidade, destacando a importância de dar à juventude acesso a iniciativas de valor e de ir passando, com consistência, o testemunho às novas gerações. Bandeira deixou uma mensagem de esperança, reforçando a necessidade de continuar a envolver os mais jovens e garantir a continuidade do projeto com qualidade e futuro.
Mafalda Rego destaca forte ligação com comunidade luso-canadiana e defende valorização das tradições
Mafalda Silva Rego, rosto da embaixada cultural de Viana do Castelo, destacou a forte ligação criada com a comunidade luso-canadiana na sua mais recente visita, que considerou especialmente marcante. Sublinhou a proximidade com pessoas de todas as idades — desde crianças a idosos — e o intercâmbio com grupos folclóricos locais. Para a responsável, esta interação reforçou a comunicação e evidenciou a importância de valorizar as comunidades emigrantes. Defendeu ainda que estas devem ter mais oportunidades de visitar Portugal e viver tradições como a Romaria da Senhora da Agonia, acreditando que isso fortaleceria o orgulho na identidade portuguesa.
Flávio Cruz destaca paixão e união da comunidade emigrante
A comunidade portuguesa em Toronto continua a revelar um forte apego às suas tradições e identidade cultural, segundo Flávio Cruz, convidado de um encontro com oficinas e atividades culturais que reuniu dezenas de participantes. “O amor pelas suas raízes é inexcedível”, afirmou, destacando a forte adesão e o envolvimento de várias gerações, sinal da ligação à cultura portuguesa. Este foi o segundo encontro na cidade, e o regresso poderá repetir-se: “Quem vem duas vezes, vem três, vem quatro”, disse. Para muitos emigrantes, estas iniciativas são um reencontro com a língua, a música e as tradições de Portugal.
Manuel Da Costa destaca ligação às origens e papel da diáspora na preservação da cultura portuguesa
O empresário, comendador, filantropo e líder da Magellan Community Foundation, Manuel Da Costa, natural de Viana do Castelo, destacou a importância da ligação às origens e o papel fundamental da comunidade na preservação da cultura portuguesa no estrangeiro. Visivelmente emocionado, Manuel Da Costa sublinhou o orgulho em ver a cidade minhota reforçar a sua presença além-fronteiras. “É uma grande conquista ver Viana do Castelo chegar ao Canadá”, afirmou, acrescentando que momentos como este permitem reviver tradições e fortalecer o sentimento de pertença. “Quando revisitamos a nossa terra, reacende-se uma chama dentro de nós.” O líder comunitário fez ainda questão de elogiar o trabalho dos voluntários, que considera essencial para a continuidade cultural. “Há pessoas que, sem obrigação, dão tanto de si para manter viva a nossa identidade. Isso merece toda a nossa admiração e respeito”, destacou, reconhecendo o esforço daqueles que impulsionam iniciativas culturais junto das comunidades emigrantes.
Na qualidade de responsável pelo “Lar Magalhães”, Manuel Da Costa reconheceu que o contexto atual traz desafios, sobretudo financeiros, mas garantiu que o foco permanece inalterado. “Vivemos tempos complicados, mas continuamos comprometidos com o propósito que nos levou a iniciar este projeto”, afirmou. Com cerca de 18 meses ainda pela frente, o projeto entra numa fase decisiva, em que “as etapas finais são sempre mais exigentes”, sublinhou, destacando o papel essencial da comunidade e o crescente envolvimento em torno da iniciativa, prometendo “manter viva a chama e unir a diáspora”.
Bombeiros de Viana destacam ligação emocional com comunidade luso-canadiana e elogiam preservação das raízes
David Lourenço, presidente dos Bombeiros de Viana do Castelo esteve no Canadá, acompanhado pelo comandante Jorge Alonso, numa visita marcada pela proximidade e reconhecimento à comunidade emigrante. Em declarações, o presidente destacou a forte ligação emocional sentida, sublinhando que a comunidade luso-canadiana “faz-nos sentir em casa” e que, apesar da distância, a ligação a Portugal permanece viva. Enalteceu ainda a preservação das raízes culturais e a solidariedade sem fronteiras, deixando uma mensagem de gratidão e respeito pelo trabalho de quem serve os outros.
Organizado pelos “Amigos de Viana”, recorde-se que o II Encontro Vianense 2026, realizado a 11 de abril em Mississauga, voltou a reunir a comunidade em torno da cultura, música e tradições minhotas, num ambiente de grande convívio e celebração. Apresentado por Rómulo Ávila e Verónica Travassos, o evento contou com a presença da “embaixada cultural” de Viana do Castelo, da dupla Canário e Miranda, dos Bombos e do Rancho Folclórico da Associação Cultural do Minho de Toronto, bem como do segmento “Tuga Nights”, destacando-se pela forte animação e pela expressiva adesão do público. A presença do chefe de gabinete da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Marco Silva, reforçou a importância da iniciativa na valorização da cultura portuguesa no estrangeiro. Para além do caráter festivo, o encontro manteve a sua vertente solidária, com a angariação de 30.500 dólares para os Bombeiros de Viana do Castelo e igual montante para o projeto “Sonho Português” do Lar Magalhães, que continua firme no caminho de se tornar uma realidade.
“Entre sombras misteriosas”, mais do que um evento, foi um reencontro de raízes. E “Havemos de ir a Viana”, pois “se o meu sangue não me engana”, há destinos que a memória insiste em cumprir, mesmo quando o tempo tenta desviar o caminho. Porque a fantasia engana, mas o coração lembra. Ficam as palavras como maré: leves, teimosas, eternas. E deixai-me com esta crença — de que tudo o que foi vivido regressa, um dia, em forma de lugar, de rosto, de abraço. Os pecados têm vinte anos… os remorsos têm oitenta. E entre uns e outros, vai-se fazendo a vida — com saudade, com esperança, e com Viana sempre à espera…
RMA/MS






Redes Sociais - Comentários