Evento de 100 Anos da “Alexander Muir School” juntou gerações Regresso ao Passado num local onde as paredes contam histórias
Alexander Muir School
Fotos: Luciano Paparella Jr.
No passado (10), a comunidade escolar reuniu-se num momento carregado de emoção e simbolismo: a celebração dos 100 anos do edifício histórico da escola Alexander Muir, inaugurado em 1925. Muito mais do que uma simples efeméride, o evento tornou-se num verdadeiro encontro de gerações, onde antigos e atuais alunos, professores, pais e filhos voltaram ao passado e celebraram as raízes, as histórias e os laços que marcaram (e continuam a marcar) vidas.
Entre os testemunhos recolhidos pela nossa reportagem, destaca-se o de Cindy Lopes, antiga aluna de 1979, cuja filha estuda atualmente na mesma escola: “Quando entro aqui, sinto-me jovem outra vez. Há muitas memórias. O meu pai também esteve sempre muito envolvido. Esta escola está no centro da nossa comunidade portuguesa”.
Já Nelson Menezes partilhou uma ligação ainda mais profunda: “Graduei-me em 1989, mas a minha mãe também estudou aqui quando imigrou para o Canadá. Agora, o meu quarto filho está a graduar-se aqui. São já três gerações”. Nelson relembrou com orgulho o papel crucial dos imigrantes portugueses na construção da zona envolvente: “Não podemos esquecer o que sofreram e conquistaram sem saberem a língua e sem dinheiro. Esta escola é como uma extensão da nossa família”.
Antonieta Medeiros, outra figura bem conhecida na comunidade escolar, reforçou o espírito solidário da escola: “Sempre que precisam de ajuda, estou aqui. Já passaram por esta escola os meus filhos, netos e até crianças de quem tomei conta. É uma família”. Durante a celebração, ficou clara a importância da escola não só enquanto espaço de ensino, mas como pilar da cultura e identidade portuguesa em Toronto. Julie Dzerowicz, deputada federal, confessou estar feliz por partilhar este momento com a comunidade que representa: “É uma escola espetacular. Temos aqui membros da comunidade portuguesa. Aqui celebra-se a educação e cultura e aqui se formam verdadeiros cidadãos do nosso país”.
Por seu turno, Marit Stiles, líder da oposição oficial de Ontário, realçou a importância do momento: “Este é um momento importante para a vossa e a nossa comunidade. Estamos aqui com os professores, os pais, os alunos e todos estão felizes por celebrarem a história deste local mágico”.
Amanda Pires, mãe de aluna e ativa na angariação de fundos, lamentou o fim das aulas de português após a pandemia, mas reforçou o empenho da comunidade e dos pais: “Criámos várias iniciativas para incentivar os alunos portugueses a continuarem os estudos e a envolverem-se na comunidade escolar, porque assim todos têm mais sucesso”.
À nossa reportagem, Elizabeth McLean, vice-presidente da instituição de ensino, asseverou que “sentia a energia da felicidade em todos. A comunidade escolar uniu-se, hoje está a ser um grande dia, sendo certo que esta Escola tem grande impacto na vida de muitas famílias”. “Quando os alunos cantaram a canção “Maple leaf forever” senti a vida da escola, a emoção e a união de todos as pessoas, quer dos que aqui ainda estão, mas também dos que por aqui passaram”, reforçou McLean. A coordenadora da organização deste dia festivo, Nancy Presedo, disse que “esta celebração especial mostra o quanto a Escola é importante para a comunidade”, esclarecendo que “tudo é feto por há uma boa equipa de voluntários que ajudam em todas a tarefas”. A antiga aluna da escola Alexander Muir, Vitória Ferreira, assume que “voltar à antiga escola foi como reviver os melhores momentos da minha vida. Cada canto tem uma lembrança especial, as risadas nos corredores, os conselhos dos professores, os desafios que me fizeram crescer. Foi aqui que construí amizades verdadeiras e descobri muito sobre quem eu sou. Senti uma mistura de nostalgia e gratidão ao pisar novamente nesse lugar que foi, e sempre será, meu segundo lar”.
A manhã terminou com música tradicional portuguesa e danças típicas, selando assim um dia de reencontros, partilhas e orgulho — não só na história da escola Alexander Muir, mas na história da comunidade portuguesa que tanto contribuiu para a sua grandeza.
Aqui, as paredes não são apenas de tijolo e cimento, mas guardiãs de memórias que atravessam o tempo. Cada canto ecoa com risos e aprendizagens de gerações que passaram, que cresceram e que, com orgulho, deixam a sua marca nesta escola que se tornou muito mais do que um simples edifício.
No evento de 100 anos da Alexander Muir School, o regresso ao passado foi mais do que uma viagem no tempo: foi a celebração de uma história vivida por muitos, mas que continua a ser escrita todos os dias. Como um livro de memórias aberto, esta escola, com as suas paredes que falam, segue unindo corações e mantendo viva a chama da cultura e da educação.
Rómulo Medeiros Ávila/MS
Fotos: Luciano Paparella Jr.







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