Casa dos Açores do Ontário celebra legado de 40 anos

“Celebrar a Açorianidade”. Foi com esse mote que a Casa dos Açores do Ontário (CAO) celebrou 40 anos com uma gala em Toronto, marcada por homenagens, música e emoção. Fundada em 1985 por 12 açorianos como Casa dos Açores de Toronto, a instituição cresceu e, em 2005, passou a abranger todo o Ontário. Com sede própria, pertencente ao Conselho Mundial das Casas dos Açores, a CAO reafirma o seu papel central na comunidade luso-canadiana.As comemorações deste ano começaram com a receção aos convidados, seguida de música ao vivo do guitarrista Simon Arruda.
Antes da abertura oficial foram interpretados os hinos do Canadá, Portugal e Açores por Tony Câmara, que depois regressou como Presidente da Assembleia-Geral para uma intervenção dedicada à alma e à cultura dos Açores no Canadá. Os discursos oficiais foram feitos pela Cônsul-Geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, e pela Deputada Federal Julie Dzerowicz, salientando o papel central da CAO na preservação da identidade açoriana. Durante o jantar, para além de homenagens a presidentes e sócios fundadores, bem como atuais diretores da CAO, foi inaugurada uma exposição fotográfica dedicada à história da instituição, celebrando quase quatro décadas de atividades, tradição e serviço comunitário.
Entrega do Açor de Ouro marca o ponto alto da noite
A cerimónia de reconhecimentos homenageou Carlos Soares, Fernando Melo e Álvaro Janeiro pelos serviços e dedicação à Casa dos Açores, culminando com a entrega do Açor de Ouro 2025 a Luís Arruda, destacando décadas de dedicação a iniciativas culturais e sociais e ao apoio às novas gerações de açorianos no Canadá. Antes, todos os dirigentes atuais participaram do simbólico corte do bolo de aniversário, seguido de um brinde de champanhe animado por Flávio dos Santos e Rui Pedro, que também encerraram a noite com música de excelência.

As declarações
Suzanne da Cunha lidera a Casa dos Açores há mais de 10 anos, orgulhando-se de ter conduzido uma equipa predominantemente feminina num espaço que antes era quase exclusivamente masculino. Para ela, a Casa continua a ser um ponto de encontro vital para a comunidade, mas também um espaço em constante transformação, adaptando-se às necessidades da comunidade e dos jovens. Ela que anunciou a sua recandidatura ao cargo, quer continuar “a manter viva a cultura açoriana e transmitir tradições às novas gerações é o foco central da instituição. Suzanne ressalta que a função da “Casa hoje é diferente de há 40 anos: de um espaço de acolhimento, passou a ser um local que precisa ajustar festas e atividades ao contexto moderno, sem perder as tradições e riqueza cultura dos Açores, abrindo cada vez mais as portas a todos, sejam de onde forem de Portugal ou do Canadá”.
A presidente enfatiza a importância de ensinar os mais novos e cultivar o orgulho de ser açoriano, garantindo que esse legado seja transmitido às futuras gerações. Quanto ao futuro, a evolução da Casa dependerá sempre das necessidades da comunidade, equilibrando inovação, modernidade e respeito pelas tradições.
Por seu turno, Odília Janeiro, vice-presidente do executivo, foi clara: “São 40 anos de história, afetos e identidade. A Casa dos Açores é um ponto de encontro, uma ponte viva entre as ilhas e a diáspora. Celebrar este dia é honrar quem construiu, quem manteve e quem continua a dar alma a esta Casa. Continuarei a dar o melhor de mim, e esperamos que a comunidade nos apoie ainda mais.”
Luís Arruda foi distinguido com o Prémio Açor de Ouro, uma homenagem que, nas suas palavras, representa a gratidão, a humildade e o reconhecimento. Afirmou: “O que é que eu sinto? Muito orgulho. Acima de tudo, este prémio reflete a essência da Casa dos Açores e eu dedico-o a toda a comunidade que também sempre me apoiou”. Luis Arruda, falando sobre a preservação da cultura, das tradições e das raízes açorianas ao longo dos anos, destacou a importância dos valores transmitidos desde a infância: “O que aprendemos desde crianças mantém-se para a vida inteira. Os meus valores são os valores dos meus pais. Eles incutiram-me, acima de tudo, o amor por nós próprios, o respeito pelas nossas tradições, pela nossa cultura e pelos nossos valores religiosos e cívicos. É essa motivação que me leva a manter viva não só a língua portuguesa, mas também a nossa cultura e o contacto com a comunidade portuguesa.”
Já Rómulo Medeiros Ávila, vice-presidente da Assembleia Geral e MC da celebração, abriu a cerimónia dos quarenta anos da Casa dos Açores do Ontário com um discurso carregado de emoção e identidade. Destacou que a data simboliza não apenas um marco histórico, mas a sobrevivência cultural e o que significa ser açoriano longe do mar, lembrando que a diáspora é expansão – transformar dor em força e saudade em ponte. Ao olhar para a sala, Ávila viu mais do que rostos: histórias de coragem, de pais e mães que trabalharam sem descanso e avós que ensinaram que o açoriano nunca se dobra – apenas se curva para rezar, amar ou abraçar. Sublinhou que a Casa dos Açores do Ontário é muito mais do que um edifício: é o ponto de encontro entre passado e futuro, onde a cultura açoriana se reinventou ao longo de quatro décadas. Com emoção, Rómulo declarou concluída a celebração dos quarenta anos da Casa, lembrando que esta data não é um ponto final, mas uma vírgula – o início de um novo capítulo que continuará a escrever-se diariamente.
Um pilar da comunidade em Ontário
Quarenta anos depois, a Casa dos Açores do Ontário continua a ser o coração pulsante da comunidade açoriana no Canadá: um espaço de memória, cultura e encontros, onde tradição e futuro se entrelaçam, celebrando sempre a Açorianidade em cada gesto e em cada sorriso.
MS







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