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Casa do Benfica de Toronto – Meio século de vida

A Casa do Benfica de Toronto faz 50 anos amanhã (22 de junho). O clube já teve várias moradas e há poucos meses mudou da Rogers para a Keele Street.

A festa é no Pearson Convention Center e Mário Mirassol, atual presidente da casa, explicou ao Milénio Stadium o motivo da mudança. “Na Rogers vivíamos sem dificuldades financeiras, mas o espaço estava cada vez mais apertado e a certa altura confrontei os sócios com a possibilidade de mudarmos para a Keele. A mudança só foi possível graças ao apoio de vários empresários e marca uma era na Casa do Benfica de Toronto”, contou.

A Associação foi fundada a 15 de junho de 1969 no antigo restaurante Império. Criado por 11 fundadores e a primeira vez que o clube teve sede própria foi na Claremont. “As primeiras reuniões foram feitas no velhinho Império e eu cedia, sem custos, a nossa sala de banquetes. O grande mentor deste movimento foi um transmontano chamado Fernando Lino”, disse o empresário Frank Alvarez.

Jorge Ribeiro, presidente da Casa em 1983, acompanhou de perto a compra do imóvel. “Em 1975 tornei-me sócio da Casa do Benfica e fomos para a Queen Street. Mas antes recordo-me de ouvir contar que passamos pela Bathurst e pela College. Em 1987 comprámos a nossa primeira sede na Claremont.

António Oliveira foi tesoureiro da Casa nesse tempo e ainda hoje recorda a excelente condição financeira da Casa do Benfica de Toronto. “Estávamos bem na Queen, tínhamos um salão de festas grande, mas de um dia para o outro o senhorio aumentou-nos a renda. No início pagávamos $1,080 por mês, depois passou a ser $3,000 e no final ele já queria $8,000. Por isso decidimos mudar para a Claremont, nessa altura tínhamos $400,000 no banco”, informou.

Com uma grande atividade cultural, o clube chegou a organizar concursos de misses e nos tempos áureos da associação, os bailes eram muito concorridos e havia até um dress code. “Tinha 18 anos quando concorri para miss da Casa do Benfica de Toronto, mas antes já tinha participado num concurso para miss Lisboa. A minha principal preocupação foi arranjar um vestido e uns sapatos com as cores do clube. Não foi difícil, tínhamos que ir ao palco responder a uma pergunta e tínhamos que sorrir, mas isso eu faço sempre (risos)”, recordou Madalena Harbick, a primeira miss da Casa do Benfica de Toronto.

Nos anos 70 o SLB começou a vir a Toronto e a primeira digressão à América do Norte passou por três províncias do Canadá e pelos EUA. “Naquele tempo era difícil porque os jogos eram transmitidos via satélite em circuito fechado. Eu tinha o exclusivo desses jogos e cedia os direitos aos clubes portugueses, aqui em Toronto, mediante um pagamento. A digressão correu tão bem que eu comecei a organizar o Toronto Internacional Soccer Tournament (TIST)”, explicou Alvarez.

Mário Narciso, atual presidente da AG, recorda os tempos em que o Benfica competia na liga canadiana e em que lidou de perto com Eusébio que era presença regular em Toronto. “Nunca fui futebolista, mas tratava mal a bola (risos). O primeiro troféu que conquistámos foi em 1996. Mas já ombreávamos com as equipas da Liga canadiana. Gastei milhares de dólares com a equipa, mas brilhámos por esses campos de Ontário. Conheci o Pantera Negra quando ainda tinha o restaurante Conections na St. Clair. As pessoas juntavam-se lá para falar de futebol e o Eusébio nunca se cansava de contar histórias da vida dele”, partilhou.

Mário Narciso começou a envolver-se na direção quando mudaram para a Robina Avenue e diz que foi quase que forçado a tornar-se presidente em 2003. “Os encargos começaram a ser muito elevados e tivemos que mudar para a St. Clair. Os sócios aprovaram e eu paguei do meu bolso $40,000. A dívida foi liquidada agora quando mudámos para a Keele”, justificou.

Narciso foi delegado do Benfica para a América do Norte durante nove anos e recorda as dificuldades para pagar as deslocações em primeira classe. “Quando os convidávamos para prestigiarem os nossos eventos eles exigiam que pagássemos tudo e muitas vezes os bilhetes eram em primeira classe. Penso que podiam ser menos exigentes e perceber que sobrevivíamos com dificuldades, mas hoje eles já pagam as suas próprias deslocações”, referiu.
Em 2014, nas vésperas da final de Turim, quando o Benfica perdeu contra o Sevilha em grandes penalidades, Mário Narciso ficou tetraplégico. “Passei dois anos hospitalizado e quando estava em coma recebi uma camisola autografada pela velha guarda do Benfica. Também recebi uma visita do Nuno Gomes que, a pedido de presidente, me entregou uma camisola assinada pelo plantel do Benfica da época”, divulgou.

Na cerimónia do aniversário vão estar presentes os vice-presidentes do SLB – Domingos A. Lima e Alcino António; a antiga glória do clube, Stefan Schwarz e o diretor do departamento das Casas do Benfica, Jorge Jacinto.

Joana Leal

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