Comunidade

Carpe Diem: Mais do que motards, é uma família com coração gigante

Foto: Rómulo Medeiros Ávila

A paixão pelas motas pode ser sinónimo de velocidade, ruído e adrenalina. Mas para o grupo motard Carpe Diem, é também sinónimo de solidariedade. Este grupo de amigos, unido pelo gosto pela estrada e pela filosofia de “viver o momento”, decidiu canalizar essa energia para uma missão maior: apoiar os mais vulneráveis.

Com cinco pontos de recolha de alimentos e roupa em Toronto, o Carpe Diem tem prestado ajuda contínua a sem-abrigo e comunidades desfavorecidas. Já distribuíram refeições quentes em noites geladas, entregaram roupa a vários abrigos e participaram em inúmeras causas humanitárias.

“Mais do que um grupo de motards, somos uma família. Acreditamos que ajudar o outro é também enriquecer o nosso caminho”, afirma John E. DeOliveira, líder e fundador. Apesar das motas e coletes de cabedal, são os gestos silenciosos que definem o grupo. “A estrada une-nos, mas é o coração que nos guia. As motas deram-nos liberdade, mas foi a compaixão que nos deu propósito”, sublinha DeOliveira, visivelmente emocionado.

Para John, cada gesto conta: “Mesmo um pequeno ato pode ser a diferença entre o desespero e a esperança. E isso vale mais do que qualquer reconhecimento.”

Luís Costa, também membro, destaca que a missão principal do grupo é estar ao lado de quem perdeu tudo, a casa, família, dignidade, e muitas vezes vive na rua, sem qualquer apoio. “Queremos mostrar a essas pessoas que não estão sozinhas”, afirma.

Estela Caldas reforça essa ideia: “Num mundo tão desigual, ajudar devia ser o verdadeiro lema da humanidade.” Para ela, fazer parte do Carpe Diem é uma forma de retribuir e de devolver dignidade a quem a perdeu. Reconhece, contudo, que a sociedade nem sempre valoriza quem ajuda discretamente. “Mas para mim, ajudar é um ato de amor e convicção e não de vaidade.”

Ana Gonçalves partilha uma visão semelhante: “Ajudar é profundamente gratificante. Um simples gesto, até um sorriso, pode fazer uma diferença real na vida de alguém.” Acredita que a força do grupo está na união e na capacidade de transformar pequenas ações em grandes impactos. Quanto ao reconhecimento público, é clara: “Quem ajuda de coração não o faz por aplausos, mas porque acredita num mundo mais justo.”

Também Andreia Pereira, dos Carpe Diem, já sente o impacto da missão. “Não participei em muitas ações, mas sinto-me inspirada por fazer parte de algo que se preocupa verdadeiramente com o próximo. Às vezes, basta pouco para fazer alguém feliz.” Lamenta que a sociedade viva tanto de aparências, mas acredita que “o importante é continuar a apoiar, com ou sem visibilidade”.

Em tempos marcados pelo individualismo, o grupo Carpe Diem mostra, assim, que cada quilómetro percorrido ganha sentido quando é dedicado a quem mais sofre.

Porque, no fim, não são as motas que nos definem, mas a capacidade de amar e ajudar o outro, mesmo quando ninguém está a olhar. E é essa entrega, essa generosidade silenciosa, que nos faz acreditar que um mundo melhor é possível, um mundo onde ninguém fica para trás.

Essa é a verdadeira liberdade que o Carpe Diem encontrou: a liberdade de dar, de partilhar, de transformar vidas com um simples acto de humanidade. E nessa viagem, cada um de nós pode ser um farol de esperança, iluminando o caminho de quem mais precisa. Porque, afinal, a maior aventura da vida é aquela que fazemos juntos, com o coração aberto e as mãos estendidas.

Texto e fotos: Rómulo Medeiros Ávila/MS

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