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“Açores vivos em Toronto”: Memória, cultura e identidade: Azores Parkette é o novo símbolo da Diáspora Açoriana em Toronto

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Na tarde do passado sábado (17), a cidade de Toronto acolheu um novo marco cultural com a inauguração do Azores Parkette, um espaço público dedicado a celebrar a vibrante comunidade “açoriano-canadiana”. Localizado no coração de Little Portugal, na esquina da Dundas Street West com a Beaconsfield Avenue, este será o primeiro parque da cidade com identidade marcadamente açoriana, sendo um tributo à herança, ao contributo e à perseverança dos emigrantes açorianos no Canadá.  

O Azores Parkette, sob a batuta do Conselheiro Regional da Diáspora Açoriana, Matthew Correia, foi concebido como um espaço de convívio, de celebração da identidade e de preservação da memória coletiva. Entre os elementos de destaque estão um mural artístico que retrata a odisseia migratória do povo açoriano; bancos memoriais, ideais para a reflexão e a partilha de histórias; e hortênsias e outras flores, numa homenagem à paisagem natural das ilhas.

O Conselheiro Regional da Diáspora Açoriana frisou que este “era um dia de muita emoção, de muita alegria, a afirmar a nossa açorianidade permanentemente na cidade de Toronto”. Emocionado durante a cerimónia de inauguração realçou que naquele espaço “qualquer pessoa pode vir sentir o que é ser dos Açores”.

Por seu turno, Suzanne Cunha, presidente da Casa dos Açores do Ontário, destacou o valor desta concretização para a comunidade: “É importante termos algo simbólico que marque a presença dos açorianos. As Casas dos Açores, aqui e por todo o mundo, servem como verdadeiras embaixadas da nossa cultura.” Adiantou ainda que, “este momento, apesar de bonito, podia ter sido melhor aproveitado, pois era importante que todos estivessem unidos, e não apenas alguns. Ou seja, perdeu-se uma oportunidade de reunir todos os clubes que representam a comunidade açoriana em Ontário.”

Os açorianos desempenharam um papel central na construção da comunidade portuguesa em Toronto. Joe Eustáquio, presidente da Aliança dos Clubes e Associações Portuguesas de Ontário, relembrou: “Quando cheguei cá eu só conhecia açorianos. Era e é um povo dedicado, com forte ligação religiosa e cultural. Tenho uma grande admiração por esta comunidade açoriana”.

Para muitos, o Azores Parkette é tanto uma homenagem aos que chegaram, como um legado para os que virão. Anabela Taborda, líder da BIA – Little Portugal, expressou: “Este projeto era um sonho de há muitos anos. Tivemos dificuldades, mas conseguimos. Este espaço honra não só os açorianos, mas toda a comunidade portuguesa.”

Também o representante do Governo Regional dos Açores marcou presença na cerimónia, realçando o simbolismo profundo do gesto: “Este é um dia histórico para os Açores, para Portugal e para a comunidade portuguesa de Toronto”. José Andrade, diretor regional das comunidades asseverou que “este marco é uma homenagem ao passado, mas deve ser visto como um sinal para o futuro, para as novas gerações de lusodescendentes, para que sintam orgulho na sua identidade açoriana.”

A Cônsul-Geral de Portugal em Toronto, Ana Luísa Riquito, destacou o valor simbólico do parque: “Os Açores, situados entre a Europa e as Américas, representam uma ponte. Os pioneiros contribuíram para o país que os acolheu e este parque açoriano é uma homenagem à sua memória e à sua ética de trabalho.”

Digo eu que, mais do que um simples local para uma boa leitura de Vitorino Nemésio ou Natália Correia, o Azores Parkette é uma afirmação viva da identidade açoriana. Uma celebração do passado, um presente à comunidade e uma semente lançada ao futuro. 

Após a inauguração, a Casa dos Açores do Ontário acolheu um pequeno convívio, onde incluiu discursos de representantes locais e entidades oficiais, uma palestra da Professora Maria João Maciel Jorge e a atuação da LusoCan-Tuna.

Esta nova praça, mais do que um espaço físico, é um marco emocional e cultural que afirma com orgulho a açorianidade em Toronto — uma identidade que sobreviveu ao Atlântico, floresceu no exílio e se enraizou profundamente no tecido desta cidade multicultural. O Azores Parkette é um testemunho vivo da resiliência, do espírito comunitário e da capacidade única dos açorianos de manterem acesa a chama das suas origens, mesmo longe do arquipélago. Em cada flor, em cada cor do mural, em cada gesto de quem ali passa, pulsa o coração das nove ilhas. Toronto tem agora, no seu centro, um pedaço dos Açores, eterno, visível e inspirador para todas as gerações.

Rómulo Medeiros Ávila/MS

Fotos:  Francisco Pegado

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